Intelectuais declaram apoio à candidatura de Ivan Valente à Prefeitura de São Paulo PDF Imprimir E-mail
Eleições
Fundação Lauro Campos   
Sex, 15 de agosto de 2008 20:46
Ivan Valente Reunidos na tarde desta quinta-feira, 14, intelectuais de diversas áreas do conhecimento declararam oficialmente apoio à candidatura de Ivan Valente (PSOL) à Prefeitura de São Paulo. Francisco de Oliveira, Paulo Arantes, Plínio de Arruda Sampaio, Lisete Arelaro e Maurício Segall abriram a lista de assinaturas ao Manifesto de Apoio e participaram do lançamento desta quinta-feira.

O promotor e presidente da Associação Brasileira pela Reforma Agrária (ABRA), Plínio de Arruda Sampaio – que na última eleição disputou o governo estadual pelo PSOL –, falou da importância de furar o bloqueio da direita. “A direita tenta nos colocar uma camisa de força, com um debate circunstanciado a uma questão técnica, aos números”, disse, fazendo alusão ao primeiro debate com os candidatos, realizado pela Band, no dia 31 de julho. Para Sampaio, é preciso furar esse cerco, mostrando que o PSOL é um partido pequeno, porém com projeto político. “Nós nos lançamos ao mar e temos uma tremenda meta que é trazer de volta o debate do socialismo”, completou.

O sociólogo Francisco de Oliveira aproveitou a oportunidade para questionar a ausência de crítica na sociedade. “Não se trata de pensamento único, mas de falta de pensamento. Para a manutenção do sistema, é importante que as pessoas não pensem”, disse. Segundo Oliveira, existe atualmente uma falsificação das questões relevantes para São Paulo. “O problema não é o trânsito, mas sim o transporte. Ouço gente reclamando do tempo, mas o problema não é o tempo seco, é a poluição”, declarou.

Segundo Ivan Valente, o apoio recebido hoje é um motivo de orgulho para a candidatura e mostra que há confiança no projeto apresentado pela coligação Alternativa de Esquerda para São Paulo. Para Valente, “o gerencialismo tomou conta da política pública e não há, nas outras candidaturas, um projeto para a cidade, nem para o país”, afirmou. “Nós estamos reconstruindo o imaginário popular do socialismo, com coragem e coerência política. É um desafio grande”, completou.

O candidato do PSOL aproveitou a oportunidade para apresentar os eixos fundamentais da candidatura. Criticou o abandono da proposta do orçamento participativo, que outrora fora política do PT, e que se transformou “em gerenciamento da pobreza”, com a discussão de apenas 2% do total do orçamento e cooptação das principais lideranças. “Nossa proposta é resgatar o protagonismo popular, com participação efetiva e planejamento participativo. Também vamos inverter prioridades, universalizando direitos e enfrentando os interesses dos poderosos”.

O ato de lançamento do Manifesto de Apoio a Ivan Valente contou ainda com as presenças de Carlos Giannazi, candidato a vice-prefeito, e de Dirceu Travesso, candidato a vereador pelo PSTU. O lançamento foi realizado no auditório do Hotel Othon, no Centro da capital.

Leia abaixo a íntegra do manifesto:

São Paulo exige mudanças

São Paulo é uma cidade atravessada por contradições. Um em cada cinco paulistanos está desempregado; 12 paulistanos em cada cem estão abaixo da linha de pobreza. Enquanto um em cada seis habitantes mora em favelas ou habitações precárias, os especuladores imobiliários privatizam o espaço público, deixando inúmeras moradias desocupadas. O trânsito que parou São Paulo é apenas um exemplo da desregulação do espaço urbano que tomou conta do município. Ao mesmo tempo, os sistemas de saúde e de educação seguem transformados em mercadoria para quem pode pagar. Esses dados escondem a face mais trágica da cidade e são frutos da apropriação desigual da riqueza produzida.

A candidatura Ivan Valente a prefeito e a proposta do PSOL para governar São Paulo nascem da negação desta lógica perversa e da afirmação de que:

- é preciso mudar pra valer a dinâmica que faz com que a cidade das oportunidades seja a cidade da pobreza e do desemprego. É possível separar sustentabilidade ambiental da condição de pobreza em massa;

- os espaços públicos não podem ser apropriados por uma minoria privilegiada, privatizados e cercados. O espaço urbano não pode ser colonizado pelo mercado imobiliário e pela especulação com a terra;

- o automóvel não pode continuar sendo a matriz de transporte do município, com todas as conseqüências nefastas na qualidade de vida, seu papel central na fragmentação e no desmonte dos espaços públicos, na afirmação do individualismo e da negação do coletivo;

- é necessário resgatar laços de sociabilidade e solidariedade da cidade, combater a violência urbana vista como “normal”, mas que elimina o convívio social e gera desconfiança na sociedade;

- é preciso afirmar a cidadania com seus direitos universais em contraposição à lógica mercantilista do consumidor, que exige o pagamento por produtos e serviços;

- é necessário combater a prática muito difundida de que o papel do Estado é apenas regulador e “capacitador” do mercado e reverter o caráter privatista e anti-democrático do aparelho estatal;

- os cidadãos precisam se apropriar de São Paulo, lutando por parcelas do poder para superação das desigualdades e pela formação de uma consciência crítica libertadora, que possibilite a construção de um futuro digno para todos nesta cidade. É o próprio capitalismo neoliberal quem está matando a cidade dos cidadãos e construindo uma cidade segregacionista, conformada em guetos e espaços “revitalizados”.

