Eleito o primeiro sumo sacerdote do vodu no Haiti PDF Imprimir E-mail
Identidades, Racismo e Discrimação
Prensa latina   
Seg, 10 de março de 2008 19:35
Porto Príncipe, 10 de março. (PL) – Pela primeira vez em séculos de existência, o vodu haitiano conta hoje com um sumo sacerdote, cuja missão é sacar esse credo animista da marginalização.

“Não queremos competir com outras religiões, mas ocupar o lugar que nos pertence na sociedade”, afirmou o Amo Supremo, título com o qual será conhecido de agora em adiante Max Beauvoir, um antropólogo de 72 anos.

A decisão de escolher um sumo pontífice partiu das diversas associações voduístas que antes haviam acordado estabelecer uma federação nacional.

Até o presente, esse credo, de raízes fincadas na África, operava de maneira autônoma, sem hierarquia formal nem regras, de acordo com os entendidos no tema.

Todos os indícios apontam que o vodu, cuja prática é generalizada na sociedade haitiana e onde há colônias dessa nacionalidade, perdia terreno para as igrejas de denominação cristã.

A opinião mais geral, entretanto, é que essa crença é praticada de uma forma ou outra pelos nove milhões de haitianos de todos os estratos sociais.

A melhor prova disso é que o novo “presidente do vodu”, como lhe chamam seus adeptos, é um reconhecido intelectual, com uma vasta obra antropológica.

Na cerimônia de entronização, efetuada na presença de Eddy Lubin, ministro da Cultura, Beauvoir chamou os haitianos à conciliação e a cooperar na construção do país.