Bolívia: massacre de Pando PDF Imprimir E-mail
Internacional
Fundação Lauro Campos   
Qua, 17 de setembro de 2008 14:37

BolíviaVeja em http://www.youtube.com/watch?v=cH8Y_FQAkuY os testemunhos de camponeses que sobreviveram à emboscada executada por paramilitares fascistas e sicários peruanos e brasileiros contratados pelo governador Leopoldo Fernández.  Confira aqui o que nem a rede Globo nem as outras emissoras comerciais mostram.

 

 

Governador de Pando admite ter enviado "gente armada" para controlar manifestantes

Brasília - O governador do departamento (estado) de Pando, na Bolívia, próximo à fronteira com o Peru, Leopoldo Fernández, admitiu ao juiz penal Willams Dávila Salcedo, que dois caminhões da prefeitura transportando “gente armada” foram enviados para controlar manifestantes que fariam um protesto em favor do presidente Evo Morales. As informações são das agências Telam e Boliviana de Informação.

Fernádez está preso desde o dia 16 e o governo boliviano o responsabiliza pela morte cerca de 20 pessoas em Pando durante um conflito com simpatizantes do governo de Morales.

De acordo com o juiz, Fernández assumiu que tinha conhecimento de que poderia haver conflito entre funcionários do governo e camponeses. Contudo, enviou ao local do enfrentamento caminhões com pessoas armadas para reprimir os manifestantes.

O juiz considerou que Fernández não poderia ter usado os caminhões da prefeitura para transportar pessoas armadas para reprimir os manifestantes, quando poderia ter recorrido à polícia. O conflito ocorreu no último dia 11 e deixou cerca de 20 mortos,  vários feridos e desaparecidos.



ONG acusa funcionários públicos e pistoleiros brasileiros de matar 18 camponeses

Brasília - A organização não-governamental (ONG) Assembléia Permanente de Direitos Humanos da Bolívia (Apdhb) atribuiu o massacre ocorrido no último dia 11, no departamento (estado) de Pando, a funcionários do governo local que contaram com a colaboração de pistoleiros brasileiros, peruanos e bolivianos.

Segundo relatório da entidade divulgado hoje (24) pela Agência Boliviana de Informação (ABI), a ação deixou 18 camponeses mortos, mais de 30 feridos e uma centena de desaparecidos. De acordo com a ONG, que afirma ter conversado com testemunhas nos primeiros dias após o ocorrido, as vítimas estavam desarmadas e “só tinham pratos, colheres e copos em mãos” quando foram emboscados.

“Os funcionários da prefeitura e os pistoleiros dispararam covardemente contra homens, mulheres, crianças, idosos e estudantes”, afirma o relatório da ONG, que acusa o Serviço Departamental de Estradas de ter cedido equipamentos para que valetas de até dois metros de profundidade fossem abertas ao longo da estrada que liga as províncias de Cachuelita e Filadelfia. A finalidade seria dificultar a fuga dos campesinos.

Segundo a ONG, quando foram emboscadas, algumas pessoas tentaram fugir se jogando no Rio Tahuamanu, habitado por jacarés, cobras venenosas e outros animais. Muitas teriam sido baleados. “Os campesinos que não conseguiram fugir ou não foram baleados foram presos por funcionários do governador Leopoldo Fernández e cruelmente golpeados com paus e chicotes”.

Fernández foi preso no último dia 16 sob a alegação de ter desobedecido a determinação do presidente Evo Morales, que declarou estado de sítio em Pando. Dois dias após ser preso, o governador foi transferido para uma penitenciária da capital, La Paz, onde cumpre prisão preventiva.

De acordo com a ONG, os campesinos se dirigiam a uma reunião para discutir problemas sociais de Pando, como a falta de combustível, a defesa dos recursos naturais locais e do meio ambiente, a analise e a redistribuição de terras públicas, além da autonomia regional e indígena. “Esse ato de violência não distinguiu mulheres grávidas, velhos e crianças. Os testemunhos dão conta de que foram cometidos assassinatos públicos como forma de represália.”

A ONG informou ainda ter constatado que fazendeiros, servidores públicos e pistoleiros têm ameaçado os campesinos de diversas cidades de Pando.  A assembléia recomenda que o governo cumpra seu dever de garantir a segurança das famílias de trabalhadores.


Fonte: Agência Brasil

 

 
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