| A CIA contra a integração latino-americana: nomes e sobrenomes |
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| Comunicação Social |
| Andrés Sallari |
| Qui, 10 de janeiro de 2008 15:12 |
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Caracas - Quando Cristina Fernández de Kirchner ganhou as eleições presidenciais argentinas em 24 de outubro de 2007, muitos falcões republicanos devem ter pensado que as relações entre Caracas e Buenos Aires já não seriam as mesmas. Não foram os únicos, alguns jornalistas e analistas, tanto em Caracas como em Buenos Aires, pensamos e publicamos a mesma coisa. Em 2 de dezembro passado, celebrou-se na Venezuela um referendum constitucional mediante o qual o presidente Hugo Chávez propunha-se a aprofundar a vía ao socialismo e a habilitar sua possível reeleição em 2012. Chávez e os bolivarianos foram derrotados nas urnas. Em Miami e Washington houve festejos. Entre os que festejaram os resultados do 2-D encontram-se democratas, republicanos e os serviços de inteligência dos Estados Unidos. Para eles, a destruição da Revolução Bolivariana é um dos seus objetivos principais (detalharemos logo). Neste contexto, produziu-se poucos días despois (10 de dezembro) a assunção de Cristina Fernández em Buenos Aires. Durante sua campanha, Cristina se preocupou em mostrar-se bem próxima das estruturas do poder tradicional. A então candidata presidencial não evidenciou nenhum gesto de forte aproximação com Chávez (inclusive viajou especialmente a Caracas para reunir-se com representantes da comunidade judaica venezuelana, para os quais Chávez não é uma figura menos diabólica do que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadineyad ou Osama Bin Laden). Em 2007, os que movem as fichas no tabuleiro de xadrez global haviam conseguido um avanço importante ao montar uma exitosa campanha de desinformação e desprestígio internacional contra o presidente venezuelano e sua proposta de reforma. Neste marco, a semana da assunção da nova presidenta argentina – insiste-se, com um Chávez golpeado - aparecia como uma excelente oportunidade para aperfeiçoar-se o cerco em torno do líder bolivariano, cara a cara com um xeque mate tão desejado. Para isto faltava mover uma peça no tabuleiro. A peça designada foi o peão Guido Antonini Wilson. Sem embargo, algo não funcionou. Os ultraconservadores se apressaram, foram confiantes demais e montaram uma operação muito obscena. A continuação, tornou-se pública uma série de fatos que demonstram de maneira incontrastável as seguintes afirmações. 1.- Que o Governo estado-unidense designou um grupo de agentes de inteligência com a declarada missão de operar ações de inteligência com o propósito último de destruir a Revolução Bolivariana. 2.- Que nesse marco deve entender-se a aparição do peão Antonini, já que os que dirigem essa causa judicial estão ligados pessoal, política e ideológicamente com alguns dos agentes encarregados de deter o processo de emancipação venezuelano. 3.- Que por isso, a proclamada independência dos representantes da justiça estado-unidense por parte dos principais meios de comunicação do sistema é falsa e insustentável sob qualquer ponto de vista. 4.- Que a partir destes fatos reafirma-se a existência de uma estrutura de comunicação global que, ao ocultar-nos estas evidências de maneira sistemática (por ignorância, preguiça intelectual ou interesses concretos), impõe uma realidade fictícia que gera a manipulação da opinião pública em prol dos intereses políticos de un país, neste caso, os Estados Unidos. Neste grupo estão incluídos a grande maioria dos grandes meios de comunicação do nosso continente. Passo a passo O escritório de inteligência contra Venezuela e Cuba Em setembro de 2006, o bloco de deputados do partido democrata pediu a George W. Bush que mude o eixo bélico, retire as tropas do Iraque e aponte para a Venezuela, país que lidera as reservas de petróleo mundiais. Pela mesma época, houve outro pedido especial dentro dos serviços secretos, a CIA solicitou ao diretor nacional dos Serviços de Inteligência, John Negroponte, a criação de uma divisão especial para centralizar, unificar e coordenar