| Colômbia: para além da Operação Jaque |
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| Internacional |
| Rafael Calcines Armas |
| FRI, 04 de JULY de 2008 00:27 |
Bogotá (PL) A paz na Colômbia continua sendo uma interrogação, para além das reações iniciais pela recente libertação da ex-candidata presidencial Ingrid Betancour e de outros 14 retidos pela insurgência.Existe consenso sobre o golpe que representou o resgate do grupo para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), ao qual se somou a perda nos meses passados, por distintas causas, de seus líderes Manuel Marulanda, Raúl Reyes e Iván Ríos. A gravidade deste acontecimento se fundamenta não só na importância política de figuras como Ingrid Betancourt e os agentes estadunidenses Keith Stancell, Marc Gonsalves e Thomas Howe, para qualquer negociação. Sobretudo, resulta significativo que a denominada Operação Jaque das forças militares colombianas se apoiou num trabalho de inteligência e infiltração na direção máxima do grupo insurgente. Entretanto, pensar que as FARC estão derrotadas, como se expressa em alguns círculos políticos e governamentais, parece ser uma valoração desacertada das capacidades do grupo guerrilheiro. A própria Ingrid Betancour, recém chegada a Bogotá, rechaçou tal consideração. No plano interno o êxito da ação militar parece reforçar a linha seguida pelo governo de enfrentar militarmente as FARC, afinada com a política de Segurança Democrática propugnada pelo presidente Alvaro Uribe. Os próprios comandos militares admitiram que respiraram aliviados após a operação, sem queimar um só cartucho. Se no intento morresse algum dos reféns teria sido um desastre para o governo, coincidem analistas. Nesta oportunidade as autoridades navegaram com sorte, diferentemente de outras nas quais os intentos de resgate a ferro e fogo culminaram com a morte de reféns. Para os partidários de uma nova reeleição do presidente Uribe, a ocasião se apresenta excepcional. Tanto a grande imprensa como os partidos que o respaldam não param de louvar sua figura e sua política. Este histórico sucesso seguramente será empregado para promover a continuidade de Uribe à frente do executivo, em momentos em que sua legitimidade está em discussão. A Corte Suprema declarou recentemente ilegítima a reeleição do governante após descobrir-se que se cometeu fraude na campanha de 2006 que o levou à presidência pela segunda vez. Em resposta, Uribe se pronunciou por um referendo popular para legitimar sua reeleição de 2006. A produzir-se a convocatória neste momento, o êxito da Operação Jaque seguramente reportaria suculentos dividendos. Mas, além disso, segue como uma interrogante a busca da paz no país. Para uma parte da polarizada sociedade colombiana, a ação militar reforça o critério de que o enfrentamento armado com a guerrilha é a solução. Outros insistem em continuar buscando o diálogo para um acordo humanitário que permita a libertação dos demais retidos pela insurgência. Parece óbvio que, por suas características, é quase impossível que a Operação Jaque possa repetir-se e enganar pela segunda vez às FARC. Então a necessidade do diálogo continua sobre a mesa. Nisso insistiu Ingrid Betancour, quem ao menos em duas ocasiões considerou que os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Rafael Correa, do Equador, são “aliados muito importantes” na busca de uma paz negociada. De outra parte, chamou a ampliar a mediação internacional e mencionou especialmente a presidenta da Argentina Cristina Fernández e a continuidade do apoio do governo francês a essa causa. Entretanto, as declarações do ministro da Defesa Juan Manuel Santos não deixam lugar a dúvidas sobre a posição governamental: “buscaremos a liberdade dos reféns por qualquer via”. Surgem hipóteses de libertação interceptada pelo governo colombiano para atribuir-se o êxito Bogotá, 3 Jul. ABN.- Em várias publicações difundidas pela Agência Bolivariana de Prensa (ABP), investigadores analisam que os fatos apontam a que a Força Armada da Colômbia interceptou a libertação de um número de retidos que seria feita pela Força Armada Revolucionária da Colômbia (Farc), previamente acordada com gestores europeus, com o objetivo de apresentá-la como êxito do governo colombiano. “No bombardeio ao acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), localizado no Equador, o governo colombiano soube que se estava gestando a libertação e preferiu eliminar militarmente os porta-vozes guerrilheiros ainda que se abortasse essa libertação, enquanto que neste caso interceptaram a missão para apresentá-la como um êxito exclusivamente militar e governamental”, analisa o espanhol Pascual Serrano. A análise o faz o investigador em torno do acontecimento da libertação de 15 retidos das Farc, que incluem a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, através de uma operação comando do Exército colombiano 'com o apoio reconhecido do governo estadunidense'. O investigador Pascual Serrano revelou que diante da versão colombiana da operação militar, se estabelece a dúvida sobre se os guerrilheiros que custodiavam os sequestrados já tinham orientações