| Ex-secretária de Allende: golpe é advertência para América Latina |
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| Internacional |
| Frida Modak |
| Ter, 07 de julho de 2009 13:32 |
O golpe se deu em Honduras, mas afeta a toda a América Latina e o Caribe, porque nos está indicando que esse passado ominoso não ficou bem sepultado e que a ousadia de nos declararmos independentes e soberanos não é perdoada. Não se pode tirar outra conclusão dos acontecimentos hondurenhos, em que o golpe militar foi a resposta ao propósito de fazer desse país uma nação mais justa, na qual os setores populares tivessem voz. Nossos povos, ainda que com democracias imperfeitas, injustiças e desigualdades, têm estreitado suas relações, têm consciência de seus direitos e os defendem. Também defendem suas terras e as riquezas que elas contém. Frente a quem quer fechar-lhes o caminho estão os que o impulsionam a seguir adiante. Há governos que recuperam recursos naturais e outros que os entregam. Porém, no meio das diferenças se tem encontrado importantes coincidências e nesse contexto o golpe em Honduras se converte num perigo generalizado. Manuel Zelaya disputou a eleição pelo Partido Liberal, que é um dos dois partidos políticos tradicionais de Honduras que se alternam no governo nos períodos em que não há ditaduras. Embora ambas as coletividades possam incluir-se na direita política, o Partido Liberal tem assumido há alguns anos uma linha progressista e inclusive pertence à socialdemocrata Internacional Socialista. Zelaya teve desde o começo a oposição dos meios de comunicação que pertencem, sem exceção, à direita política, ganhou a eleição por uma margem de votos não muito grande para o seu rival do Partido Nacional e foi ratificado como presidente depois da visita intervencionista de uma enviada do então presidente Bush. Voltemos à reação inicial do presidente Barack Obama. Em Tegucigalpa, a capital hondurenha, estavam se realizando reuniões para encontrar uma saída ao problema nos dias anteriores ao golpe, das quais participaram o pessoal da embaixada estadunidense, cujo titular, Hugo Llorens foi nomeado nos tempos de Bush. O diplomata tinha viajado a Washington e durante sua estadia lá propagou-se nas esferas políticas hondurenhas que, na quinta-feira dessa semana, a Secretária de Estado Hillary Clinton tinha telefonado para o pessoal da embaixada ou para algum dirigente opositor, dizendo "nada de golpes". Nos círculos próximos ao governo só se registrava esse fato. Com relação ao embaixador Llorens outras declarações eram conhecidas, como "não se pode violar a Constituição para criar outra Carta Magna por que isso seria como viver na 'lei da selva'", disse numa coletiva de imprensa em 6 de junho. Depois, assegurando que o que se tratasse de matéria constitucional era coisa dos hondurenhos, agregou: "que o que se faça, faça dentro da lei, se se faça ou não uma variante do que estamos falando, que se faça dentro da lei, dentro da Constituição". Era óbvio o que sugeria. Se nos atemos aos fatos, o caminho seguido pelos golpistas foi acusar o presidente de sair da lei e da constituição, e aplicar as disposições legais e constitucionais, tão promovidas por Llorens, para dar o golpe de estado. Se não tivessem mandado os militares deter Zelaya e o expulsado do país da maneira que fizeram, poderiam ter dado algum grau de credibilidade a suas acusações, mas bem se diz no México que a forma é fundo [la forma es fondo]. Foi um golpe de estado sem causa justificada. O presidente Obama só reagiu na segunda, dia 29, quando todas as organizações que assinalamos já tinham se pronunciado. As argumentações que se lêem na imprensa estadunidense não são aceitáveis, porque de fato apontam que de fato se temia em Honduras que se promulgasse uma constituição similar à venezuelana, com a qual se somam a histeria "antichavista", sem terem entendido o que está acontecendo na América Latina. Só evidenciam preocupação com a perda de sua hegemonia. No que concerne à América Central, que os Estados Unidos sempre consideraram como se fosse de sua propriedade, ocorre que até o golpe em Honduras o império tinha perdido o controle da região. Se esta é a maneira de recuperá-lo, toda a América Latina tem de se pôr de guarda. A mudança que está acontecendo na região tenta abrir caminhos para a participação popular como elemento fundamental de um sistema democrático, e as reformas constitucionais são o instrumento que abrem espaço para tanto. Depois desse tropeço que pôs em dúvida os propósitos expostos por Obama em seus discursos, os Estados Unidos modificaram sua atitude inicial e se somaram na última hora ao caráter de "patrocinador " da resolução que por unanimidade a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou, condenando o golpe de Estado em Honduras. Publicado em ALAI-AmLatina em 6 de julho de 2009 Frida Modak é jornalista e foi Secretária de Imprensa do Presidente Salvador Allende Tradução: Katarina Peixoto Fonte: Carta Maior
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O golpe se deu em Honduras, mas afeta a toda a América Latina e o Caribe, porque nos está indicando que esse passado ominoso não ficou bem sepultado e que a ousadia de nos declararmos independentes e soberanos não é perdoada. Não se pode tirar outra conclusão dos acontecimentos hondurenhos, em que o golpe militar foi a resposta ao propósito de fazer desse país uma nação mais justa, na qual os setores populares tivessem voz.
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