| Movimento negro denuncia "brutalidade policial" na Bahia |
|
|
|
| Identidades, Racismo e Discrimação |
| Hugo Costa - enviado especial |
| Ter, 05 de fevereiro de 2008 12:30 |
|
Salvador (BA) - Com trio elétrico e foliões engajados em defesa da população negra, o Instituto Cultural Steve Biko se juntou a outros grupos de protesto hoje (4) durante a passagem do bloco Mudança do Garcia no carnaval de Salvador. “Em cada grupo de dez jovens de 15 a 18 anos assassinados na Bahia, sete são negros”, alertava uma das faixas confeccionadas pelo grupo, criado há 16 anos sob influência da história do sul-africano Bantu Stephen Biko, ativista que lutou pelo fim do apartheid. Um cartaz pedia ainda o “fim da brutalidade policial”. A reportagem de capa da revista Carta Capital desta semana aponta execução de jovens negros na Bahia. Com o título “A revolta na periferia”, a matéria fala sobre protestos realizados após a morte de quatro rapazes. E informa que nos primeiros 20 dias do ano, 12 pessoas foram assassinadas pela polícia da capital baiana. Coordenador do Steve Biko, o administrador Michel Chagas disse que os casos anunciados não são exceções. “Isso não é um fato isolado. Não é de agora que nós denunciamos isso. Desde o início do ano passado, estamos avisando a polícia dessas práticas. É preciso mudar esse quadro da polícia". Chagas defende mudanças radicais no modo de operar da polícia baiana. Segundo ele, os negros do estado são oprimidos e sofrem com o abuso de autoridade dos responsáveis pela segurança das ruas. “Existe um processo de matar negros e negras na Bahia e os números comprovam isso. 80% das pessoas assassinadas são negras. Nós [do instituto] trabalhamos com educação, mas se não estivermos vivos, de nada vão adiantar os nosso projetos. É preciso oferecer uma outra proposta de segurança pública que não seja essa de matar as pessoas”, exigiu. Polícia baiana investiga se houve abuso em morte de jovens negros, diz secretário Hugo Costa - enviado especial Salvador (BA) - A recente morte de jovens negros em Salvador, com suspeita de abuso de autoridade, está sob investigação da polícia da Bahia, afirma o secretário de Segurança Pública do estado, Paulo Bezerra. “Somente após a conclusão do procedimento administrativo-disciplinar, ou mesmo do inquérito policial, é que nós poderemos dizer se efetivamente houve um excesso, ou se a polícia agiu dentro do que as normas prevêem. Seria prematuro, em um primeiro momento, dizer tanto que a polícia agiu corretamente quanto que houve excesso nas ações”, disse Bezerra à Agência Brasil. O fato foi denunciado na edição desta semana da revista Carta Capital, que descreve protestos de moradores da periferia contra a morte de quatro jovens em 12 dias, fazendo piquetes, fechando ruas e incendiando um ônibus. As vítimas, segundo a publicação, são negras, oriundas de comunidades carentes e não tiveram passagem pela polícia. Entrevistado, o governador Jaques Vagner disse ser "inadmissível que policiais ajam à revelia da lei". À Agência Brasil, o secretário de Segurança prometeu que as denúncias de abusos serão apuradas com o rigor necessário. E que os policiais envolvidos vão ser punidos se forem comprovadas. “O que nós podemos afirmar veementemente é que uma vez ocorrido o fato, a Polícia Militar, por meio de sua corregedoria e por determinação de seu comandante, por orientação do governo do estado, tomará providências imediatas do ponto de vista disciplinar”. Hoje (4), integrantes do Instituto Cultural Steve Biko protestaram durante o carnaval de Salvador. O grupo, que prega a luta pelos direitos dos afro-descendentes, afirma que os negros são os maiores alvos da imprudência policial. "Nós respeitamos esses protestos que, aliás, fazem parte do processo democrático", declarou o secretário. "Cada grupo organizado tem o direito de externar seu pensamento. É importante que se frise que o efetivo da Polícia Militar tem em torno de 85% de afro-descendentes. Verifica-se que há um grande índice de afro-descendentes tanto na força policial quanto também do outro lado do confronto. Isso por si só não justifica [a ocorrência de abusos]. Nós temos que verificar mais amiúde e apuradamente para ver o que está acontecendo”. |


