Noriega, Hussein e Uribe PDF Imprimir E-mail
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WED, 05 de MARCH de 2008 16:42

uribe e militaresCaracas, 4 de março - Um informe do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, datado de setembro de 1991, dá conta das relações do presidente da Colômbia Álvaro Uribe Vélez com o cartel de Medellín e com o paramilitarismo.

O relato desses fatos foi publicado pela revista Newsweek em 9 de agosto de 2004, numa nota redigida pelos jornalistas Joseph Contreras e Steven Ambrus, entitulada "Da lista negra à lista dos favoritos".

Newsweek faz referência a um documento desclassificado, um informe de inteligência do Departamento da Defesa estado-unidense, que "indica quem é quem no negócio da cocaína da Colômbia".

A lista, que começa com o outrora chefe do cartel de Medellín Pablo Escobar, inclui 104 "delinqüentes, assassinos, traficantes e advogados suspeitosos, até chegar ao posto 82: Álvaro Uribe Vélez, político e senador colombiano dedicado a colaborar com o Cartel de Medellín em instâncias de alto nível do Governo".

De acordo com a citação que faz Newsweek do Informe de Inteligência, "Uribe esteve ligado a um negócio envolvido em atividades narcóticas nos Estados Unidos (?), tem trabalhado para o Cartel de Medellín e é amigo próximo de Pablo Escobar Gaviria".

Ao tratar de explicar por que são tão boas as relações de Uribe com Washington, Newsweek cita a Adam Isacson, do Centro de Política Internacional, quem sustenta que "este é provavelmente um dos presidentes mais pró Estados Unidos em toda a história da América Latina".

Explicações deste tipo têm sido normais nos Estados Unidos para justificar suas relações com governos dominados por máfias. Esse é o caso do Panamá de Manuel Antonio Noriega e do Iraque de Sadam Hussein.

CIA e narcotráfico

Tão cedo como em 1947, "o dinheiro, as armas e a desinformação da CIA permitiram aos sindicatos criminosos da Córcega em Marselha assumissem o controle sobre os sindicatos trabalhistas do partido comunista. A gente da Córcega ganhou o controle e influencia política sobre os portos, o que lhes proporcionava as condições ideais para estabelecer alianças de longo prazo com os distribuidores da máfia da droga. Isso converteu Marselha na capital da heroína do pós-guerra no mundo ocidental. Em 1951, foram abertos os primeiros laboratórios de heroína em Marselha".

A citação anterior é parte do informe The Cia, Contras, Gangs, and Crack, publicado pelo Instituto de Estudos Políticos (Ips por suas siglas em inglês) e pelo Centro Inter-hemisférico de Recursos (Irc, também por suas siglas em inglês) na edição digital de Foreign Policy in Focus (http://www.ips-dc.org).

Nesse texto podemos observar uma trajetória de apoio sistemático a grupos e governos vinculados ao narcotráfico, dando conta de operações de tráfico de drogas no Sudeste Asiático, em 1950, na Indochina, desde 1950 até os anos 70, na Australia de 1973 a 1980 e no Panamá desde 1970 até 1989.

As operações no Panamá, nas quais atuava Manuel Antonio Noriega, estavam relacionadas com as agressões militares perpetradas por grupos armados anti-sandinistas, que operavam desde território hondurenho, na década dos 80 do século XX.

"A CIA fornecia às forças contra-revolucionarias (os contra) aviões e pilotos encarregados de levar cocaína da América Central para aeroportos e bases militares estado-unidenses -nos diz o informe de Ips-. Em 1985, o agente da Administração de Drogas e Narcóticos (DEA) Celerino Castillo informa a seus chefes que a cocaína estava sendo depositada nos armazéns de suprimentos para os contra na base da força aérea de Ilopango, em El Salvador, para logo ser enviada em barcos aos Estados Unidos. A DEA não fez nada, e Castillo foi gradualmente retirado da agência".

The Cia, Contras, Gangs, and Crack incorpora em sua redação os vínculos que por mais de uma década manteve a CIA com o "homem forte" do Panamá Manuel Antonio Noriega, de quem reporta que "foi um muito bem pago colaborador da CIA, apesar das autoridades das drogas estado-unidenses saberem que o general estava envolvido com o narcotráfico e lavado dinheiro em princípios de 1971. Noriega facilitou vôos de "armas por droga" para os contras, dando-lhes proteção aos pilotos, refúgio seguro aos oficiais do cartel da droga e discretas facilidades bancárias. Oficiais estado-unidenses, incluindo o diretor da Cia William Webster e muitos oficiais da Drugs Enforcement Agency (DEA, por suas siglas em inglês), enviaram-lhe cartas de elogio a Noriega por seus esforços na luta contra o narcotráfico (só contra sua competência, o cartel de Medellín). Logo, Estados Unidos se opôs a Noriega, invadiu Panamá em dezembro de 1989 e sequestrou o general".

