Che, a força do exemplo PDF Imprimir E-mail
História
Osvaldo Cardosa Samón   
Dom, 15 de junho de 2008 11:57
CheRosário, Argentina, 14 jun (PL) Ainda que o exemplo solidário seja a lição que hoje todos os homens devam aprender, Ernesto Guevara corroborou como ele resulta ser a principal maneira, a única, de influir e ajudar os demais.

"O Che brilha por sua entrega desinteressada a uma causa justa e também porque demonstrou que os exemplos são mais úteis do que os preceitos", declarou a Prensa Latina o sociólogo argentino Gustavo Fidalgo.

Argumentou que a propósito de celebrações pelo aniversário de 80 anos de seu nascimento (14 de junho de 1928), resulta imperioso não só recordá-lo teoricamente e em toda a dimensão humana, mas também "aplicar, cada um de nós, na passagem pela vida, seus conceitos sobre justiça e dignidade".

O Che, agregou Fidalgo, "mobilizou e mobilizará sempre com a força do exemplo que colocou em toda tarefa. Esse modelo propicia, nas piores adversidades, que salte a virtude à luz".

Para a universitária Romina Vélez, orgulhosa de haver nascido nesta cidade, terra natal do Guerrilheiro Heróico, "Guevara pôs sua vida a serviço da luta redentora dos povos, como reflexo de seus ideais internacionalistas".

Quando menino, interessou-se pela Guerra Civil espanhola e, mais tarde, recorreu, em duas ocasiões, com olhar rebelde e crítico, parte do continente, indicou Vélez.

Insistiu em que, com sua chegada a Cuba, ratificou a disposição de entregar a vida por uma terra na qual não havia nascido, ainda que depois a fizera sua.

Segundo o professor rosarino Carlos Alberto Meier, "o Che é um paradigma do exemplo e do internacionalismo da Revolução cubana".

Talvez seja seu principal legado, agregou, "primeiramente porque lutou pela liberação de um povo do qual não nasceu e depois caiu combatendo na Bolívia, deixando para trás todos seus cargos, família e Cuba revolucionária".

Meier recordou como, em certa ocasião, o médico-combatente testemunhou que "era cubano e também argentino, e que se sentia patriota de qualquer país da América Latina".
O Che, soldado da América, concebia a luta na Bolívia como um primeiro ponto de onde se irradiaria a revolução para o resto do continente.

Conseqüente com essa vocação e projeto visitou anteriormente a África e, em fevereiro de 1965, durante um discurso no Segundo Seminário de Solidariedade Afro-asiática, celebrado na Argélia, deixou constância da transcendência que atribuía ao internacionalismo.

"Não há fronteiras nesta luta mortal, não podemos permanecer indiferentes frente ao que ocorre em qualquer parte do mundo, uma vitória de qualquer país sobre o imperialismo é uma vitória nossa, assim como a derrota de uma nação, qualquer que seja, é uma derrota para todos", indicou o legendário guerrilheiro.

Sentenciou que "o exercício do internacionalismo proletário é não só um dever dos povos que lutam para assegurar um futuro melhor; ademais, é uma necessidade incontornável".

Esta mistura entre o conteúdo moral e a força da necessidade prática é a chave do conspícuo pensamento do Che em todos os terrenos.