Acabar com os privilégios e defender a UnB PDF Imprimir E-mail
Educação
Fábio Felix   
Qui, 03 de abril de 2008 23:03
Estudantes da UnBNos últimos dias a crise que paira em torno da atual cúpula administrativa da Universidade de Brasília se agravou profundamente. O primeiro passo das investigações constatou o que muitos na universidade já imaginavam, um esquema milionário que envolve a FINATEC (Fundação de empreendimentos científicos ligada à UnB). A fundação gastou várias cifras do seu farto caixa bem longe de sua finalidade essencial (estatutária) , e pra piorar decorou o apartamento funcional do Reitor com uma mobília digna de um palácio real, com a justificativa de atender ao “nível da Universidade de Brasília”.

O escândalo repercutiu nos principais meios de comunicação nacionais e mobilizou diversos estudantes, professores e funcionários da instituição a protestarem contra a "gastança" do dinheiro público longe do investimento em educação e pesquisa. Com o agravante de estar bem distante da realidade que vive hoje a UnB, a universidade que possui diversos problemas de estrutura, falta de investimentos em assistência estudantil, uma moradia estudantil caótica, falta de professores, funcionários e etc. Uma infinidade de problemas poderiam ser citados e debatidos horas, pois a ausência de recursos para financiarem as universidades públicas é um problema estrutural que atualmente não parece ter solução com as prioridades deste Governo.

Os privilégios foram a marca encontrada nas investigações do Ministério Público do Distrito Federal, desde os gastos com o cartão corporativo da universidade, até as contas de restaurantes caros pagos com verba da Editora UnB. A indignação de estudantes de diversos cursos e as iniciativas rápidas do DCE (Diretório Central dos Estudantes) foram capazes de mobilizar a UnB, onde nas primeiras duas semanas de aula, ocorreram três manifestações pedindo a saída de Thimothy e também das fundações ditas de apoio. Basta perguntar quem as fundações apóiam. Estas, que nos últimos anos se multiplicaram nas universidades públicas, e que só a UnB possui seis delas, que utilizam capital material, estrutural e humano da universidade e com suas estruturas jurídicas permitem privilégios e abrem o caminho para burlar as licitações.

Mas para alguns professores e “nomeados” que estão enraizados há anos (décadas) na cúpula administrativa da UnB esta crise seria apenas um "ataque brutal da imprensa à UnB e até à universidade pública". Os principais defensores da atual gestão da universidade e desta tese de “conspiração” são por coincidência os que ocupam cargos altos ou os que têm os maiores financiamentos em seus projetos de pesquisa. Os atores responsáveis por esta ofensiva contra a UnB seriam a "direita" em aliança com o PSOL/PSTU que "forjou" esta crise institucional. O que os ideólogos da Reitoria parecem não perceber é que quase todas as forças políticas pedem a saída de Thimothy. Das falas mais oportunistas do senador do PSDB Álvaro Dias até políticos do PT, PCdoB, PMDB etc.  A UNE (ligada ao PCdoB e PT) lançou um manifesto pedindo a saída do Reitor, oportunismo sim, mas golpe da mídia contra o ilibadíssimo Reitor da UnB, Não!

Algumas forças políticas nacionais deram uma resposta à opinião pública, só pra não deixarem de se pronunciar, outros fizeram com coerência o que sempre defenderam e pediram o afastamento do Reitor e o fim das fundações de apoio nas universidades públicas brasileiras. A “teoria da conspiração” contra Thimothy parece ser a formulação mais oportuna para frear a crise na universidade.

Estudantes, professores e funcionários da Universidade de Brasília estão cansados de privilégios para um grupelho de professores, que "luxam" com o dinheiro que deveria ser investido nas condições de ensino, pesquisa e extensão. Não há espaços para aqueles que tem golpeado a nossa universidade com gastança, autoritarismo, e uma política privatista e que agora quererem resumir a crise como "golpismo da imprensa nacional e de todas as forças políticas contra o Magnífico". Não é tolerável e nem aceitável que intelectuais que dedicaram suas vidas a uma construção teórica profunda cumpram este papel tão baixo, mesquinho e hipócrita!

