Três crises econômicas ou uma só? PDF Imprimir E-mail
Economia e Infra-Estrutura
Gabriela Guerra Rey   
Sáb, 23 de agosto de 2008 23:06
Havana, 20 de agosto (PL) ─ Ainda sem definir se se trata de três crises econômicas ou de uma só gigantesca, os perigos financeiros, alimentares e energéticos que atualmente afrontam o planeta são a preocupação de povos e governos.

Segundo o escritor espanhol Ignacio Ramonet, isto jamais ocorrera: “pela primeira vez na história econômica moderna três crises de grande amplitude coincidem, confluem e se combinam”.

Cada uma delas interage sobre as demais, agregou o intelectual num artigo recente sobre o tema, no qual alerta sobre o agravamento exponencial da deterioração dos mercados globais.

A propósito, Juan Luis Rodríguez, do jornal digital espanhol Rebelión, considerou que se trata, efetivamente, de uma só catástrofe materializada na debacle do poder econômico sobre as populações.

É a que sofrem as pessoas ante os efeitos das imensas acumulações de dinheiro que circulam do setor imobiliário ao energético, passando pela indústria da alimentação, explicou.

As quebras de prestigiosos bancos em todo o planeta, o estouro da bolha financeira, a especulação monetária e a queda do dólar, são algumas das causas principais do arruinado sistema monetário internacional.

De igual maneira, os conflitos entre países, a hecatombe no setor do crédito e o mal manejo de políticas fiscais por parte de alguns governos malogram o crescimento de muitas nações, tanto em vias de desenvolvimento como industrializadas.

Ramonet reconhece perdas nas entidades afetadas de 250 bilhões de euros, enquanto o Fundo Monetário Internacional, apesar de ser um organismo conservador, estima que para sair do desastre necessitar-se-ão ao redor de 610 bilhões de euros.

As mesmas razões que desequilibraram o setor do dinheiro levaram a uma alta de preços sem precedentes na indústria energética, fortalecida com a contração de muitas economias diante dos desatinos da crise financeira.

Em julho deste ano, o barril de petróleo atingiu um máximo de 147 dólares, arrastando todo o mercado de combustíveis para cima.

Sem embargo, o maior banco de investimentos estadunidense, o Goldman Sachs, considera que 60% do aumento do valor do petróleo se deve à especulação e um 30% à queda do dólar.

A crise de energia levou na última década à criticada produção de biocombustíveis, alternativa que o governo dos Estados Unidos impulsiona, sacrificando os alimentos.

Essa política põe no limite a disponibilidade de produtos alimentícios com o encarecimento dos preços básicos deste setor e marca o destino de milhões de pessoas.

Todos os elementos que conduzem ao desastre financeiro continuam em direção aos mercados básicos de matérias primas, como são o petróleo e os alimentos, alertam os especialistas.

Umas e outras crises se retroalimentam e dificultam o equilíbrio global.

O banco suíço UBS considerou que os Estados Unidos caminham para a recessão no segundo semestre de 2008, enquanto a Europa continuará marcando passo.

Como dissera Ramonet, este é o saldo deplorável deixado por um quarto de século de neoliberalismo: três venenosas crises entrelaçadas.


Fonte: Prensa Latina