| Secretariado das FARC confirmou morte de Manuel Marulanda |
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| História |
| ABN |
| MON, 26 de Maio de 2008 11:29 |
Caracas, 25 de maio. ABN.- O Secretariado do Estado Maior Central das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) emitiu um comunicado oficial através do qual confirmou a morte por infarto cardíaco de quem foi o fundador deste movimento beligerante, Pedro Antonio Marín, conhecido como Manuel Marulanda Vélez. De igual modo, através de um vídeo difundido este domingo pela cadeia Telesur, Timoleón Jiménez, em nome das FARC, leu o referido documento no qual se anuncia que à frente do Secretariado e como novo comandante do Estado Maior Central foi designado Alfonso Cano e como integrante pleno do Secretariado ingressa Pablo Catatumbo, assim como Bertulfo Álvarez e Pastor Alape como suplentes. Além disso, o comunicado expressa que as FARC continuarão solidamente unidas e que se mantêm vigentes as propostas em torno dos acordos humanitários e das saídas políticas. A continuação transmitimos o texto completo do comunicado: Comandante Manuel Marulanda Vélez: Juramos Vencer! Quando, faz 60 anos, a oligarquia desatou a guerra fratricida no nosso país, através do terrorismo oficial e dos ódios partidários, buscando mudanças na posse da terra e a recomposição do poder político, subestimou a enorme capacidade de resistência do nosso povo e as colossais dimensões de sua dignidade. Ao igual que centenas de milhares de camponeses, Pedro Antonio Marín foi perseguido desde então pelo governo e pelos sicários paramilitares da época, obrigado a abandonar seu sossego, seu trabalho e seus pertences e, logo, a defender-se para sobreviver à barbárie oficial em amargo episódio de nossa história nacional que custou a vida a cerca de 300 mil compatriotas e propiciou o despojo impune de milhões de hectares de terras férteis que passaram a mãos de poderosos chefes liberais e conservadores de todo o país. Desde então, mercê de sua liderança e enormes capacidades político-militares, quem logo se chamaria Manuel Marulanda Vélez en homenagem a um líder sindical assassinado, foi assimilando sua experiência militar e desenvolvendo uma visão de mundo revolucionária e comunista que lhe permitiu compreender cabalmente as profundas causas econômicas, sociais e políticas não só de sua própria situação pessoal como também dos profundos desequilíbrios, violências e injustiças de nossa sociedade. Quando em 1964, a oligarquia lança no sul de Tolima uma nova e criminosa ofensiva militar contra o campesinato, denominada Plano Laso, sob a aberta direção do Pentágono norte-americano, Manuel Marulanda Vélez junto a 47 camponeses, logo de inumeráveis gestões políticas pela paz que não foram atendidas, levanta-se em armas para enfrentar a agressão e ir ao fundo da solução: lutar pelo poder político e assentar as bases de uma sociedade com justiça social, em marcha ao socialismo. Se Washington e a oligarquia não permitem a luta revolucionária pelas vias democráticas, então, optamos por essa única opção possível, e nascem as FARC! Inigualável estrategista, condutor genial, guerreiro invencível, líder invicto de mil batalhas políticas e militares livradas durante 60 anos de brega, reivindicando os direitos dos pobres e enfrentando as violências dos poderosos, revolucionário integral que assimilou a teoria dos grandes pensadores fundindo-a com as verdades que extraiu da vida em sua prática diária, forjando-se como um dos mais destacados dirigentes revolucionários de todos os tempos. A humanidade não tem antecedentes de um líder das condições de Manuel Marulanda Vélez, que lutou ininterruptamente durante 60 anos, desde a oposição armada, e saiu indene e fortalecido logo de imensos operativos militares de arrasamento como o Plano Laso em Marquetalia, a Operação Sonora na cordilheira Central, a operação Casa Verde, as operações Destruidor 1 e Destruidor 2, o Plano Patriota, o Plano Colômbia. E indene e fortalecido também logo de confrontações políticas de caráter estratégico como as desenvolvidas nos processos de conversações com o Estado colombiano em Casa Verde, Caracas, México e no Yarí, que pretenderam a submissão da vontade política e de luta das FARC, sem nenhuma mudança nas estruturas da sociedade nem nas correlações do poder político. Em umas e outras confrontações nosso comandante evidenciou sua sabedoria e sua capacidade para sair sempre airoso por muito adversas e difíceis que fossem as tormentas e os perigos, e nos sinalizou a rota. Com imenso pesar informamos que nosso comandante em chefe Manuel Marulanda Vélez, morreu no passado 26 de março como conseqüência de um infarto cardíaco, nos braços de sua companheira e rodeado de sua guarda pessoal e de todas as unidades que conformavam sua segurança, logo de uma breve enfermidade. Rendemos-lhe as honras que merece um condutor de sua dimensão e demos-lhe honrosa