desde uma só estrutura as atividades contra Venezuela e Cuba. A CIA só tinha cinco divisões deste caráter especificado, os escritórios contra o Irã, contra a Coreia do Norte, de Contraterrorismo, de Contrainteligência e de Proliferação de armas. Em fins de 2006, semanas antes da reeleição do presidente Chávez na Venezuela, Bush designou como encarregado deste departamento especial da CIA a Norman Bailey. Segundo un comunicado público do próprio organismo de inteligência, Bailey se ocuparia de centralizar as operações contra Cuba e Venezuela mediante a criação de uma área “estratégica na recoleta de informação e na análise, identificando e preenchendo vazios de informação e planificando e assegurando a implementação de estratégias”. Bailey tem 75 años e uma longa experiência no mundo da inteligência, desde a década de ’80 trabalhou em inteligência especializado em assuntos latino-americanos, foi funcionário de Ronald Reagan, George H. Bush e George W. Bush. Em 1989, uma das importantes missões da CIA foi a organização da invasão do Panamá, onde outro dos peões estado-unidenses, Manuel Noriega, deixou de ser funcional aos interesses da potência norte-americana e teve que ser removido do tabuleiro. Na execução desta operação, o agente Bailey jogou um papel destacado, sua cirúrgica missão consistiu em transformar-se em assessor do então presidente panamenho, até o momento em que começou a invasão. (Atenção neste nexo Norman Bailey-Panamá. Adquirirá relevância mais adiante quando entraremos no caso Antonini.) O atual responsable das operações de inteligência contra Venezuela e Cuba também é homem da extrema confiança de John Negroponte, o qual liderou operações de terrorismo no Vietnam, em Honduras e no Iraque, entre outros países. A Negroponte se o responsabiliza pelo assassinato de 40 mil vietnamitas. Desde Honduras, onde se estabeleceu nos ’80, organizou a base de treiamento de El Aguacate, centro de operações da contra-revolução nicaragüense. Mais próximo no tempo, encomendou-se-lhe a complexa tarefa de dirigir a embaixada estado-unidense em Bagdad. Durante sua gestão na capital iraquiana, acusou-se-o de financiar e coordenar grupos paramilitares com o fim de alimentar um conflito inter-religioso funcional aos intereses de dominação de seu país na região. O ex-embaixador de Washington em Bagdad sabe recompensar seus amigos, as operaciones de Mobil Oil no invadido território árabe contam com a assessoria da empresa Norman A. Bailey Incorporated com sede em 8618 Westwood Center Dr Vienna em Washington. As assessorias de Bailey não se circunscrevem ao âmbito petroleiro, o atual responsável da inteligência contra a Venezuela também “colaborou” com o ex-presidente argentino Eduardo Duhalde, a quem, em plena crise política, social e financeira, em março de 2002, recomendou reprimir fortemente o protesto social, convocar eleições antecipadas e entregar o território nacional para pagar a dívida externa. Beiley convenceu Duhalde da necessidade de conseguir financiamiento internacional para superar a crise. Para tal fim, recomendou ao então presidente a contratação de três empresas especialistas em lobby e comunicações. Uma das empresas contratadas – anunciadas mediante o Decreto No 533/2002 foi Zemi Communications, propriedade de Henry Kissinger, cuyos antecedentes na história recente da América Latina não faz falta destacar (ainda que, se acharem necessário podem repasá-lo em “Henry Kissinger, homem de Estado ou criminoso de guerra?”. Casualmente, entre os princípios políticos que Kissinger promove há 30 anos, figura o endividamento planejado de países com recursos estratégicos. Os vínculos do chefe da inteligência contra a Venezuela com os falcões do pentágono não terminam aí. Esta é a definição que sobre Norman Bailey ofereceu outro dos neoconservadores mais destacados, Otto Reich, cubano de nascimiento e anticastrista por convicção: “Bailey é um homem altamente capacitado, que compreende a ação política, a diplomacia e também compreende os aspectos psicológicos do mundo em que estamos”. Reich sabe do que fala em matéria de ação política e psicológica (para analisar seu prontuário em matéria