| O amigo do rei quer “flexibilizar” direitos |
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| Emprego e Salário |
| Luiz Araújo |
| Seg, 15 de dezembro de 2008 21:41 |
O Jornal Estado de São Paulo deste final de semana publicou uma entrevista esclarecedora com o todo poderoso presidente da Vale, senhor Roger Agnelli. Como todos sabem a Vale é a segunda maior empresa de mineração do mundo, tem faturamento superior a US$ 30 bilhões por ano, emprega mais de 60 mil pessoas e está presente em mais de 30 países. Recentemente anunciou a demissão de 1.300 trabalhadores, a maioria de sua unidade em Minas Gerais, além de dar férias coletivas a 5.500 funcionários Declarando-se amigo e interlocutor privilegiado junto ao Presidente Lula, Roger Agnelli explica como deve se comportar os executivos das grandes empresas diante da crise. Diz textualmente que o “executivo que numa hora dessas for leniente com o ajuste, deixar de fazer o que precisa ser feito, vai comprometer o futuro da empresa. Se houver problemas para os quais a gente não tenha solução, vamos ter de demitir”. Não podemos negar que ele está seguindo à risca os conselhos que dá. O principal de entrevista é quando revela que tem conversado com Lula para que ele flexibilize as leis trabalhistas, numa conduta que ele denomina “medidas de exceção”. Defende que o “governo e os sindicatos precisam se convencer da necessidade de flexibilizar um pouco as leis trabalhistas: suspensão de contrato de trabalho, redução da jornada com redução de salário, coisas assim, em caráter temporário”. E conclui: “você reparte um pouco o prejuízo e o impacto será menor”. Afirma também que tem conversado com sindicatos, mas não enumera quais seriam os setores sindicais que estariam aceitando discutir tal sugestão. Por fim, valendo-se do seu exemplo pessoal, aconselha que todos sigam o seu exemplo, ou seja, peçam ajuda a Nossa Senhora e ao mesmo tempo corram atrás. É simbólico que esta entrevista tenha sido publicada um dia após o aniversário de quarenta anos da edição do Ato Institucional nº 5. Enquanto todos os que valorizam a democracia em nosso país recordavam o quanto foi traumático para os brasileiros os anos de exceção, o executivo da mais poderosa empresa privada que existe no Brasil revela que tem conversado com o presidente sobre “medidas de exceção” contra os direitos constitucionais dos trabalhadores. Pelas regras constitucionais atuais não existe como retirar os direitos trabalhistas sem que a própria carta magna seja reformada. Não é a primeira e, infelizmente não será a última vez que setores empresariais vão apresentar proposições de redução de direitos trabalhistas. O próprio governo, contrariando a história do partido do presidente, vira-e-mexe se assanha com propostas parecidas. A novidade é a crise econômica mundial. Ela cria o ambiente propício na grande mídia, no meio do empresariado e no governo para que propostas como esta sejam ouvidas com atenção. Ao contrário do que afirma o senhor Agnelli, a conduta dos empresários e do governo tem sido de repartir os prejuízos e privatizar os lucros. Sem essa conduta a Vale do Rio Doce não teria sido privatizada a preços de banana e este senhor não seria seu atual presidente, depois de anos de serviço ao Bradesco. No Pará, todas as vezes que Roger Agnelli pousa na capital, é tratado pelos governantes de plantão como um verdadeiro vice-rei. Pelo jeito também o presidente Lula o trata parecido, pelo menos como o amigo e confidente. Quando o amigo do rei começa a propor medidas de exceção e a aquele que devia zelar pelo estado democrático de direito silencia é bom colocarmos nossas barbas de molho. Luiz Araújo é secretário geral do PSOL. |



O Jornal Estado de São Paulo deste final de semana publicou uma entrevista esclarecedora com o todo poderoso presidente da Vale, senhor Roger Agnelli.
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