sepultura. Despedimo-lo fisicamente em nome dos milhares e milhares de guerrilheiros farianos e milicianos bolivarianos e dos milhões de colombianos e cidadãos do mundo que o valoram, admiram e amam por encima da asquerosa campanha midiática contra as FARC. A todos eles e a seus familiares lhes fazemos chegar nossa solidaridade e nossa voz de condolência. Partiu o grande líder, mas de seus inesgotáveis ensinamentos que nos amadureceram em todos estes anos a seu lado, hoje, em meio de nossa dor, queremos ressaltar por sua vigência e grande valor sua profunda confiança em nossos princípios revolucionários, planos, propostas e na vitória da causa popular; a têmpera para enfrentar as dificuldades; e a essencial importância que significa a sólida unidade interna que permitiu nos desenvolvermos com vigor em todos os momentos de nossa existência. Em meio à maior ofensiva reacionária contra uma organização revolucionária na história da América Latina, continuaremos nossas tarefas de acordo com os planos aprovados, solidamente unidos e profundamente otimistas de sair avante, em que pese a adversidade. Com as bandeiras de Bolívar, de Jacobo e de Manuel muito em alto, prosseguiremos sem descanso nossa luta até lograr o objetivo da nova Colômbia, a Pátria Grande Latino-americana e o Socialismo. Juramo-lo ante a tumba de nosso comandante! A confrontação nem dá respiro e a luta prossegue. Acordamos unanimemente que à frente do Secretariado e como novo comandante do EMC esteja o camarada Alfonso Cano. Como integrante pleno do secretariado ingresse o camarada Pablo Catatumbo e suplentes os camaradas Bertulfo Álvarez e Pastor Alape. Continuaremos alentando a luta popular, a conformação do Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia e do Partido Comunista Clandestino, assim como a convergência com todos aqueles que lutem pela justiça social, a soberania nacional e a democracia verdadeira. Toda a força fariana continuará profundamente comprometida em cada área e em todo o país a levar adiante os planos, estreitamente vinculada à população civil como garantia do êxito. Nossas propostas em torno dos acordos humanitários e das saídas políticas continuam vigentes, tal qual o reiteramos em múltiplas ocasiões, assim como aquelas expostas tanto no Manifesto como na Plataforma Bolivariana lançadas desde estas cordilheiras serão confluência e gerarão esforço mancomunado para lograr a paz democrática e o sossego que nos robou a oligarquia desde 60 anos atrás. Ao comemorar o 44 aniversário das FARC, rendemos-lhe sentida homenagem a nosso comandante Manuel Marulanda Vélez, a Jacobo, a Raúl, a Iván Ríos, a Efraín Guzmán e a todos aqueles que generosamente dedicaram e ofereceram sua vida à causa dos pobres, sem pedir nada em troca, tão só por sua íntima convicção de buscar o bem comum como característica de seu compromisso revolucionário. Comandante Manuel Marulanda Vélez: Morrer pelo povo é viver para sempre! Ante o altar da pátria: Juramos vencer! Secretariado do Estado Maior Central. FARC-EP, maio de 2008. Montanhas da Colômbia.
Farc confirma morte de Marulanda, fundador e líder da guerrilha Agência Brasil Brasília - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) confirmaram a morte Manuel Marulanda Vélez, chefe da organização também conhecido como “Tirofijo” (tiro certeiro), segundo a agência Telam. O anúncio foi feito pelo guerrilheiro Timoleón Jiménez “Timocheko”, por meio de um vídeo reproduzido pela emissora venezuelana Telesur. “Timochenko” confirmou que a morte ocorreu em 26 de março, exatamente como informou o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, numa entrevista à revista Semana, que meios de comunicação veicularam ontem. A notícia havia sido ratificada pelo almirante David Moreno, por meio de um comunicado em que pediu que as Farc confirmassem a versão. De acordo com o comunicado da guerrilha, Marulanda morreu de ataque cardíaco. Essa foi uma das hipóteses mencionadas pelo ministro. A outra foi de que o líder teria sido vítima de três bombardeios ocorridos no mesmo dia, na região onde ele supostamente se encontrava. O número 1 das Farc tinha 78 anos e foi um dos fundadores do grupo armado, em 1964. Sua morte foi a terceira de um membro do secretariado no último mês de março. No dia 1º, Raúl Reyes morreu em um bombardeio de militares colombianos em território equatoriano. Uma semana depois, Iván Ríos foi assassinado por um guarda-costas. O sucessor de Marulanda é Alfonso Cano, segundo comunicado do Ministério da Defesa. Ele nasceu no dia 22 de julho de 1948, é antropólogo e considerado um dos principais ideólogos das Farc. |



Caracas, 25 de maio. ABN.- O Secretariado do Estado Maior Central das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) emitiu um comunicado oficial através do qual confirmou a morte por infarto cardíaco de quem foi o fundador deste movimento beligerante, Pedro Antonio Marín, conhecido como Manuel Marulanda Vélez.