| Eisenstein: lembrança de um grande mestre |
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| Arte e Cultura |
| Tribuna Bis - Tribuna da Imprensa |
| Seg, 11 de fevereiro de 2008 11:43 |
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Filho de um engenheiro descendente de judeus alemães e de uma russa, Serguei Eisenstein nasceu em Riga, em 1898, e tomou contato com o cinema, pela primeira vez, em 1905 através de um filme de Méliès. Ampliou seu interesse por outras manifestações artísticas, como teatro e ópera. Mas, apesar do crescente interesse pelas artes, se matriculou no curso de engenharia, que abandonou em 1918, ano seguinte à Revolução, quando ingressou para as milícias vermelhas. Suas primeiras experiências no teatro datam dessa época. O reencontro com um velho amigo de infância possibilitou seu acesso ao Prolekult, que visava à propagação de uma cultura de origem proletária calcada na ideologia soviética. Funcionando como um organismo independente, fundado em 1917, o Prolekult cresceu num ritmo vertiginoso, escorado na concepção de arte como poderoso instrumento das forças de classe. As montagens teatrais do Prolekult buscavam substituir as antigas estruturas pela demonstração baseada na qualidade da organização da vida coletiva das massas. Eisenstein entrou para o Prolekult em 1920, ocupando o cargo de cenógrafo. O Proletkult relutou bastante em permitir que trabalhasse fora de sua organização. Mas o cineasta acabou conseguindo burlar o controle. Dirigiu "A greve", que gerou recepção controversa. O filme foi uma novidade sem precedentes nos meios cinematográficos. Não conta propriamente uma história, mas mostra uma idéia: o quadro geral de uma greve. O sucesso de "A greve" junto aos meios intelectuais e políticos bolcheviques permitiu a Eisenstein fazer um dos filmes destinados oficialmente a comemorar os 20 anos da Revolução de 1905. A produção teria cenas rodadas em praticamente toda a extensão da União Soviética. Entretanto, uma viagem a Odessa fez com que Eisenstein mudasse totalmente de projeto e resolvesse gravar apenas um dos episódios da Revolução de 1905: "O Encouraçado Potemkin". O caso do motim a bordo do Encouraçado Príncipe Potemkin de Taurine, que antes ocupava apenas meia página do roteiro, foi eleito ponto central do filme. Um único aspecto que, tomado metonimicamente, trouxe à tona toda a gigantesca epopéia de 1905. A Sovkino (conselho responsável pelo cinema na URSS) resolveu entregar a Eisenstein a realização de um dos filmes destinados a comemorar os dez anos da Revolução de 1917. "Outubro" marcou a época dos conflitos de Eisenstein com o poder, centrados, principalmente, nas aparições de Leon Trotsky. Um terço do filme foi eliminado, mas não só devido à figura de Trotsky. Stalin também ordenou que diversas cenas que continham discursos de Lenin fossem cortadas. No entanto, graças ao sucesso extraordinário do "O Encouraçado Potemkin", Eisenstein foi chamado pela MGM e embarcou para os Estados Unidos. Só que seus projetos não decolaram em terra estrangeira, apesar dos amigos poderosos, como Charles Chaplin e Robert Flaherty. Eisenstein resolveu se afastar de Hollywood e fazer "Que viva México", uma obra ambiciosa sobre a história de um país e sua cultura. Infelizmente, as filmagens foram interrompidas por problemas financeiros. Quando sua carreira parecia perdida, recebeu a ordem de filmar "Alexandre Nevski", como uma peça de propaganda anti-germânica. E, assim como já fizera no "Potemkin", Eisenstein construiu uma obra-prima que está acima da ideologia. Com o prestígio recuperado, começou "Ivã, o Terrível", que teria três partes. No que se refere à sua carreira no teatro, estudou com Vsevolod Meyerhold, dramaturgo que, já no início do século XX, se afastou do Teatro de Arte de Moscou, conduzido por Stanislavski, na busca por formas de expressão teatrais que "transcendessem" o realismo mimético do TAM. Encenou sua primeira peça - "O mexicano" - em 1921. A história da peça - adaptada de uma novela de Jack London - trata de um grupo de revolucionários mexicanos que tenta arrumar dinheiro para determinada ação revolucionária. A influência de Meyerhold sobre Eisenstein se estenderia ao cinema - em particular, ao processo cinematográfico da tipagem, que propunha que o espectador reconhecesse as personagens através de simples traços físicos. Não por acaso, Serguei passou a buscar atores capazes de sugerir a situação da personagem no interior do filme, de modo a denotar sua carga ideológica. Conhecido por seus constantes atritos com o regime de Josef Stalin, devido à sua visão do comunismo e à sua defesa da liberdade de expressão artística e da independência dos artistas em relação aos governantes, Eisentein morreu em 11 de fevereiro de 1948, em Moscou, de ataque cardíaco.
Fonte: Tribuna da Imprensa, Tribuna Bis, 11/02/2008. |



Responsável por filmes emblemáticos, como "O Encouraçado Potemkin", "Outubro" e "Ivã, o Terrível", Serguei Eisenstein morreu há 60 anos. Ficou para a história como um dos principais nomes da história do cinema e também como grande teórico da montagem.