Idosos protestam contra plano de fechamento de abrigo no Rio PDF Imprimir E-mail
Cidadania e Direitos Sociais
Marcelo Copelli   
Qua, 16 de janeiro de 2008 22:31

A Associação dos Servidores do Abrigo Cristo Redentor promete fazer bastante barulho, hoje, durante um ato de protesto, a partir das 10h, contra a decisão do secretário de Desenvolvimento Social da Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Garcia, de fechar o abrigo a partir do dia 1º de junho.

Segundo dirigentes da associação, para se "livrar" dos mais de 300 internos o secretário propôs que famílias interessadas os adotassem. Em troca receberiam uma ajuda de custo que pode variar de R$ 550,00 a R$ 928,00 por mês. A associação pretende fechar a Avenida dos Democráticos, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, contra o que eles chamam de decisão desumana da Prefeitura. Cerca de 90% dos internos, atualmente, estão acamados e são portadores de vários tipos de doença ou deficiência física e exigem atendimento médico 24h.

Para dar início a seu projeto, a Prefeitura do Rio juntou todos os internos em um único pavilhão mal iluminado e com pouca ventilação, tornando ainda mais dramática a situação dos idosos. Os outro cinco pavilhões, de acordo com a associação, já foram desativados. Para manter o abrigo, o Governo Federal repassa uma verba de cerca de R$ 3 milhões anuais. Além dos servidores públicos federais, outros 150 contratados cuidam dos internos.

O sucateamento

O Centro de Promoção Social Abrigo Cristo Redentor, localizado no bairro de Bonsucesso, Zona da Leopoldina, foi criado em 1935, durante o Governo Vargas, com o apoio de entidades governamentais, sindicatos e associações. Em 1991 foi para a extinta Legião Brasileira de Assistência (LBA) e em 1999 passou para administração da Prefeitura do Rio.

Segundo os funcionários, a partir daí o que se viu foram a desativação de serviços e o sucateamento da instituição. Em 2005, o abrigo foi alvo de denúncias na mídia, a partir das quais a Procuradoria do Idoso propôs uma ação judicial para apurar relatos de maus-tratos e más condições higiênicas.

Na época, a Comissão de Saúde da Câmara Municipal do Rio de Janeiro encontrou no abrigo uma idosa, de 85 anos, com os pés e o corpo amarrados à cama. No prontuário médico, nenhuma orientação sobre a necessidade deste procedimento, além de terem sido flagrados banheiros e quartos sujos e cadeiras de rodas em condições precárias.

Nos prédios, erguidos há mais de 70 anos, haviam infiltrações, muitos insetos e na câmera frigorífica, onde ficavam carnes, frutas e vegetais, as condições apresentadas também foram muito ruins.

Outros projetos

De acordo com a associação a Prefeitura anunciou que no local seria construída a "Cidade da Assitência Social", mas que na verdade a Secretaria de Desenvolvimento Social pretende utilizar a área de 172 mil metros quadrados, sendo 20 mil de área construída, para projetos de seu interesse, totalmente desvinculados do atendimento a idosos, transferindo secretarias municipais para a região e disponibilizado o espaço para Organizações Não-Governamentais (ONGs).

Até o fechamento desta matéria, nenhum representante da Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura do Rio de Janeiro quis se pronunciar.

Fonte: Tribuna da Imprensa, 17/01/2008.