de desestabilização recomenda-se a leitura de sua folha de vida em "Otto Reich e a contra-revolução". Reich e Bailey estreitaram laços na mesma Honduras contra-revolucionaria dos ’80. Já ficou estabelecido o marco de relações que nos mostra quem é políticamente Norman Bailey, ademais ficou claro que o responsável do escritório de inteligência contra Venezuela e Cuba, também é um conhecedor da realidade argentina e de seus protagonistas políticos. Agora repassaremos algumas de suas declarações textuais para que não sobrem dúvidas acerca de suas concepções ideológicas: “Chávez é um ditador civil, um perigo dentro e fora de Venezuela.” “Chávez é culpado de oito pecados capitais Impulsiona um eixo populista-esquerdista junto com Fidel Castro e Evo Morales. Encabeça a prédica regional contra os Estados Unidos. É o principal opositor à ALCA. Apoia financeiramente os movimientos indígenas de esquerda em países andinos. Brinda apoio logístico às FARC. Financia Cuba con petróleo venezuelano. Transformou a Isla Margarita em um refúgio para terroristas islâmicos. Interfere em conflitos bilaterais como no caso Bolívia-Chile pela saída para o mar.” “Se Kirchner avança na consolidação de relações com Chávez e esse estúpido gasoduto, a Argentina não receberá mais ajuda dos Estados Unidos.” Os fiscais do caso Antonini. Independentes? Como se pode observar, a revolução bolivariana e suas relações com o resto da América Latina são uma preocupação de primeira ordem para os que desde os Estados Unidos têm impulsionado um escritório especial para atacar este processo. Agora se demostrará que os representantes da justiça estado-unidense encarregados do caso Antonini, estão relacionados com os que operam de maneira direta contra a revolução bolivariana. Estas relações sustentarão o ponto 3, que evidencia a indivisível relação entre o poder político e a causa Antonini. Nos Estados Unidos, os fiscais gerais dos 50 estados que conformam a união, são escolhidos mediante o voto dos eleitores. Sói ocorrer, na maioria dos casos, que os fiscais gerais sejam aliados políticos dos presidentes ou dos governadores de turno. Isto ocurre na Flórida, onde o Fiscal Geral é Bill Mccollum. Sobre suas preferências políticas não há lugar a dúvidas; antes de ser Fiscal Geral, Mccollum foi congressista republicano durante 20 anos e logo se postulou como candidato a senador pelo mesmo partido. Em março de 2004, em plena campanha, Mccollum falou da necessidade de “introduzir oficiais de inteligência entre os turistas estrangeiros que viajam a Cuba desde outros países”. As atividades do Fiscal Geral da Flórida junto aos setores mais conservadores da direita de seu país são públicas. Em 1987, durante seu mandato como congressista na Cámara de Representantes, Mccollum participou nas audiências do escândalo Irán-Contras. No momento de interrogar o contra-revolucionário Félix Rodríguez (assassino do Che) sobre suas atividades e as de Luis Posada Carriles, felicitou-o por seu papel destacado na luta contra o comunismo. Nos últimos anos, a revolução bolivariana se transformou em um novo objetivo de Mccollum e seus aliados. Ao longo de 2007, un grupo de cidadãos nucleados em torno da Fundação do Conselho de Segurança Americano, apresentou em distintos cenários um audiovisual intitulado “Crise nas Américas, um documentário sobre o ditador Hugo Chávez”. Este material foi relançado no pasado 7 de novembro no Clube de Campo Doral Park de Miami. Faltava pouco menos de um mes para o referendum na Venezuela e a campanha internacional contra o presidente Chávez estava em seu ponto mais agudo. Entre os patrocinadores do documentário estiveram dois congressistas republicanos de dilatada trajetória anticastrista como Lincoln Díaz Balart e Connie Mack, para os quais projetos informativos como Al Jazeera ou Telesur não são mais do que microfones a serviço dos terroristas. Entre os auspiciantes do material audiovisual que acompanharam a Díaz Balart e Mack, esteve o Fiscal Geral da Flórida, Bill Mccollum. Segundo os relatos dos que tiveram oportunidade de ver o material, “Crise nas Américas, um documentário sobre o ditador Hugo Chávez”, intenta relacionar o