| Onze de setembro |
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| História |
| Victor Alberto Danich |
| Qua, 16 de setembro de 2009 11:16 |
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Palacio de La Moneda, 11/09/1973
Nesse dia, as bombas de Augusto Pinochet demoliram de vez toda uma tradição de valores históricos fundados no estado de direito e no respeito às leis. O assassinato do presidente Salvador Allende aconteceu a partir de um plano cuidadosamente elaborado, e não apenas como resultado do simples ódio da burguesia chilena, apavorada com a possível perda de seus privilégios. A história desse desenlace trágico começa nos primeiros meses da administração da Unidade Popular. O triunfo de Allende levou o serviço de inteligência e o Departamento de Estado americanos, segundo denúncias do New York Times, a enviar a Santiago o diretor-adjunto da CIA, Thomas Karamossines (chefe de operações secretas), para que estudasse várias alternativas para impedir a posse do presidente eleito. De acordo com o jornal, em 15 de setembro de 1970, o presidente americano Richard Nixon realizou uma reunião com a participação do chefe da CIA, Richard Helms, na qual criticou sua incapacidade em impedir que Allende assumisse a presidência do Chile. Entretanto, o fracasso da tentativa, deveu-se não apenas aos serviços de inteligência, senão também as sugestões erradas do plano elaborado pela International Telephone and Telegraph (ITT), que previa atos de sabotagem à produção, restrição de créditos externos e colapso econômico imediato. A triste passagem da ITT no Chile é suficientemente conhecida quanto ao financiamento da greve dos caminhoneiros, que foi o ponto de partida para o golpe militar de 1973. O próprio New York Times colheu as denúncias dos repórteres e congressistas, assim como o reconhecimento explícito do então presidente americano Gerald Ford sobre a intervenção de seu país no Chile, como forma de proteger "os grandes interesses americanos na região". Este apavorante relato serve com alerta para os comentaristas, como aquele jornalista citado no início, que sempre é importante contar fatos históricos de maneira ampla. Não é possível divulgar na mídia visões fragmentadas, invocando a liberdade como clichê, e deixar de lado acontecimentos correlatos, principalmente os que deveriam servir para fazer comparações como esta, de modo a entender melhor a história submersa e trágica dos povos latino-americanos. Victor Alberto Danich é sociólogo
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