Religiões afro-brasileiras continuam discriminadas, afirma historiador PDF Imprimir E-mail
Identidades, Racismo e Discrimação
Hugo Costa - repórter da Agência Brasil   
Sáb, 02 de Fevereiro de 2008 20:54

Salvador - No dia em que milhares de devotos celebram Iemanjá, o historiador Cristiano Freitas de Oliveira afirma que a discriminação a religiões de origem africana persiste no país.

Embora atraiam milhares de pessoas de diferentes credos, festas como as de hoje (2), segundo ele, não significam que a umbanda e o candomblé são aceitos sem restrição.

“O preconceito ainda existe porque as religiões africanas obedecem a outra lógica que não é a ocidental. Aqui existem muitos embates, até porque Salvador é considerada uma Roma negra”, afirmou à Agência Brasil em referência a presença marcante da cultura e da religiosidade africanas na capital da Bahia.

Para Oliveira, adepto do candomblé, a popularização de celebrações como as de hoje ocorre mais em razão das festividades e não comprova o fim do preconceito.

“Há uma aceitação maior à festa de Iemanjá porque não é só uma festa religiosa”, opina.

“Ela é também profana. As pessoas vão também para beber e comer, mesmo que elas não tenham consciência de que isso também é uma herança africana. Todo rito da África e do candomblé é festivo. Até os ritos fúnebres são festivos.”

Segundo explicou o historiador, Iemanjá representa um símbolo do mar e é considera um orixá importante por ser considerada a mãe de várias outras entidades espirituais. Nesta data, oferendas de diversos tipos são levadas às águas em agradecimento e reverência ao ser a quem se credita o domínio dos rios e mares e do oceano.

Apesar da permanência de marcas discriminatórias, Oliveira avalia que hoje as manifestações religiosas ganharam mais espaço na sociedade brasileira.

“O debate hoje sobre religiões de matrizes africanas é muito mais aberto. Há 20 anos, minha mãe não poderia usar uma conta ou uma guia de seu orixá no pescoço com tanta liberdade como eu faço hoje. O olhar era muito mais enviesado. Mas ainda há muito o que se fazer”, conclui.

 
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  1. O preconceito contra a religiosidade afro-brasileira por parte principalmente dos pentecostais e carismáticos é vergonhoso, covarde, escancarado, pra qualquer um ver. É só ligar de madrugada nesses canais que falam de jesu$ 24 horas. A coisa é bem pior em Tvs pequenas, regionais, do interior. Não sou afro descendente nem sou praticante de algumas dessas religiões mas minha indignação não é menor por isso. Às vezes tenho vontade de entrar num desses estúdios de TV e sair no braço com um verme vagabundo desses. Claro que essa não é a melhor solução pro problema. Também não vejo solução a curto prazo via congresso nacional já que a maioria lá é católica ou protestante. Talvez a melhor solução seja juntar forças, se organizar e partir pra “guerra santa”. Ficar só lamentado não vai resolver o problema. Assim como na matemática sempre existe mais de uma alternativa pra se resolver um problema.
  2. Eu sou umbandista a 21 anos e, como profissao, sou atendente de farmácia. Jjá deixei de arrumar emprego em uma farmácia (Farmácia Guimarães, do sr.Cledonilton Sales), aqui em Imperatriz, por causa da minha religião. Infelizmente, o preconceito continua grande e acho que durante muito tempo ele ainda vai continuar. Os umbandistas merecem respeito!
  3. Boa noite! Estou revoltado com esses anuncios de que há discriminação contra a religião afro, sendo que o preconceito começa da mesma. Tanto o Candomblé quanto a Umbanda são oriundos de raizes africanas, certo?. Mas nota-se a grande falta de respeito que o povo do Candomblé tem com os umbandistas, onde são tratados como "nada" em seus barracões. Poucas casas que conheço têmrespeito! Poxa, somos irmãos... Acho que antes de brigar lá fora pelos direitos, temos que brigar entre nós (Umbanda e Candomble)! Os umbandistas merecem respeito !
  4. Eu, mesmo sendo branca, fui criada dentro da religião de matrizes africanas, na qual me iniciei há 24 anos, e sofro até hoje discriminação religiosa até para preencher um simples formulário, seja na escola da minha filha ou na faculdade; as pessoas ainda têm muito preconceito, infelizmente. Fico triste pelo que meus irmãos de religião e antepassados passaram e passam até hoje. Vânia

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