presidente venezuelano com o terrorismo, o tráfico de drogas, a violência, o despotismo, o comunismo cubano, a fraude eleitoral, o eixo do mal e o Islã radical. Casualmente, os mesmos pontos que descobrimos dentro dos pecados capitais de Chávez enumerados por Bailey. Operaciones Negras Uma das fontes reiteradas dentro do audiovisual é Otto Reich, quem em 1983 dirigiu o Escritório de Diplomacia Pública para a América Latina e o Caribe (OPD, segundo suas siglas em inglés). A OPD, segundo revela o escritor Greg Grandin no seu livro Empire’s Workshop, “estava oficialmente a cargo de implementar uma aproximação nova, no tradicional, para definir os termos da discussão pública sobre a política na América Central”. A OPD empregou uma tática que utiliza freqüentemente a CIA em outros países, colocando artigos e histórias na imprensa sob o nome de um terceiro. Estas atividades, conhecidas no mundo da inteligência como propaganda negra, foram levadas a cabo dentro dos Estados Unidos com o total conhecimento da Casa Branca. Em 1987, o Congresso ordenou o fechamento da OPD de Reich, sob a acusação de estar implicada em uma “operação proibida e encoberta de propaganda”, mas nesse então os funcionários do Departamento de Estado disseram que simplemente reorganizariam o escritório, distribuindo suas funções entre outras partes do departamento. Tudo parece indicar que cumpriram sua palavra. A operação de propaganda negra que se pretendeu constituir mediante “Crise nas Américas, um documentário sobre o ditador Hugo Chávez” foi tão evidente que o material não logrou trascender dentro da sociedade estado-unidense; sem embargo, sempre há setores ultraconservadores que intentam legitimar este tipo de manipulações. A jornalista Ericka Andersen realizou uma interessante resenha deste material para o diário “Human Events”, no passado 27 de setembro. De passagem, entrevistou a Bill Mccollum; o testemunho do Fiscal Geral da Flórida nos permite uma vez mais entender seu pensamiento: “Chávez é una parte importantíssima no problema da droga na América do Sul. Eu penso que é um dos maiores traficantes, talvez da história.” No passado domingo 23 de dezembro, o jornalista argentino Horacio Verbitsky, publicou em sua coluna do diário Página12, que quando ocorreu o sucesso da mala de Antonini em agosto passado só houve dois meios que denunciaram uma relação entre o dinheiro incautado e a campanha de Cristina Fernández, um dos artigos não foi assinado e o outro foi assinado por um jornalista que ninguém conhece. Tudo parece assemelhar-se demasiado a um roteiro armado por esses personagens que como o mesmo Reich afirmou “compreendem a ação política e os aspectos psicológicos do mundo em que vivemos”. Os fiscais da causa Antonini Mulvihill O Fiscal com mais exposição pública no caso Antonini é Thomas Mulvihill, primeiro assistente da Fiscalização Geral. Mulvihill processa crimes como narcotráfico, espionagem e violações às leis de exportação; por esta razão, mantém um vínculo muito próximo com agências de inteligência como o FBI ou a CIA. Por suas investigações de casos federais contra o crime organizado, Mulvihill recebeu vários prêmios de reconhecimento de agências de inteligência em Washington. Este fiscal vive no sul da Flórida há mais de 20 anos, e segundo as crônicas jornalísticas, conhece perfeitamente as problemáticas da região, a ponto de que no passado participou e investigou a detenção do general Manuel Antonio Noriega no Panamá. É de se supor que se o fiscal Mulvihill investigou o derrocado ex-presidente panamenho e tem vínculos estreitos com os serviços de inteligência, deve conhecer pessoalmente o agente Norman Bailey, que é um conotado membro desses serviços, e foi um dos responsáveis máximos pelas operações no Panamá. Fiar mais fino seria deducir que a partir destes fatos Mulvihill e Bailey têm uma relação pessoal ou uma aliança política, mas poderíamos aventurar-nos a fazê-lo, se observamos o mundo das relações de ambos. Um dos próximos colaboradores de Bailey é Roger Noriega, quem em 12 de dedezembro passado saiu a defender publicamente a Mulvihill e sua equipe, mediante uma coluna de opinião jornalística