Convívio racional com nosso meio ambiente PDF Imprimir E-mail
Habitação e Saneamento
André Justino   
Dom, 27 de abril de 2008 15:48
Em meados do ano de 2007 uma das comunidades mais populosas da cidade de São Lourenço da Mata viveu uma situação das quais não se vive rotineiramente nessa cidade. A comunidade do Residencial Parque Capibaribe organizou-se em torno de uma exigência relevante em dois aspectos: um financeiro e outro ambiental. Explico: a Compesa estava cobrando indevidamente em sua fatura mensal o serviço de coleta e tratamento do esgoto doméstico que não estava sendo cumprido (aspecto financeiro) e o dito esgoto estava sendo lançado criminosamente no leito do rio que corta o município, o Rio Capibaribe (aspecto ambiental).

Tal comunidade, mobilizada, recorreu ao Ministério Público e conquistou sua devida, porém parcial, vitória. A Compesa foi obrigada a iniciar as obras de reestruturação da lagoa de tratamento e cortar em 50% o valor cobrado referente ao serviço.

No início deste ano de 2008, nesta mesma cidade, a comunidade de Nova Caiará ensaiou um movimento com o objetivo de acabar com a irresponsabilidade cometida pelo matadouro municipal que joga os dejetos e restos descartáveis, provenientes de suas atividades, em um canal que passa no meio da comunidade citada. E como todo canal tem que desaguar em algum lugar, este deságua no Rio Capibaribe.

Some-se a estas barbaridades corporativas cometidas contra o Meio Ambiente a falta de educação ambiental sofrida pelo povo dessa cidade que não sabe e não lhes foi ensinado nas escolas municipais a importância desse que é o principal rio da Região Metropolitana do Recife. O que deveria ser motivo de orgulho para população são lourencense, tornou-se a descarga sanitária municipal.

Como não é de conhecimento popular as normas de boa convivência com seu meio ambiente, este passa a colaborar com a poluição de vias, canais, riachos e rios. Pelas ruas de São Lourenço vê-se um turbilhão de saquinhos de picolé e entulhos de papelão, entre outros, disputar espaço com pedestres e automóveis em suas vidas quotidianas. O mais engraçado para não dizer vergonhoso é não se ver um lixeiro público em um poste se quer, em toda cidade.

Não é à toa que São Lourenço da Mata tem o título de Capital Nacional do Pau Brasil, pois nela se encontra, próximo ao distrito de Matriz da Luz, a maior reserva de mata dessa espécie em solo brasileiro, porém não vemos a visitação de tal reserva como parte do currículo escolar do município ou como forma alternativa de arrecadação financeira para o município, com o turismo ambiental.

O convívio humanizado e racional com o Meio Ambiente é mais que possível, é uma necessidade dessa terra, dotada por natureza de tantas belezas e riquezas em toda sua extensão.

A começar pelo poder público municipal que deveria tornar esta matéria obrigatória na grade curricular das escolas do município e incentivar as escolas privadas a fazerem o mesmo, com aulas práticas de cuidados com o Meio Ambiente, gincanas municipais de coleta de lixo reciclável, ações estas extensivas também as comunidades e populações ribeirinhas.

Ainda no âmbito educacional, promover parcerias com instituições públicas universitárias para pesquisa e elaboração de projetos no campo das energias renováveis a partir da reciclagem; dar apoio ao fortalecimento das Cooperativas de Catadores e Oficinas de Reciclagem também de caráter cooperado; incentivar o Turismo Ambiental, com capacitação de jovens em idade escolar para tornarem-se guias turísticos, combatendo o desemprego e gerando renda para o município e tornando-os também Agentes Ambientais para atuação junto às populações que vivem as margens do rio e que tiram dele seu sustento; promover palestras e debates para otimização e uso racional do Rio Capibaribe e campanhas para o devido uso de coletores seletivos de lixo, espalhando-os pela cidade. Bem como instituir medidas severas para empresas que praticarem crimes ambientais e incentivar campanhas para que o setor privado colabore com o bom convívio ambiental além de priorizarem parcerias com as empresas que contribuem e produzem campanhas de Educação Ambiental.

Ter o Meio Ambiente como meio em que se vive e não apenas como termo científico, socializar o espaço público e tornar a cidade um espaço cada dia mais humanizado para se viver, essa é a meta à ser conquistada.

André Justino, 26, é estudante de Comuncação Social e militante do PSOL.