| Gonzalo Rojas: tenho 90 anos e continuo sendo fidelista |
|
|
|
| Arte e Cultura |
| Prensa Latina |
| Seg, 21 de janeiro de 2008 05:21 |
|
La Habana - “Tenho 90 anos e continuo sendo fidelista”, afirmou hoje o poeta chileno Gonzalo Rojas ao inaugurar o Prêmio Casa das Américas 2008 com um discurso equivalente a una cascata poética vertida sobre ol auditório. Ausente há três décadas da ilha, que mantém viva em sua memória, conserva uma energia invejável, que não desperdiça: “Fidel pôs Cuba na historia e o sabem as estrelas. É um alegrão estar em Cuba. Adoro Cuba”, expressou. “Estava em Roma”, recordou aludindo ao día em que recebeu a notícia do triunfo revolucionário do 1 de janeiro de 1959. “Lia o jornal essa manhã, e lhe disse a meu primogênito, Rodrigo, de 15 anos: A ver garoto, destas duas notícias qual é a mais importante": "A terrestre, a de Fidel entrando em Havana; ou a outra, a do razzo (foguete espacial) na Lua?. A de Fidel, me contestou Rodrigo, essa não vai a passar nunca", recordou. "Deu no cravo. Nunca passaria. Essa sim era nova, diria Apollinaire falando do novo, essa sim que era nova de notícia heróica". Fazendo gala de una erudição que o alimenta como una segunda parte de sí mesmo, do mesmo modo que o alimenta a seiva da região a que pertence, em seu discurso de 60 minutos repassou pela geografia do continente, suas feridas, cultura e espírito. Do México ao Perú, da Venezuela "ao Brasil esparramado, sem esquecer suas ilhas, suas belíssimas ilhas", América é a casa una e múltipla, dentro das águas, ao mesmo tempo, assinalou. “Há 90 anos vivo nessas águas, as diamantinas, as secretas, as ásperas, as convulsas, todas essas águas que somos”, precisou. Como numa imagem cinematográfica, desfilaram por seu verbo poético os patriarcas do pensamento e as letras americanas e universais, com uma especial menção aos cubanos José Lezama Lima e Alejo Carpentier, "dois sistemas imaginários, cada um com sua luz". “Também o foram Quevedo, Cervantes, Góngora”, disse, para agregar: “Que faríamos sem Rulfo, sem sor Juana, sem Octavio Paz, sem Alfonso Reyes, sem Borges, primo de Macedonio Fernández, o grande?". Rojas afirmou estar vivendo um rejuvenescimento, "uma espécie de re-infância. O único que me cansa é tanto mercadeiro às custas de tanto empobrecido", lamentou. Após reivindicar “uma poesia que é soma e cifra de ofício mais ofício, armada sobre a base da palavra ganhada com imaginação, coragem e liberdade”, fustigou os empresários do livro. “Que se comam entre si”, lapidou. Com uma modéstia consubstancial, disse: “sempre haverá outros para falar do livro, do portento do livro, do futuro do livro, dessa espécie de arcanjo que veio do papiro”. “O lamentável”, argumentou, “é que já começa a ser proscrito do planeta por obra da hibridez, da malversação do pensamento, da prata e da morte. Caos tecnolátrico, globalização”. Após perguntar-se “Que será do livro, que se dirá de pensante nas próximas décadas quando o telão informático o tenha consumado tudo?”, recomendou: “Leiam, continuem lendo até o amanhecer, até que se lhes seque, se lhes resseque o juízo”. |


