| Assim como no Império |
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| Arte e Cultura |
| Flávio Braga |
| Ter, 23 de junho de 2009 17:39 |
Flávio Braga
A trama descreve um típico jornalista dos anos 60 (Russel Crowe) fuçando em busca da realidade sobre as corporações militares que infestam o governo americano. No caso, uma empresa que aluga mercenários para missões internas e externas a serviço de Washington. A organização mimetizada é a mal afamada Black Water, que executou chacinas em várias partes do mundo. Eles empregam ex-militares com experiência em combate. Assassinos de aluguel cujo único valor moral e ético é o preço que cobram. Há uma cena em que um congressista diz na cara do dono da tal empresa: "Que bom negócio não é? Os Estados Unidos treinam os soldados e vocês os mandam para a morte".
O que poderia ser um filme político sério e conveniente para uma discussão fundamental sobre uso de força militar terceirizada e suas relações com o Estado, acaba sendo apenas filme de ação. A Black Water pagou parte da conta da campanha presidencial de Bush. Seu faturamento anual, coberto pelo contribuinte americano é de vários bilhões de dólares. Mas a denúncia dessa perversão está embutida numa sucessão de inversões no roteiro, quando o público é levado a crer que o vilão não é mais esse, mas aquele outro, como a tradição do formato thriller manda. O espectador fica como diante das análises econômicas, que são sempre tão intrincadas que nos parecem superiores a capacidade humana de alterá-las.
O filme também transita pela ambientação do jornalismo investigativo. O personagem Mac Affrey, interpretado por Crowe é o típico jornalista de formação liberal, sempre carregando uma garrafa de uísque no bolso da calça. Ele se confronta com os editores e também com a turma do jornalismo online, que, supostamente, trabalha mais com fofocas do que com fatos. Mas os altos interesses das corporações agem diretamente sobre os proprietários do jornal, quando querem impedir alguma divulgação incômoda.
Apesar da ligeireza com que os temas fundamentais são tratados, e meia dúzia de inverossimilhanças conceituais, o filme merece ser assistido, com um filtro de precaução que nos leve além do entretenimento.
Flávio Braga é escritor
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