publicada pelo conservador diário La Nación de Buenos Aires. Disse Noriega: “O que é bastante inusual é que, em vez de meramente negar a acusação, a presidenta Kirchner impugnou ferozmente as motivações dos investigadores estado-unidenses, sustentando que a querela penal buscava 'cobrir de lixo' sua presidência”. Estas declarações provocaram a reação do ex-presidente Néstor Kirchner, que qualificou Noriega como um “funcionário lamentavel” e exigiu que a justiça estado-unidense extraditasse o prófugo Antonini. Alexander Acosta Outro dos fiscais implicados na causa Antonini é Alexander Acosta; seu nome não sói aparecer nos meios de comunicação, seus antecedentes não o ajudam a sustentar a imagem de um fiscal independente. Em 13 de novembro de 2003, houve uma convenção de advogados sobre legislação internacional e soberania americana organizada pela Sociedade Federalista com sede principal em Washington. O fiscal Alexander Acosta foi um dos convidados a dissertar. O orador de orden deste exclusivo encontro foi John Negroponte. Poderíamos pensar que não é mais que uma casualidade que Acosta e Negroponte tenham confluído nesta reunião, mas poderíamos pecar por ingenuidade, talvez: este encontro indica, quando menos, uma coincidência intelectual e política. Esta asseveração se confirma quando descobrimos que 2 anos e 11 meses mais tarde, exatamente a 10 de outubro de 2006, o Fiscal Federal do Distrito da Flórida, Alexander Acosta, anunciou a criação de um Grupo de Trabalho para Reforçar as Sanções a Cuba, conformado por agências do governo, incluindo o FBI, o Serviço de Rendas Internas, Imigração e Controle de Aduanas, o Departamento de Comércio, o Serviço de Guarda Costas e Aduanas e Proteção de Fronteiras. Como se pode observar as atividades deste fiscal exceden amplamente o marco investigativo para ingressar no terreno do ativismo político, e neste caso dentro das causas mais reacionárias como o é o aprofundamento do estrangulamento econômico contra Cuba, condenado de manera quase unânime pelas Nações Unidas em cada oportunidade que se apresenta. Há outro caso que evidencia a confluência ideológica – e uma muito provável coordenação em matéria de ação política - entre este fiscal do caso Antonini e o congressista republicano Lincoln Díaz Balart (gestor do vídeo lixo contra Chávez): Em fevereiro de 2007, Acosta denunciou dois cidadãos estado-unidenses por solicitar licenças de viagem a Cuba em nome de igrejas inexistentes, o que teria permitido que mais de 4.500 cubano-americanos obtivessem licença para visitar seus familiares na ilha caribenha. Segundo declarou o fiscal oportunamente, “os dois arrestos e a investigação são um indício do compromisso do governo federal de endurecer o embargo comercial... esta decisão é importante para ajudar uma transição democrática na ilha'. O congressista Díaz Balart, não ficou atrás e sustentou publicamente o acionar de Acosta, a quem carinhosamente chama de Alex: “O fiscal federal Alex Acosta e sua equipe de trabalho merecem reconhecimento e apoio por seus esforços contínuos para fazer cumprir eficazmente o embargo dos Estados Unidos contra o regime terrorista em Cuba”. Por mera coincidência, durante 2006, Díaz Balart havia feito um chamado público para que se impulsionassem as causas judiciais aos violadores de licenças religiosas. Acosta também tem uma relação fluida com o Fiscal Geral Mccollum; desde mayo de 2006, ambos participan ativamente do “Projeto Infância segura”, uma iniciativa nacional criada nos Estados Unidos para proteger os menores contra a exploração e os abusos sexuais. Em 23 de março de 2007, representantes de Infância Segura da Flórida brindaram uma conferência de imprensa para repassar os avanços do programa. Alexander Acosta e Bill Mccollum apareceram, fazendo declarações sentados um ao lado do outro. Kenneth L. Wainstein Outro dos funcionários implicados na investigação é Kenneth L. Wainstein, assistente do Fiscal Geral de Justiça do Departamento de Segurança Nacional. Segundo palavras do próprio Wainstein, suas funções são as de “supervisionar as operações de inteligência e as operações legais relativas à segurança nacional”. Wainstein