| Ernesto Guevara de la Serna |
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| História |
| Victor Alberto Danich |
| Qua, 08 de outubro de 2008 22:20 |
No dia 08 de outubro de 1967, o comandante Ernesto Guevara, o CHE, é capturado pelos “Rangers” depois de uma batalha na quebrada Del Churo, na selva da Bolívia. No dia seguinte, Guevara dirá a seu verdugo, entre provocativo e sereno “Dispara, covarde, vais matar um homem”. Com essas palavras, o Che se insere no lugar reservado aos ícones culturais, aos símbolos dos movimentos infiltrados no subsolo da sociedade pelos quais lutou e morreu, ou, como definiria o escritor Jorge Castañeda, na imagem de um homem “que estava destinado, apenas, como pouquíssimos outros, a morrer como quis e viver como sonhou” Vou relatar um trecho da réplica do Che na 19ª Assembléia Geral das Nações Unidas, em 11 de dezembro de 1964, ao pronunciamento anticubano do representante da Nicarágua, dominada durante décadas pela dinastia Somozista, apoiada pelos Estados Unidos – no qual o nicaragüense faz uma gozação ao sotaque de Guevara – e que recebe por parte deste uma resposta contundente, assim transcrita: “Com relação à Nicarágua, gostaríamos de dizer a seu representante, embora eu não tenha entendido muito bem toda sua argumentação quanto aos sotaques – creio que se referiu a Cuba e também à Argentina – é bom em todo caso que o representante da Nicarágua não tenha encontrado sotaque estadunidense em minha fala porque, isso sim, seria perigoso” E continua “Efetivamente, pode ser que no sotaque que utilizei ao falar escapasse algo da Argentina. Nasci na Argentina; não é um segredo para ninguém. Sou cubano e também sou argentino e, se não se ofenderem as ilustríssimas senhorias desta Assembléia, sinto-me tão patriota da América Latina, de qualquer país da América Latina, como o que mais o seja e, no momento que for necessário, estarei disposto a entregar minha vida pela libertação de qualquer um dos países deste continente, sem pedir nada a ninguém, sem exigir nada, sem explorar ninguém” Desse modo, sua réplica continua num tom eletrizante quando se refere ao bloqueio criminoso contra Cuba, além das pressões por parte dos Estados Unidos aos países latino-americanos para aderirem ao mesmo: “O presidente da Bolívia disse aos nossos delegados, com lágrimas nos olhos, que tinha que romper com Cuba porque os Estados Unidos o estavam obrigando a isso. Dissemos-lhe que essa transação com o inimigo não lhe serviria de nada, porque já estava condenado, e a prova é que logo foi derrubado por um golpe militar”, e finaliza: “Em todo caso, para gente como essa, que não sabe cair com dignidade, vale a pena recordar o que disse a mãe do último califa de Granada a seu filho, que chorava ao perder a cidade: Fazes bem em chorar como mulher o que não soubeste defender como homem” Victor Alberto Danich é sociólogo. |



No dia 08 de outubro de 1967, o comandante Ernesto Guevara, o CHE, é capturado pelos “Rangers” depois de uma batalha na quebrada Del Churo, na selva da Bolívia. No dia seguinte, Guevara dirá a seu verdugo, entre provocativo e sereno “Dispara, covarde, vais matar um homem”. Com essas palavras, o Che se insere no lugar reservado aos ícones culturais, aos símbolos dos movimentos infiltrados no subsolo da sociedade pelos quais lutou e morreu, ou, como definiria o escritor Jorge Castañeda, na imagem de um homem “que estava destinado, apenas, como pouquíssimos outros, a morrer como quis e viver como sonhou”