Chile perde Volodia Teitelboim PDF Imprimir E-mail
História
Fernando de la Cuadra   
Qua, 06 de fevereiro de 2008 15:51

No último 31 de janeiro, aos 91 anos, deixou de existir Volodia Teitelboim, escritor, intelectual, senador e ex-secretário do Partido Comunista do Chile. Volodia Teitelboim Volosky nasceu em 17 de março de 1916, na cidade de Chillán (centro-sul do país), com o nome de Valentín. Filho de Moisés Teitelboim e de Sara Volosky, muito cedo manifestou suas inquietudes literárias como voraz leitor. Na política também ingressaria logo: com apenas 16 anos, en 1932, decidiu inscrever-se nas fileiras das Juventudes Comunistas, militando até o momento de sua morte, quer dizer, durante 75 anos.

Nesse mesmo ano de 1932, ingressou na Escola de Direito da Universidade do Chile, onde foi eleito por dois períodos presidente do Centro de Estudantes. Ali também começou a utilizar o nome de Volodia que logo oficiaria para chamar-se definitivamente Volodia Valentín Teitelboim Volosky.

Numa recente entrevista assinalou que ingressou na política por um “dever moral” e se tornou escritor por sua paixão pela literatura e como uma forma de comunicar suas idéias e sentimentos. Assim como Pablo Neruda e tantos outros escritores, sua atividade literária sempre esteve comprometida com a causa dos mais necessitados, não obstante sua obra não possuir nenhum traço panfletário. Já são clássicas suas biografias dos poetas Vicente Huidobro, Gabriela Mistral e do próprio Neruda, do qual foi não apenas amigo pessoal, mas também correligionário de partido e companheiro de rota nos caminhos da literatura.

Teitelboim foi um dos fundadores de El Siglo, diário oficial do Partido Comunista desde 1940. Sua carreira política se consagraria definitivamente em 1961, quando foi eleito deputado por Valparaíso e posteriormente eleito senador por Santiago e quatro anos mais tarde (em 1973) seria reeleito com a primeira maioria. Nesse mesmo ano, logo do Golpe de Estado contra o governo de Salvador Allende, parte para o exílio em Moscou. No exílio viveria os próximos 15 anos, até seu regresso ao país em 27 de setembro de 1988, transformando-se em secretário geral do Partido Comunista.

Até sua morte foi membro do Comitê Central do PC chileno, labor que compartiu com sua fecunda atividade literária, que teve seu reconhecimento oficial em 2002, quando lhe foi conferido o Prêmio Nacional de Literatura.

 

Fonte: Gramsci e o Brasil - Fevereiro 2008 [Tradução de Sergio Granja]