Defender Thimothy não é defender a UnB! Defender a UnB é exigir auditoria nas contas da universidade, nas contas do CESPE e de todas as fundações. Defender a UnB é lutar pela democracia com paridade na composição dos conselhos deliberativos, nas eleições para Reitor e em todos os fóruns. Defender a UnB é não compactuar com estruturas que permitem corrupção e privilégios, e dessa forma exigir o fim das fundações de apoio. Defender a UnB é lutar com afinco por verbas para a universidade e ter mecanismos de controle reais dos gastos. Defender a UnB é denunciar que a política educacional do Governo (Reforma, REUNI, PROUNI etc) tem precarizado profundamente o ensino superior público brasileiro. Defender a UnB é defender a saída imediata e definitiva de Thimothy e de sua cúpula dirigente!

Fábio Felix é Coordenador Geral do DCE-UnB e estudante de serviço social da UnB

 

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Estudantes invadem reitoria da UnB e pedem renúncia do reitor


Ana Luiza Zenker - repórter da Agência Brasil


Brasília - Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) invadiram no início da tarde a reitoria da universidade para reivindicar a renúncia do reitor Timothy Mulholland. Com palavras de ordem como “Finatec desviou, Timothy ajudou”, cerca de 150 pessoas ocupam todo o gabinete da reitoria, segundo estimativas dos próprios estudantes.


“Só saímos com a queda do reitor e das fundações”, disse um dos estudantes, que não se identificou. “E com a convocação de novas assembléias justas e paritárias”, completou um segundo estudante que também não se identificou.


Eles afirmam que não quebraram nada e não agrediram nenhum funcionário. No momento, os estudantes tentam realizar uma assembléia entre os estudantes. Agentes da Polícia Federal acabaram de chegar à reitoria da UnB.


Timothy Mulholland é acusado de ter usado recursos superiores aos de mercado para fazer a reforma do apartamento funcional que ocupava. A reforma foi feita com recursos da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec).


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Mais de 100 estudantes mantêm ocupação da reitoria da UnB


Ana Luiza Zenker - repórter da Agência Brasil


Brasília - Mais de 100 estudantes da Universidade de Brasília (UnB) ocupam desde o início da tarde de hoje (3) a reitoria da instituição. Por volta das 16h15 foi cortado o fornecimento de água e luz do prédio e todos os funcionários foram dispensados do trabalho.


As principais reivindicações dos estudantes são a saída do reitor, Timothy Mulholland, e do vice-reitor, Edgar Mamiya, a dissolução do conselho da Fundação Universidade de Brasília (FUB) e a convocação de novas eleições diretas e paritárias imediatamente. A paridade entre professores, funcionários e estudantes nos conselhos e nas eleições da universidade são uma antiga reivindicação do movimento estudantil.


“A nossa ocupação é uma ocupação política e principalmente pacífica, afirmou a aluna do curso de História, Catharina Lincoln, uma das integrantes da comissão de comunicação formada pelos manifestantes. “Não abriremos mão da renúncia do reitor e de eleições paritárias imediatas e diretas”, complementou.


A manifestação é uma ação contra os escândalos dos últimos meses, referentes a desvio de verbas de fundações de apoio privadas ligadas à UnB e à redecoração do apartamento funcional que era ocupado pelo reitor.


Outros pontos reivindicados são a convocação de um congresso estatuinte, com representação de professores, servidores e estudantes para reformular o estatuto da universidade, a não realização de convênios com fundações de apoio que estejam sendo investigadas por irregularidades, a abertura de todas as contas das fundações, tanto para o Ministério Público quanto para o movimento estudantil, a convocação imediata de concurso público para professores e servidores técnicos e o leilão dos bens adquiridos para o apartamento funcional que foi ocupado pelo reitor. Os estudantes também querem que o valor arrecadado no leilão seja investido na Casa do Estudante Universitário (CEU).


Os estudantes afirmam que não agrediram nem obrigaram qualquer funcionário da reitoria a permanecer no prédio e que também não quebraram objetos do local. A coordenação da comissão de comunicação afirmou que qualquer tipo de avaria será ressarcida pelo movimento estudantil.


