| Os novos corsários: reflexões sobre o injustificável ataque à "Frota da Liberdade" |
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| Internacional |
| Vinicius Valentin Raduan Miguel |
| Sex, 04 de Junho de 2010 13:36 |
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Santo Agostinho conta a história de um pirata capturado por Alexandre, o Grande, que lhe perguntou: "Como você ousa molestar o mar?". "E como você ousa desafiar o mundo inteiro?", replicou o pirata. "Pois, por fazer isso apenas com um pequeno navio, sou chamado de ladrão; mas você, que o faz com uma marinha enorme, é chamado de imperador." - Chomsky, 2006 De um ladrão para um nobre: Tal é nossa diferença, ó melhor dos príncipes: Eu conquisto algumas moedas; tu roubas as províncias - Victor Hugo, escritor francês.
Como não traçar um paralelo entre o processo de expropriação territorial da era colonial, ocorrida na América Latina e na África, e a expulsão do povo palestino? Como definir o longo e brutal cerco israelense à Gaza - impedindo a entrada de alimentos, medicamentos e de material para a reconstrução - senão a transformação da região em um ghetto? E o que foi o ataque ao ghetto de Gaza (dezembro de 2008/janeiro de 2009) senão um pogrom? Como justificar os ataques indiscriminados à população civil palestina, senão imbuindo-se de uma pretensa mission civilisatrice que, simultaneamente, abona o crime de guerra dos caças F-16 israelenses e inculpa, de forma totalizante, os civis mortos em terra pela própria morte? Como aceitar seis décadas de ocupação militar e colonialismo? Como ignorar o entrelaçamento desses sobrerreferidos capítulos do drama palestino e não perceber um quadro de iterados crimes contra a humanidade? O cerco à Gaza, imposto desde 2007, é criminoso. Obstruir a entrada de alimentos, medicamentos e mercadorias, combustível e eletricidade por três anos viola o princípio da distinção entre civis e combatentes. A medida provoca um espetáculo grotesco: a população inteira é obrigada a assistir a fome, a pobreza e a morte dos seus entes queridos. Registre-se que o povo de Gaza está encarcerado, não podendo sair do local. Resta-lhes, confinados em uma zona de guerra total, aceitar o sofrimento coletivo cominado pela potência ocupante. Impedir a chegada de ajuda humanitária não é um exercício da soberania israelense - é uma mostra da agressividade sem lindes éticos. Denota a opção de Israel pelo confronto e pela violência, ainda que contra civis e observadores internacionais. Atacar navios - estejam eles levando ajuda humanitária ou não - é pirataria. Matar pessoas é assassinato. Fazê-lo na tentativa de desencorajar o apoio internacional à causa palestina é terrorismo de Estado. Referências: CHOMSKY, Noam. Piratas e Imperadores, Antigos e Modernos. - Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. Vinicius Valentin Raduan Miguel é cientista social (Universidade Federal de Rondônia) e mestre em "Direitos Humanos e Política Internacional" (Universidade de Glasgow). |



De que forma é possível compreender as políticas israelenses de segregação étnico-religiosa sem fazer alusão ao hediondo sistema de apartheid sul-africano? Como caracterizar a discriminação sistemática contra a minoria palestina e árabe-israelense, senão como segregacionismo?
marina rangel santos makes this comment
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Qua, 09 de Junho de 2010