Evo logra histórico apoio de 67,43% dos votos com 99,65% das mesas apuradas PDF Imprimir E-mail
Internacional
Escrito por Agencia Boliviana de Informacion   
Sáb, 09 de agosto de 2008 23:37

BolíviaLa Paz, 14 ago (ABI).- O presidente Evo Morales Ayma logrou um histórico respaldo popular de 2.102.477 votos (67,43%) com 99,65% das mesas apuradas na contagem nacional, segundo os últimos dados da Corte Nacional Eleitoral (CNE), bagagem eleitoral que o constitui como um fator de unidade do país, coincidiram analistas, políticos e dirigentes sociais.

Essas cifras que seram confirmadas hoje pelo máximo ente eleitoral do país, uma vez que compute as 25 mesas faltantes que farão o 100% dos votos válidos do referendo revogatório de mandato popular.

A informação oficial assinala que apuradas 21.897 mesas eleitorais, sobre um universo de 3.367.856 votos emitidos, 3.118.168 são votos válidos (92,59%), 133.807 (3,97%) votos em branco e 115.881 (3,44%) votos nulos.

Em tanto que 2.102.477 bolivianos votaram pela ratificação do presidente Evo Morales e do vice-presidente Álvaro García Linera; e 1.015.691 votaram contra.

Nas eleições de 2005 o Chefe de Estado recebeu 1.544.374 votos (53,74%) da preferência eleitoral, cifra hoje superada por 558.103 sufrágios.

 


Primeira entrevista com o Presidente depois do triunfo no revogatório

BolíviaBolíviaBuenos Aires, 13 ago (Martín Sivak, de Crítica Digital, tomado por ABI).- Sorridente e sempre sóbrio, Evo Morales jantou sopa de quinua, trucha (um peixe comum no Lago Titicaca), sorvete de chirimoya de sobremesa e bebeu só um vaso de mocochinchi (pêssego desidratado).

"Sábado e domingo voltei a ser Evo Morales", diz o presidente da Bolívia. Não fala do resultado do referendo que ratificou seu mandato mas de um costume que recuperou nas horas prévias à eleição: dirigir velozmente com música de bandas e melodias andinas como fundo.

"Assim me distraio e me lembro de como era a vida antes de chegar aquí". Aquí é o comedor principal da residência de São Jorge, onde o Presidente está só. Destacam-se as cortinas bordô, um televisor de tela plana, poltronas de um rosa gastado e a foto oficial do Chefe de Estado, único detalhe que dá um toque pessoal a um ambiente impessoal.

Ao sentar-se à mesa para jantar, Morales conhece o último dado do referendo revogatório: o Sim a sua continuidade chega a 65% dos votos.

Crê que nas horas seguintes superará os dois terços dos sufrágios, uma proporção que nenhuma pesquisa de voto antecipou e que provocou surpresa no próprio governo, que começou a campanha no pico do conflito com o oriente do país. O objetivo inicial consistia em manter os 53,7% das eleições gerais de 2005.

"Superamos nossa votação por quase 12 pontos, e votaram mais de 83% dos bolivianos", aponta o Presidente, enquanto toma um prato de sopa de quinua.

Soa um de seus dois celulares, com novidades de Pando: é o departamento do Oriente ao que o Executivo destinou maiores esforços para revogar o governador Leopoldo Fernández. Faltaram menos de dois mil votos. Uma vitória haveria provocado a erosão do bloco de governadores opositores do Oriente, unidos pela reclamação de autonomia e pelo rechaço a Morales e suas políticas.

"Eu fui sempre de diálogo: não sei por que tanta surpresa por meu discurso", diz sobre suas palavras desde os balcões do Palácio Queimado, quando convocou à unidade nacional, felicitou os gpvernadores ratificados e propôs uma agenda que harmonizaria a Constituição Política do Estado (votada pela maioria oficialista e desconhecida pela oposição) com as autonomías departamentais (a reclamação do Oriente).

O Presidente concede que esse entendimento não será nada fácil com ol Oriente. "Mas faremos todo o possível para chegar a isso: meu dever como presidente é esgotar as possibilidades".

Sabe que um fracasso nesse diálogo implicaria o reinicio de um novo ciclo de conflitos com derivações insuspeitadas.

No oriente do país, onde os governadores adversários ganharam, Morales cresceu em todos os departamentos. Em Santa Cruz, por exemplo, ganhou nas zonas rurais e suburbanas de migração interna e perdeu por uma grande diferença nas zonas urbanas. Essa tendência de grande apoio no campo e menos nas cidades se repetiu em quase todos os nove departamentos.

O Governo segue acreditando que em Santa Cruz é decisivo encontrar a liderança local de um crucenho ou crucenha que possa instalar a agenda do Governo nacional e incorporar novos sectores.

