Com 11 anos de governo, Chávez propõe aprofundar mudanças PDF Imprimir E-mail
Internacional
Miguel Lozano   
Qua, 03 de fevereiro de 2010 12:07
Hugo Chávez
Hugo Chávez
Caracas, 2 fev. (PL) - O presidente venezuelano Hugo Chávez cumpriu hoje seus primeiros 11 anos de governo empenhado em aprofundar um processo de mudanças que busca terminar com o doloroso paradoxo da pobreza disseminada num país petroleiro.

Com sua denominada Revolução Bolivariana, Chávez se propôs, numa primeira etapa, uma melhor distribuição da riqueza proveniente dos hidrocarburetos; para isso se apoia numa serie de programas sociais sem precedentes no país.

A perspectiva, após 11 anos, é aprofundar o processo para estabelecer um sistema socialista, que considera a única via para terminar com chagas como a pobreza e o desemprego e para avançar num processo de desenvolvimento econômico.

Não sem falhas, o período recorrido desde 2 de fevereiro de 1999, quando assumiu a presidência, deixa, no geral, um saldo favorável, sobretudo para os setores tradicionalmente marginalizados, com os quais conta para continuar seu projeto.

Para isso, Chávez pediu a seus seguidores, encabeçados pelo Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), uma "campanha admirável", cuja primeira batalha será as eleições parlamentares do próximo 26 de setembro.

Nessas eleições, o mandatário considera indispensável ganhar dois terços dos 165 assentos da Assembleia Nacional, para poder seguir adiante com as transformações de encaminhadas ao que definiu como Socialismo do Século XXI.

Em termos conceituais, essa proposta se sustenta nos princípios do Socialismo, ou bolivarianismo (ideias do Libertador Simón Bolívar), e nos princípios originais do Cristianismo, sobretudo seu conceito de justiça social e defesa dos pobres.

A base do projeto são os programas sociais, as chamadas "missões", com as quais se atacam os principais problemas do setor majoritário da população, que ficara marginalizado dos lucros petroleiros.

Entre os principais logros, a missão Ribas, criada em 2003, alcançou, numa primeira fase, a alfabetização de mais de um milhão 500 mil adultos, para converter a Venezuela em Território Livre de Analfabetismo.

O programa, cujo nome alude ao pseudônimo de Simón Rodríguez, professor do Libertador, se ampliou posteriormente com ações para chegar ao sexto grau e abrir o caminho aos programas Ribas (ensino secundário) e Sucre (universitário).

A Missão Robinson II graduou no sexto grau a mais de meio milhão de venezuelanos, entre eles, mais de 80 mil indígenas; a Missão Ribas, outro meio milhão de secundaristas; e a Missão Sucre, uns 40 mil profissionais.

A Missão Bairro Adentro instalou seis mil 700 módulos de atenção primária à saúde, ao redor de 500 centros de diagnóstico integral, mais de 550 salas de reabilitação e uns 30 centros de alta tecnologia.

Bairro Adentro salvou mais de 400 mil vidas e realizou cerca de 400 milhões de consultas gratuitas, como parte de um programa de saúde que inclui a Missão Menino Jesus, para atender mulheres grávidas e crianças menores de 5 anos.

Mais de quatro milhões 100 mil crianças e adolescentes recebem alimentos nas escolas e ginásios (eram 300 mil em 1998), parte de um programa que inclui distribuição de mais de sete milhões de toneladas de alimentos a preços subvencionados.

Em 10 anos, a pobreza na Venezuela diminuiu à metade, entre outras importantes melhorias nos índices de qualidade de vida, mediante esses e outros programas financiados com o petróleo, graças a uma nova política de distribuição da riqueza.

Em que pesem tropeços atribuíveis em maior medida à crise mundial, Chávez propõe agora continuar esse processo, mas com mudanças estruturais que garantam a continuidade, para o que se requer a maioria parlamentar qualificada.

A perspectiva provocou alarme na oposição, que se prepara para recuperar postos na Assembleia Nacional, depois do erro estratégico das eleições anteriores, quando retirou seus candidatos num intento de deslegitimar esse órgão.

Diante do repto eleitoral, um dos maiores que enfrentará este ano, o mandatário pede a seus seguidores unidade e organização, junto ao respaldo popular e à força de seu partido, criado com vistas a impulsionar o socialismo no país sul-americano.

Fonte: Prensa Latina


VenezuelaSeguidores de Chávez tomam as ruas de Caracas

Miguel Lozano

Caracas, 4 fev. (PL) - Com uma multitudinária marcha, os seguidores do presidente venezuelano Hugo Chávez comemoram hoje a rebelião cívico-militar de 1992 e responderam a um chamamento para tomar as ruas face a novas denúncias de planos golpistas.

O plano é "dar um golpe de Estado ou eliminar-me fisicamente e convocar eleições", afirmou ontem Chávez ao comentar um informe recente do diretor nacional de inteligência dos Estados Unidos, Dennos Blari, ao Senado de seu país.

Ante a ameaça implícita nesse informe, que considera Chávez um dos principais detratores dos Estados Unidos, o mandatário chamou a não deixar de lado o ativismo político dos setores que apóiam seu projeto de mudanças de corte socialista.

"Essa é uma das razões pelas quais não podemos abandonar as ruas, há um contra-ataque imperial e a oposição se sente protegida", disse Chávez  por telefone à Venezuelana de Televisão.

As ações da oposição a que fez referência o Presidente venezuelano se expressaram também hoje com a convocatória de uma marcha feita por setores estudantis vinculados a partidos opositores.

Em que pese o fato de que o 4 de fevereiro é uma data cujo significado desconhecem, esses grupos decidiram marchar de vários pontos da cidade até a Assembleia Nacional, com trajetórias que ocultaram até a última hora.

A Prefeitura de Caracas negou autorização à rota solicitada pelos opositores por coincidir em alguns pontos com o trajeto apresentado anteriormente por seguidores do presidente Chávez para celebrar o Día da Dignidade.

A convocatória opositora, a falta de objetivo da marcha e a forma como se ocultou o trajeto até a última hora relacionam a iniciativa com as denúncias do Presidente venezuelano de ações inconstitucionais para instalar "um governo de direita".

Para Chávez, o informe de inteligência estadunidense "é algo bem delicado, e um sinal muito poderoso do império e de sua resolução de continuar atacando a Venezuela, a seu governo revolucionário e a mim pessoalmente".

Fonte: Prensa Latina

 

 

 
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