Morre ex-agente da CIA ligado a escândalo das "identidades" PDF Imprimir E-mail
História
Tribuna da Imprensa   
Qui, 10 de janeiro de 2008 00:38

O ex-agente da Agência de Inteligência dos Estados Unidos) CIA, Philip Agee, que causou escândalo ao revelar a identidade de ex-colegas, morreu aos 72 anos segunda-feira, divulgou ontem a imprensa cubana. Agee deixou a CIA em 1969, 12 anos depois de trabalhar para a agência sobretudo na América Latina, em uma época que os movimentos de esquerda ganhavam proeminência e simpatizantes.

Seu livro "Dentro da companhia: Diário da CIA", de 1975, incriminava a agência em atos contra a esquerda da região e inclui uma lista de 22 páginas de pretensas operações de agentes, o que enfureceu oficiais norte-americanos.

Em declarações publicadas no ano passado, Agee defendeu sua decisão de expor a CIA: "Houve um tempo nos anos 70 que os piores horrores imagináveis aconteciam na América Latina. Argentina, Brasil, Chile, Uruguai, Paraguai, Guatemala, El Salvador - eram ditaduras militares com pelotões de morte - todas com o apoio da CIA e do governo norte-americano.

"Foi isso que me motivou a dar todos os nomes e a trabalhar com jornalistas que estavam interessados em saber quem era da CIA nos seus países". Seu plano para desestabilizar a organização revelando as identidades dos agentes enfureceu seus antigos chefes e obrigou vários agentes a voltar para Washington porque suas identidades foram reveladas.

Ele continuou a expor a CIA mas seus planos foram arruinados quando foi deportado em 1978, considerado ameaça à segurança do estado. O ex-agente quis se estabelecer em Cambridge com sua companheira brasileira, Angela, uma militante de esquerda que havia sido presa e torturada, e seus dois filhos de outra mulher.

Agee passou vários anos na Alemanha com sua nova mulher, a bailarina Giselle Roberge, e depois dividiu seu tempo entre Hamburgo e Havana. Em 1979 teve seu passaporte norte-americano cassado e nunca mais deixou Cuba. Graças a uma lei que passou a permitir que cidadãos dos EUA consultassem informações sobre si próprios nas agências de inteligência, Agee descobriu que a CIA acumulou 18 mil páginas de informação sobre ele.

O jornal cubano "Granma" descreveu o ex-agente como um "amigo leal de Cuba e fervente defensor da luta do povo por um mundo melhor". Bernie Dwyer, jornalista da rádio Havana, disse que Agee estava no hospital desde 15 de dezembro, tratando de úlceras perfuradas e que não resistiu a todas as operações.

Dywer informou que Agee foi cremado terça-feira e que amigos planejam uma cerimônia de homenagem no domingo em seu apartamento. Agee foi acusado de receber mais de US$ 1 milhão dos serviços de inteligência cubana mas negou as acusações. Em 2000 ele criou com investidores europeus uma agência estatal de viagens on-line para levar turistas norte-americanos para Cuba.

Fonte: Tribuna da Imprensa, 10/01/2008.

 

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