As negociações estão sendo feitas com a Polícia Federal, chamada no meio da tarde para conter a manifestação. Até agora, Timothy Mulholland não se manifestou. Os estudantes dizem que só desocupam o gabinete com a renúncia do reitor.

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Reitor da UnB não irá renunciar ao cargo, diz assessoria


Agência Brasil

Brasília - O reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, não irá renunciar ao cargo. A informação foi dada pela assessoria de imprensa da instituição.

De acordo com a assessoria, não há motivos para a renúncia já que, dentro da história da universidade, ele foi o reitor eleito com o maior número de votos.

Na tarde de hoje (3), estudantes ocuparam a reitoria da universidade. Entre as reivindicações está a renúncia de Mulholland. Os estudantes também pedem a dissolução do conselho da Fundação Universidade de Brasília (FUB) e a convocação de novas eleições diretas e paritárias.

“Hoje as eleições dentro da UnB funcionam com critérios que nós não concordamos: 70% dos votos são dos professores, 15% dos técnicos administrativos e 15% dos alunos, queremos a igualdade dos votos dos três seguimentos”, afirmou o estudante Adriano Dias.

No meio da tarde, quando os alunos já ocupavam a reitoria, o fornecimento de água e luz do prédio foi cortado e todos os funcionários foram dispensados do trabalho.

Até às 22h, os alunos que continuavam na reitoria afirmavam que o prédio continuava sem luz e sem água. Eles disseram que só vão se reunir com os representantes da administração superior da universidade quando a situação for contornada.

“Estamos firmes, colocando às claras a situação em que a UnB se encontra hoje. E só aceitamos sentar pra conversar quando ligarem a água e a luz”, afirmou o estudante Adriano Dias.

Entretanto, a assessoria afirmou que a água e a luz só voltarão quando houver diálogo.

Além dos mais de 100 alunos que se encontram na parte interna da reitoria, há também estudantes que participam de um protesto na parte externa. Agentes da Polícia Federal permanecem do lado fora da reitoria.

"Tentamos mostrar com essa ocupação que não vamos ficar acomodados diante de tantas corrupções, desvios de verbas públicas, privatização da universidade entre tantas outras falcatruas. Esta é uma resposta a tudo que esta acontecendo”, garantiu Dias.

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Justiça concede reintegração de posse do prédio da reitoria da UnB


Da Agência Brasil

Brasília - A juíza federal substituta Cristiane Pederzolli, da 17ª Vara do Distrito Federal, concedeu à Fundação Universidade de Brasília a reintegração de posse do edifício da reitoria.

O prédio está ocupado desde a manhã de ontem (3) por estudantes que pedem a renúncia do reitor Timothy Mulholland.

Após a decisão, a juíza deu prazo de uma hora para os estudantes desocuparem o local. E autorizou a Polícia Federal a intervir para o cumprimento da determinação judicial.

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OAB e oficiais de Justiça orientam estudantes a deixar reitoria da UnB


Luana Lourenço - repórter da Agência Brasil

Brasília - Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) chegaram há pouco no prédio da reitoria da Universidade de Brasília (UnB) para orientar os alunos a cumprir a decisão judicial que determina a desocupação do prédio. Dois oficiais de Justiça também estão no local.

"Viemos alertá-los da necessidade de cumprir a decisão da Justiça. Essa é a orientação da OAB", disse Cléber Lopes, conselheiro do órgão.

O prazo para a desocupação da reitoria venceu às 16h30 e, a cada hora, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) está sujeito a multa de R$ 5 mil. O local está ocupado desde ontem (3) por um grupo de mais de cem estudantes.

Os alunos já começaram a se mobilizar para fechar os acessos ao prédio e impedir a entrada da polícia. Neste momento, os estudantes que estão no térreo estão tentando subir para o primeiro andar, onde o grupo está concentrado.

Segundo o conselheiro da OAB, a entidade vai averiguar se está havendo violação deos direitos humanos dos alunos que estão no prédio.