Recessão econômica ocidental golpeia o Sul PDF Imprimir E-mail
Economia e Infra-Estrutura
Rafael Contreras   
Qua, 26 de novembro de 2008 22:51
CriseHavana, 26 nov (PL) ─ A economia estadunidense debilitada pela crise financeira que engendrou, marcha hoje sobre o que economistas do mundo qualificam de recessão com impactos negativos em todo o planeta, e em especial nas nações pobres.

O prognóstico, sustentado por personalidades, organismos não governamentais e instituições privadas, é evidente diante das diferentes manifestações deste fenômeno comparado com o crack econômico de 1929 nos Estados Unidos.

O gigante norte-americano é o principal sócio comercial da América Latina, razão pela a desaceleração de sua economia provocará a queda de exportações, fluxos de capital e trará outras conseqüências que ainda são interrogantes para a região.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou no principio desta semana que a crise estadunidense é uma ameaça latente contra América Latina, África e as débeis economias da Ásia.

O secretário Executivo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) José Luis Machinea disse durante o XX Seminário regional de Política Fiscal realizado em Santiago do Chile que serão México, Costa Rica, Honduras, Panamá e outros os que sentirão com mais força o golpe.

Sublinhou que o vínculo econômico de Washington com essas nações é muito forte e, por conseqüência, suas economias sofrerão a recessão.

80% das exportações mexicanas vão para os Estados Unidos, e é tarefa complicada prognosticar o impacto da crise ante o destino de seus produtos, assegurou Machinea.

Por sua parte, o Banco Mundial sustenta a teoria de que os países latino-americanos estão preparados para enfrentar a atual crise, devido a que suas entidades financeiras não estão expostas aos títulos de alto risco.

Mas a realidade indica que a incerteza dos mercados e a drástica redução do financiamento externo afetarão necessariamente os fluxos de capitais.

Estados Unidos necessita dos recursos naturais e financeiros do resto dos países, razão peçla qual nas condições atuais da globalização, o contágio internacional é inevitável, assegurou recentemente Carlos Lage, vice-presidente do Conselho de Estado de Cuba.

O debilitamento do setor financeiro na primeira economia mundial repercute na América Latina por causa da presença de sua banca e da dependência econômica e financeira de muitos países.

A depreciação do dólar, unido aos Tratados de Livre Comércio com várias nações da área, aumentam a incerteza de quem se abastece no mercado estadunidense e dos que dependem dele para vender seus produtos.

Recentemente, ante a queda de vários indicadores e a falta de recursos no setor de serviços, o rosto da recessão assomou novamente, com o desmoronamento das transações comerciais e financeiras da bolsa de Nova Iorque.

Em Wall Street, o maior mercado de dinheiro do mundo, as ações caíram mais de 368 pontos, prejudicando sensivelmente as operações das bolsas da área latino-americana.

Estados Unidos afronta hoje problemas nos setores financeiro, da construção, imobiliário, de emprego, ademais do estancamento da produção industrial e a diminuição do consumo, e prevê o maior deficit orçamentário de sua história para 2008.

Enquanto isso, a Reserva Federal rebaixou nos últimos meses as taxas de juros em 225 pontos básicos, num intento de reanimar uma economia cada vez mais depauperada.

Uma vez mais, América Latina se enfrenta com os riscos de depender economicamente de um mercado único que vai a caminho do descalabro.

Como conseqüência das más políticas aplicadas durante anos e o desenfreado consumismo, o resfriado dos Estados Unidos, desta vez com sintomas de pneumonia, faz-se sentir novamente sobre as nações mais pobres.

Fonte: Prensa Latina
 
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