A invasão do Panamá e o seqüestro de Noriega se levaram a cabo em dezembro de 1989, meses despois das eleições nicaragüenses nas quais fora derrotado o governo sandinista. O general panamenho já não tinha nenhuma utilidade para os Estados Unidos.

A história de Noriega é suspeitosamente similar à de Sadam Hussein, outro "homem forte", pero desta vez do Iraque.

Saddam foi outra das peças chaves da CIA para impor o domínio mundial dos Estados Unidos, a partir de sua posição como chefe de Estado do Iraque, de 1979 a 2003.

Desde essa condição, Saddam deteriorou as relações do Iraque com a União Soviética, contribuiu para os acordos de Camp David, entre Israel e Egito, e conduziu a guerra de seu país contra a Revolução Islâmica do Irã.

A relação de Saddam com a CIA está amplamente documentada e como exemplo podemos citar os trabalhos de Richard Sale para la agência UPI, publicados em 10 de abril de 2003, e de Morris Roger, no New York Times, de 14 de março de 2003.

Saddam e Noriega, com amplo prontuário de condutas vinculadas a assassinatos, genocídios e práticas de terrorismo de Estado, foram utilizados pelos Estados Unidos para agredir processos revolucionários que resultavam incômodos a Washington.

Hoje tem correspondido a Uribe jogar este papel e servir como elemento de amenaça e perturbação aos governos democráticos e progressistas da região, em especial contra Venezuela e Equador.

Por isso o governo dos Estados Unidos olvida os vínculos do mandatário colombiano com o narcotráfico e com as práticas de extermínio de adversários políticos, realizadas na Colômbia por forças paramilitares, algumas organizadas pelo própio Uribe, como las chamadas brigadas "Convivir" do Departamento de Antioquia quando foi governador entre 1995 e 1997.

Entretanto, os Estados Unidos têm em suas mãos aquele informe citado por Newsweek, elaborado pelo Departamento de Defesa, que coloca Uribe como o número 82 de uma lista de integrantes do cartel de Medellín, a qual, começando por Pablo Escobar, inclui 104 "delinqüentes, assassinos, traficantes e advogados suspeitosos".

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Chefes do partido de Álvaro Uribe estão na cadeia

Caracas. 5 de março (ABN) - O partido Colômbia Democrática, fundado pelo presidente Alvaro Uribe com seu primo, o até ontem senador Mario Uribe, ficou órfão. Seus chefes naturais estão hoje no cárcere acusados de supostos nexos com o paramilitarismo, resenha a página web Pólo Democrático Alternativo.

- Em La Picota estão detidos Miguel De la Espriella e Alvaro García Romero.

- Mario Uribe foi interpelado pela Corte Suprema para interrogatório. Imediatamente renunciou ao Senado.

Com a interpelação do senador Mario Uribe Escobar para prestar depoimento, o partido Colômbia Democrática, o mesmo que fora fundado pelo congressista com o hoje presidente da República Alvaro Uribe Vélez em agosto de 1985, perdeu suas principais figuras.

Alvaro García Romero, o segundo na lista desta agremiação para o Senado, está preso no cárcere de La Picota. Igual sorte correu o terceiro da lista, Miguel De la Espriella. O turno agora coube ao cabeça da lista e fundador Mario Uribe Escobar, a quem a Corte Suprema de Justiça chamou para prestar depoimento (da mesma forma que García e De la Espriella), por supostos vínculos com as autodefesas.

O senador Mario Uribe Escobar renunciou a seu mandato no Senado assim que foi interpelado a depor pela Corte Suprema de Justiça.

Álvaro García Romero e Miguel De la Espriella, eleitos para o Senado no segundo e terceiro postos da lista desse partido, estão presos.

Uribe Escobar, primo e sócio político do presidente Álvaro Uribe durante muitos anos se submeteu à justiça ordinária indiciado pela Fiscalização Geral da Nação.

Colômbia Democrática se orgulha de contar com o presidente Álvaro Uribe entre seus fundadores. A cabeça de sua página web exibe as imagens de Mario Uribe e do presidente Uribe con esta legenda: "Álvaro Uribe Vélez, fundador do Partido".

Os casos mais graves

García Romero, um dos primeiros congressistas encarcerados por suas relações com os paramilitares, enfrenta as acusações mais duras de todos os legisladores presos.

A Corte o chamou a juízo sob a acusação de ser o ”mandante” da matança, perpetrada pelos paramilitares de Rodrigo Mercado Pelufo, aliás “Cadena”, em outubre de 2000, conhecida como o "massacre de Macayepo".

Também o acusou de intervir na morte de Georgina Narváez Wilches, uma testemunha eleitoral que em 1997 denunciou fraude na eleição do governador de Sucre, que terminou com o triunfo de Erik Morris (também preso atualmente) e agregou uma acusação a mais por peculato, pois supostamente García usou sua influência no departamento para desviar dinheiros públicos.

Miguel De la Espriella, o outro senador de Colômbia Democrática atrás das grades, foi um dos principais protagonistas do "Pacto de Ralito" e um dos primeiros a admitir que fez trabalho político para os paramilitares.

 

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