foi designado pelo presidente Bush para o cargo, e sua aprovação pelo senado demorou 5 meses. É uma espécie de vice-ministro do Secretário de Justiça Michael Mukaesy, o que indica suas estreitas relações com o poder político republicano. Entre suas obrigações também está a de articular suas tarefas com o diretor nacional dos Serviços de Inteligência John Negroponte. Reflexão. Esta equipe de trabalho é o artífice de uma operação lixo contra Venezuela e Argentina? Demasiados indicadores nos empurram a pensá-lo. Resumo Durante todo 2007, um escritório de inteligência da CIA se dedica a planejar operações contra a Venezuela. O responsável desta dependência (Bailey) tem nexos fluidos com os principais implicados em operações de inteligência armadas pela Central durante os últimos 30 anos: o cubano-americano Otto Reich, John Negroponte e Roger Noriega. Todas estas personagens têm fortes vínculos com o anticastrismo mais duro de Miami, desde onde, junto a seus companheiros da Fundação do Conselho de Segurança Americano, também lança operações de inteligência contra a Venezuela o Fiscal Geral do Estado (Mccollum). Um dos fiscais que tratam o caso (Mulvihill) é assistente de Mccollum, está fortemente ligado com os serviços de inteligência e muito provavelmente mantenha uma relação fluida com o responsável do escritório da CIA encarregado de desestabilizar a Venezuela (Bailey), já que ambos estiveram implicados no caso Panamá-Manuel Noriega. Quando a competência de Mulvihill é questionada pelo governo argentino, Roger Noriega (colaborador próximo de Bailey) assume sua defesa pública. Outro dos fiscais federais encarregados da causa (Acosta) é um reconhecido ativista contra a revolução cubana, disserta junto de John Negroponte em Washington e realiza tarefas de beneficência junto ao Fiscal Geral da Flórida (Mccollum). Um terceiro responsável da causa (Kenneth L. Wainstein) é um funcionário com categoria similar à de un vice-ministro de justiça; entre suas funções - segundo o mesmo declara - está a de supervisionar operações de inteligência; também deve articular seus labores com John Negroponte. Se a Norman Bailey e seus colaboradores do escritório de desestabilização da CIA, ocorrera-lhes montar uma operação lixo com a intenção de gerar um atrito entre Venezuela e Argentina utilizando o caso Antonini, este seria o grupo de trabalho ideal. Para entender a manipulación montada pelos meios de comunicação utilizaremos um caso testemunho. Em 26 de dezembro de 2007, o “prestigioso” matutino Washington Post publicou um editorial no qual assegura que a postura da presidenta argentina em torno ao caso – recordemos que a mandatária denunciou uma “operação lixo”- obedecia a sua ignorância acerca do funcionamento do sistema judicial dos Estados Unidos. Esta é a citação textual: “Há os que, demonstrando sua ignorância do sistema judicial estado-unidense, culpam o governo do presidente Bush pelos resultados de uma investigação penal. A reação demonstra que as esperanças de uma mudança na política externa argentina provavelmente foram falsas. Em vez de distanciar-se do escândalo, ambos (a presidenta argentina e seu esposo) fizeram coro com Chávez denunciando “truques sujos” da Casa Blanca e um suposto plano estado-unidense para subjugar a Argentina”. Não faz falta agregar que estas “afirmações” foram reproduzidas por todos los grandes meios do nosso ontinente como se o escrito pelo editorialista do Washington Post fosse verdade absoluta. Isto chegou a milhões de leitores que puderam crer que a causa Antonini não tem nenhuma implicância com o poder político e é tão só uma investigação penal. Puderam pensá-lo porque através desses grandes meios - como se demonstrou – manipulou-se a realidade e se lhe negou à cidadanía seu essencial direito de aceder à informação completa sobre o caso. Notas 1.- Este informe foi redigido com base em uma investigação pessoal e em artigos publicados pela agência de comunicação Rodolfo Walsh e pela revista estado-unidense Z Magazine. 2.- Entre os objetivos desta investigação não figura estabelecer a categoría ou a origen dos ilícitos que poderiam derivar do caso Antonini Wilson. |