Morales não viu por inteiro, pela televisão, o discurso de Rubén Costas, o prefeito ratificado de Santa Cruz. Se surpreendeu quando depois leu na transcrição que havía acusado a seu Governo de ser uma ditadura, de praticar o terrorismo de Estado e de viver prisioneiro do fundamentalismo aimará.

Durante a noite da eleição também ficou em evidencia a dureza com o Governo da maioria dos meios de comunicação onde despontou Unitel, propiedade de uma das famílias latifundiárias mais favorecidas do Oriente.

"Os resultados mostram que os bolivianos crêem cada vez menos nos meios de comunicação privados: me atacam sistematicamente, mas não puderam impedir que ganhemos. 90% dos meios de comunicação está contra mim, mas dois terços do país apóia este processo de mudança".

Enquanto prova a trucha criola do Lago Titicaca, conta que Fidel Castro lhe mandou uma mensagem de felicitação: lhe disse que sua vitória fora "colossal". Durante o jantar recebe chamados a cada três minutos. Um deles para terminar de definir as atividades de terça-feira: às 5h da manhã tem sua primeira reunião com a equipe de "Evo Cumpre", depois conversará com uma delegação do Governo dos Estados Unidos sobre questões vinculadas com o narcotráfico e seguirá para um encontro com membros da Organização de Estados Americanos.

Prefere de sobremesa um sorvete de chirimoya ― fruta parecida à palta por fora e à pêra por dentro ― que lhe oferece um garçom vestido com camisa mao negra. Se serve o último vaso de mocochinchi.

Morales ainda se emociona ao recordar a queda do helicóptero ruso ― piloteado por uma equipe de quatro venezuelanos e um boliviano ― que o transportava diariamente por toda a Bolívia.

Recorda cada uma das viagens com esses pilotos por geografias e climas mais difíceis que os do dia dla queda. Crê que possa ter sido um atentado. "Mas não deixarei de subir nos helicópteros e de voar aos povoados porque é a única maneira que sei governar".

Na semana prévia ao referendo, o Presidente não pode assistir a atos em Sucre pelo Día da Independência nem em Tarija, onde deveria encontrar-se com Cristina Fernández de Kirchner e Hugo Chávez, pelos bloqueios a aeroportos feitos por grupos de oposição.

Depois do referendo, certas vozes radicais do Oriente intentaram instalar a idéia de que o presidente fora revocado em Santa Cruz (perdeu por 60% contra 40%) e que nessas terras já não exercia a presidência.

"Eu seguirei viajando ao Oriente porque sou o Presidente de todos os bolivianos", assegura às 10h30min da noite, quando já tem dois ministros esperando-o numa sala contigua. Ao despedir-se disse que quer dirigir sua camioneta por uma zona inóspita de Tarija que conhece bem. "Pura terra e pedras".

Vitoriosos entre amigos

O avanço dos cômputos oficiais da contagem dos votos no referendo revogatório de 10 de agosto deu uma grande surpresa. Foi no departamento amazônico e oriental de Pando, que junto a Santa Cruz, Beni e Tarija lideram a demanda autonomista da região da chamada "media luna" contra La Paz.

Com 97% dos votos computados, o Sim à continuidade do presidente Evo Morales se impôs em Pando com 52,70% sobre o Não. O governador de Pando Leopoldo Fernández foi ratificado em seu cargo com quase 56% dos sufrágios, mas o triunfo do presidente no âmbito departamental sem dúvida socavará a capacidade de negociação deste, ademais de que implicará numa quebra no bastião opositor das regiões autonomistas. Ao mesmo tempo, o revogado governador de Cochabamba, o ex-militar Manfred Reyes Villa, ex-guarda-costas do ditador Luis García Meza, renunciou ontem de surpresa a seu cargo, logo de anunciar que não reconheceria os resultados que lhe foram contrários. Reyes Villa advertira que lutaria pela sua continuidade ante a Justiça, depois de ser revogado por seis de cada dez cochabambinos. Logo de conhecidos os resultados contrários ao governador, militantes do oficialista Movimento ao Socialismo (MAS) ameaçaram sacá-lo à força do edifício da governadoria.

 


Evo racha a "media luna" e ganha em seis dos nove departamentos do país


BolíviaLa Paz, 12 ago (Redação central da ABI).- O triunfo do presidente Evo Morales Ayma em seis dos nove departamentos do país, segundo os últimos dados oficiais emitidos pela Corte Nacional Eleitoral (CNE), confirmam que rachou a hegemonia da denominada "media luna" em dois departamentos, quais sejam Pando e Chuquisaca; quer dizer, ganhou absolutamente em seis departamentos, empatou em um e perdeu em dois.

Sobre 85,74 % de mesas computadas em nível nacional, o Presidente da República obtinha na noite desta terça-feira um respaldo de 67,30% (1.880.150 votos, algo em torno de dois terços dos bolivianos votantes) e a tendência crescente se consolidava; enquanto os votos contra o Chefe de Estado somavam 913.667 votos, quer dizer, 32.70 %, sobre um total de votos válidos de 2.793.817.

