Desglobalização, subproduto do capitalismo decadente PDF Imprimir E-mail
Identidades, Racismo e Discrimação
Edilson Silva   
Qua, 18 de fevereiro de 2009 16:00

Edilson Silva  Não é novidade a existência de grupos neofascistas bem organizados na Europa. Em qualquer tempo é possível se encontrar pequenos grupos de fanáticos racistas buscando difundir sua estreita e absurda visão de mundo. Contudo, as crises econômicas do capitalismo, cada vez mais profundas e freqüentes, e que atingem sempre e cada vez mais o nível de emprego e de vida das populações, acabam servindo como um poderoso adubo para a proliferação destas e outras insanidades.

França e Áustria, por exemplo, experimentaram recentemente eleições em que coalizões de extrema direita, com plataformas políticas ancoradas em propostas xenófobas, foram muito bem votadas, chegando ao segundo turno das eleições presidenciais na França e ocupando espaços relevantes no parlamento. O governo de Berlusconi na Itália se apóia em setores de extrema direita, principalmente do norte da Itália. O governo da Suíça, como muita gente já sabe hoje, por conta do episódio com a advogada pernambucana, é uma coalizão habitada também por neofacistas.
 
A explosão da grave crise econômica atual vem exacerbar este quadro. Mais desemprego, mais desesperança, mais desespero. É o terreno fértil para se massificar a idéia de que os culpados pela crise não são o capital e seu regime, mas sim os estrangeiros, os imigrantes, buscando-se assim empurrar o problema para fora das fronteiras do país, ou então restringir a crise, em sua forma de desemprego, àqueles que estão fora de sua pátria.
 
Daí a se massificar um ideário em que os imigrantes são cidadãos de segunda categoria, uma espécie de subraça, responsáveis também pela violência e criminalidade crescentes por causa da crise, é uma consequência quase natural nesta lógica insana. Daí para a criminalização de indivíduos e comunidades pelo simples fato de serem imigrantes, incentivando ou tolerando a violência contra estes, é um pequeno passo. Para se concluir que mesmo a existência da pátria alheia é também parte do problema é uma questão de tempo.
 
É o mundo às portas da barbárie, a bordo de uma carruagem cambaleante e desgovernada, pilotada por um comandante chamado mercado. Já vimos onde isto vai parar, num passado bem pouco recente.
 
O futuro da humanidade não está na desglobalização, como tem sido chamado este processo que mistura perigosamente o crescimento da xenofobia com um nacionalismo protecionista com ares bélicos.
 
Girar a roda da história para trás significará passar por cima dos patamares civilizatórios alcançados até aqui, no entanto, caminhar para frente, buscando superar positivamente os limites atuais, significará, inevitavelmente, passar por cima da hegemonia da doutrina do capital. A humanidade está mais uma vez diante de uma disjuntiva histórica: socialismo ou barbárie.
 

Edilson Silva
é presidente do PSOL/PE

 

 
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3 Comments

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  1. Oi... Como a gente pode constatar, as crises são inerentes ao próprio sistema capitalista, e para este sistema as pessoas não têm nenhum valor, somente valem aquelas que podem consumir. Em todo o mundo percebemos que, cada vez mais, a classe trabalhadora está perdendo direitos históricos conquistados com muito garra, luta e sangue. Porque eles, os capitalistas, não dão nada de graça, precisa muita luta. Nesses países ditos desenvolvidos, os trabalhadores estão perdendos seus empregos, pois na crises quem sempre paga o pato são os que vivem do trabalho, e os imigrantes ainda são mais afetados,
  2. Vide também o bom exemplo da segunda guerra mundial, quando a Alemanhã foi encurralada pelo tratado de Versalles (1a Guerra) e o cenário econômico da época, que impulsionaram um "Nacional-Socialismo" insano, eleito democráticamente por um povo oprimido. A luta por territórios importantes do ponto de vista econômico e estratégico foi determinante para reforçar o sentimento nacionalista em vários países. No caso dos países vencedores, a manutenção ou ampliação dos territórios sob seu domínio reforçou a política imperialista, de reserva de mercado, consequentemente reduzindo o espaço econômico de outros países. Lógicamente, os tempos são outros, mas alguns sentimentos que se nomeiam anti-capitalismo e etc utilizam exatamente esta mascara (neofacista). É necessário dicernimento para entender o que realmente é a raiz de um novo movimento social ou revolucionário, pois os autênticos socialistas não devem sucumbir a estes loucos e absurdos movimentos bem destacados no texto acima.
  3. Desde a coleta de assinaturas da fundação do PSOL e, muito antes, na pessoa de seus principais fundadores, que acompanho esse partido. Adoro ler os boletins da Fundação Lauro Campos, que recebo via e-mail. Porém, estou descrente demais para abraçar estes ideais que me parecem tão belos e utópicos. Há uns tempos atrás, indo mais além, diria sem pensar que acreditava no ideário anarquista. Hoje, acredito que, mesmo que tudo desse muito certo para o PSOL e em três décadas vocês galgassem a presidência da República, seria questão de tempo para que meus sonhos se desmoronassem junto com os ideais e a moralidade do partido, dada a influência do Capital. Desculpem-me a sinceridade, mas é que acreditei demais no sonho do PT.

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