François Houtart: a lógica capitalista destrói a Terra PDF Imprimir E-mail
Ecologia
Prensa Latina   
Qua, 30 de janeiro de 2008 20:10

La Habana - O reconhecido investigador François Houtart culpou hoje a lógica do capitalismo pelo desequilíbrio mundial e pelo perigo de destruição do planeta e da humanidade.

“O desequilíbrio fundamental que conhecemos agora tem duas origens, mas com uma lógica: a destruição da Terra e de uma grande parte da Humanidade”, disse o sacerdote católico e pensador francês, em declarações a Prensa Latina.

As duas respondem – apontou - a una lógica fundamental: a lógica do capitalismo, que é transformar tudo em mercadorias, lucros e acumulação de capital.

François Houtart é criador do Forum Social Mundial e presidente da Liga Internacional pela Libertação dos Povos. Publicou mais de 40 livros sobre temas filosóficos, econômicos e sociais.

“A natureza foi explorada para se tornar fonte de lucros e acumulação”, comentou o teólogo, que figura entre os convidados especiais à segunda conferência Pelo Equilíbrio do Mundo.

O encontro se encerrou nesta quarta-feira aqui com a presença de uns 400 delegados de 35 países.

Estamos presos a uma contradição. Agora o mundo capitalista tem medo porque estamos chegando a uma situação na qual a exploração da natureza é um obstáculo para a acumulação do capital, disse.

E é por isso – agregou - que o capitalismo começa a reagir, mas de maneira totalmente equivocada.

Essa reação – explicou - não é para resolver o problema do clima da Terra, senão que para ver como continuar a acumulação apesar disso e como aproveitar-se das contradições do capitalismo para acumular mais.

Daí – precisou - toda a propaganda nova que se desenhou para manter e garantir a continuação do sistema.

O segundo aspecto – indicou - é a ausência de capacidade de contribuir para a acumulação do capital de uma grande parte da humanidade.

Praticamente o capitalismo se constrói sobre 20 por cento da população, não mais; e o resto, especialmente os 25 ou 30 por cento mais pobres, são totalmente inúteis para o capital, argumentou.

Nas mentes de algumas pessoas – advertiu -, esse segmento pobre deve desaparecer porque são inúteis, não contribuiem para a criação de valor agregado, quer dizer, para a posibilidade de obter lucro e são tão pobres que não têm poder de compra.

Assim – acrescentou -, dentro desta lógica, deve-se diminuir a população, não a rica, não os 20 por cento que consomem de maneira desmedida e destroem o planeta, senão que os mais pobres, porque não contribuem para a acumulação do capital.

Desde essa lógica geral, não podemos resolver nem o problema da Terra nem o problema da Humanidade, sublinhou o catedrático.

 

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