Essa candidatura sabe que esta realidade tem como pano de fundo uma lógica neoliberal privatista-consumista, praticada no espaço urbano, que nega o papel decisivo que o Estado tem nas respostas às necessidades da população e como indutor de qualidade de vida, quando está a serviço das necessidades das maiorias excluídas.

A garantia dos direitos dos cidadãos na cidade de São Paulo passa necessariamente pela afirmação de um projeto político de radicalização da democracia, de protagonismo popular na definição dos rumos desta cidade. Um projeto de transformação social para São Paulo nasce necessariamente da articulação entre a ampliação dos investimentos públicos para a garantia dos direitos sociais e uma ampla participação popular sobre a condução das políticas públicas no município.

Por acreditar que mudanças efetivas só virão com pressão popular de baixo para cima e enfrentando interesses poderosos, apoiamos uma candidatura que vai combater os mecanismos autoritários de gestão e instaurar o planejamento participativo, a democracia protagonista e o controle social; que vai auditar a dívida pública do município, estancando esta sangria de recursos; vai inverter prioridades para falar de verdade em educação, saúde e transporte público de qualidade; e governar com transparência absoluta e ética na política, atacando na raiz a corrupção.

Essa candidatura à Prefeitura de São Paulo vem para resgatar a coerência programática e mostrar que a esquerda socialista brasileira não se rendeu aos encantos do poder. Ela reafirma projetos e valores que se contrapõem tanto à forma conservadora e elitista de se fazer política quanto àqueles que abandonaram o projeto de mudança e se adaptaram ao jogo tradicional da velha política.

Ivan Valente tem história, é talhado para este desafio e representa o diferencial político, programático e ético de uma esquerda autêntica, democrática, popular e socialista na Prefeitura da maior cidade do país. Por isso, apoiamos sua candidatura. Para assinar o Manifesto clique aqui .

Primeiros signatários:

Francisco de Oliveira – Sociólogo, USP
Fábio Konder Comparato – Jurista
Aziz Ab'Saber – Geógrafo, USP
Plínio de Arruda Sampaio – Promotor e Presidente da ABRA
Paulo Arantes – Filósofo, USP
Maurício Segall – Museólogo
Celso Antônio Bandeira de Mello – Jurista
Lisete Arelaro – Educadora, USP
Jacob Gorender – Historiador
Robert Schwarz – Crítico literário
Franklin Leopoldo e Silva - Filósofo, USP
Warwick Kerr – Agrônomo, UFU
Ricardo Antunes – Sociólogo, UNICAMP
Heloísa Fernandes – Socióloga, Escola de Formação Florestan Fernandes
Jose Arbex Jr. – Jornalista, PUC-SP
Michel Rabinovitch – Médico, UNIFESP
Luiz Luchini – Pesquisador científico
Mara D'Andréa – Pesquisadora científica
Rosa Marques – Economista, PUC-SP
João Machado Neto – Economista, PUC-SP
Plínio de Arruda Sampaio Júnior – Economista, UNICAMP
Cibele Saliba Rizek – Socióloga, USP
Américo Kerr – Físico, USP
Hamilton Otávio de Souza – Jornalista, PUC-SP
João Zanetic – Físico, USP
Isabel Loureiro – Filósofa, UNESP
Franciso Miraglia - Matemático, USP
Gilberto Maringoni – Jornalista, Cásper Líbero
Pedro Arantes – Arquiteto e urbanista
Mariana Fix – Arquiteta e urbanista
Odilon Guedes – Economista, Fac. Osvaldo Cruz
Jorge Luiz Souto Maior – Jurista, USP
Noemy Tomita – Bióloga
Carmem Sílvia Vidigal Moraes – Educadora, USP
Rubens Barbosa de Camargo – Educador, USP
Marcos Barbosa de Oliveira – Educador, USP
Juca Gil – Educador, USP
Roberto Lajolo – Engenheiro
Virginia Junqueira - Médica
Antônio Lacaz – Médico, UNIFESP
Luís C. Albiac Terremoto – Físico nuclear, IPEN-USP
Afranio Catani – Educador, USP
Romualdo Portela – Educador, USP
Soraya Smailli – Bioquímica, UNIFESP
Arlene Clemesha – USP
Rosemarie Andreazza – UNIFESP
Clélia Rejane Bertonsine – UNIFESP
Natália Gil – Educadora, USP
Maria Angélica Pedra Minhoto – Educadora, USP