destinadas a uma iminente libertação, e daí sua fácil e ingênua disposição a colaborar em tão suspeitoso traslado. Outra hipótese entrevê até que ponto a libertação já estava acordada entre a direção das Farc e os mediadores enviados pela França, quando, no último momento, o exército colombiano interceptou a libertação para apresentá-la como uma operação militar exitosa, segundo Serrano. Recordou que as Farc haviam expressado a delegados europeus sua disposição de liberar o refém francês Noel Sáez e o suíço Jean Pierre Gontard, haviam entrado em contato com a direção da guerrilha para postular a libertação. O governo havia autorizado os contactos, cujos passos seguia de perto, agregou. No 1 de julho passado, um comunicado do Executivo colombiano, lido pelo secretário de imprensa do Palácio presidencial César Mauricio Velásquez, sinalizava que dois delegados europeus ingressaram nos últimos dias na Colômbia e pediram ao governo autorização para deslocar-se a esse encontro direto com o secretariado (cúpula) das Farc, autorização que o Governo concedeu. 'O Governo garantiu aos dois facilitadores o avanço para esses contatos. Se foram-lhes dadas as facilidades para que a reunião fosse exitosa', sinalizou o funcionário colombiano. Também o diário espanhol El País recolhia este assunto no mesmo dia 1 de julho: 'Bogotá autorizou a reunião de dois negociadores europeus para discutir as condições para futuros encontros e analisar o futuro dos seqüestrados pelas Farc, segundo informaram os meios colombianos. O antigo cônsul francês em Bogotá Noël Sáez e o diplomático suíço Jean-Pierre Gontard partiram no começo do passado fim de semana para um ponto de encontro nas montanhas que o governo não facilitou e poderiam ter-se reunido já com membros do secretariado da guerrilha, o principal órgão dirigente, e inclusive com o novo líder das Farc Alonso Cano', informou o rotativo. Este diário também assinalou: 'As Farc se declararam dispostas a trocar 40 seqüestrados, Betancourt entre eles (também de nacionalidade francesa), três estadunidenses, assim como outros políticos, policiais e membros do Exército colombiano, por cerca de 500 guerrilheiros presos. Entre os presos que as Farc aspiram trocar, figuram três extraditados nosEstados Unidos. Um deles, Ricardo Ovidio Palmera, Simón Trinidad'. Segundo o diário francês Le Figaro, os emissários, o francês Noel Sáez e el suíço Jean-Pierre Gontard, se reuniram no domingo passado ou na segunda-feira na selva colombiana com uma pessoa próxima ao novo chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Alfonso Cano. Na Colômbia, o diário El Tiempo, próximo ao governo, reconhecia que dois delegados internacionais poderiam ter-se reunido com Alfonso Cano: “Os encarregados da gestão são o francês Noel Saez e o suíço Jean Pierre Gontard, autorizados pelo Governo para as gestões com o grupo subversivo em busca de liberar os seqüestrados”, indicou o rotativo neogranadino. Tal resenha jornalística significaria que os canais de comunicação das Farc, praticamente fechados após a morte de 'Raúl Reyes' no 1 de março passado, começaram a abrir-se novamente. O autor do artigo que reflete esta análise, Serrano, recordou que a versão de governo colombiano sobre a libertação indica que militares infiltrados na guerrilha convenceram o comandante César das Farc a concentrar os retidos e a subi-los a um helicóptero que resultou ser do exército, camuflado, fazendo crer ao comando guerrilheiro que se dirigiam até onde se encontrava Alfonso Cano, chefe máximo das Farc. Fortemente espancados aparecem guerrilheiros capturados em resgate militar Caracas, 3 Jul. ABN.- Muito espancados e com a cara visivelmente inchada, foram apresentados nesta quinta-feira à imprensa dois guerrilheiros capturados no resgate militar efetuado pelo governo colombiano na quarta-feira passada, destacou o portal da emissora YVKE Mundial. O comandante do Exército colombiano general Mario Montoya Uribe se desculpou diante da imprensa ao dizer que "no momento de proceder à sua neutralização (dos dois guerrilheiros) dentro do helicóptero, opuseram resistência. Estava previsto que havia que dominá-los, havia que neutralizá-los", argumentou o general. Indicou que os seqüestrados não receberam golpes porque estavam assujeitados (algemados). Não obstante, Betancourt expressou numa de suas declarações que durante a operação foi salpicada com sangue de um dos membros das FARC. Até o momento não se apresentaram imagens nem da operação nem dos guerrilheiros capturados. Os insurgentes foram mostrados à imprensa aproximadamente às 5h da tarde desta quinta-feira (hora da Venezuela). Haviam passado mais de 24 horas desde que fora efetuada a operação militar "Jaque". Nenhum deles deu declarações. Libertação de Betancourt tem grande repercussão
Rádio suíça revela hipótese diferente: Betancourt, uma ‘libertação’ comprada? Farc acusam de traição os guerrilheiros que cuidavam de Ingrid Betancourt |



Bogotá (PL) A paz na Colômbia continua sendo uma interrogação, para além das reações iniciais pela recente libertação da ex-candidata presidencial Ingrid Betancour e de outros 14 retidos pela insurgência.