Isso significa que a ratificação do Chefe de Estado se dava com porcentagens históricos en Oruro, La Paz, Cochabamba, Potosí, Pando e Chuquisaca; ao passo que, em Tarija se produzia um empate técnico, em Beni e Santa Cruz a opção pelo presidente Morales se situava em torno de 40%.

Tarija

Sobre 100% do cômputo oficial departamental difundido pela Corte Nacional Eleitoral, o Presidente e o Vice-presidente da República foram ratificados em seus cargos com o respaldo de 49,83 por cento (66.648 votos) que votaram Sim. Embora os votos pelo Não alcançassem 50,17% (67.102 votos), não superaram os 53,7% necessários para revogar o seu mandato, tal como manda a Lei do Referendo Revogatório.

Pando

No departamento de Pando, o Presidente e o Vice-presidente da República, com 97% de mesas computadas, são ratificados com 52,73% (13.591 votos) pelo Sim, contra 47,27% (12.183 sufrágios) pelo Não.

Chuquisaca

O presidente Evo Morales Ayma, contra todos os vaticínios de resultados extra-oficiais divulgados por institutos de pesquisa, se impôs em Chuquisaca no referendo revogatório com 92.616 votos, equivalentes a 53,88% a seu favor, de acordo com o cômputo oficial final da Corte Departamental Eleitoral (CDE).

"Este é o cômputo departamental definitivo: se emitiram 178.783 votos, dos quais 171.882 válidos; 2.422 brancos e 4.479 nulos, perfazendo um total de 92.616 votos pelo Sim, equivalentes a 53, 88%, e de 79.266 votos pelo Não, perfazendo 46,12%", informou o presidente da entidade eleitoral Víctor Sánchez.

Cochabamba

No departamento de Cochabamba, o Presidente e Vice-presidente da República, com 100% de mesas computadas, foram ratificados com 70,90% de pessoas que votaram pelo Sim (402.681 sufrágios), contra 29,10 por cento pelo Não (165.276 votos).

La Paz

No departamento de La Paz, o Presidente e o Vice-presidente da República, com 95% de mesas computadas, estão ratificados com 82,88% de pessoas que votaram pelo Sim (851.772 votos), contra 17,12% pelo Não (175.917 sufrágios).

Oruro

No departamento de Oruro, o Presidente e Vice-presidente da República, com 99,16% de mesas computadas, são ratificados com 82,94% pelo Sim (140.348 votos), contra 17,06% pelo Não (28.867 sufrágios).

Potosi

No departamento de Potosí, o Presidente e o Vice-presidente da República, com 47,83% de mesas computadas, são ratificados com 77,76% pelo Sim (88.347 votos), contra 22,24% pelo Não (25.265 sufrágios).

Santa Cruz

No departamento de Santa Cruz, com 76,48% de mesas computadas, votaram pelo Sim 38,15% (206.362 votos), contra 61.85% pelo Não (334.588 sufrágios).

Beni

No departamento de Beni, o Presidente e o Vice-presidente da República, com 41% de mesas computadas, obtêm 41,32% de votos (17.748 eleitores), contra 58,68% que votaram pelo Não (25.203 votos).

 


Evo Morales é ratificado com 62% e amplía em 8 pontos a votação de 2005

La Paz 10 ago (ABI) O presidente Evo Morales foi ratificado com 62% no referendo de mandato popular de hoje e ademais subiu em 8 pontos sua votação com respeito às eleições do 18 de dezembro de 2005, quando obteve 53,7% dos votos.

Sobre 87 % da votação, a Rede ATB projeta 62 por cento de votos a favor da ratificação do presidente Morales e do vice-presidente Alvaro García Linera e também são ratificados 5 governadores e 3 são revogados . São ratificados Ruben Costas, de Santa Cruz, Ernesto Suarez, de Beni, Mario Virreira, de Potosí, e Mario Cossio, de Tarija. São revogados os governadores de La Paz, Luis Paredes, Manfred Reyes Villa, de Cochabamba, e ainda está em dúvida a situação dos governadores de Oruro, Luis Alberto Aguilar, e Leopoldo Fernandez, de Pando.

Contra todas as projeções de analistas, que asseguravam que o presidente Evo Morales só repetiria sua votação de 2005, as enquetes indicam que o mandatário boliviano, quando menos, incrementou sua votação em 8 pontos.

 

 


Clima de paz em abertura de colégios eleitorais bolivianos

La Paz, 10 ago (PL) Paz e tranqüilidade marcam hoje o entorno dos mais de 22 mil colégios eleitorais habilitados na Bolívia para o referendo revogatório de mandato do presidente, do vice-presidente e de oito dos nove governadores regionais.

Na cerimônia oficial de abertura da consulta, o presidente da Corte Nacional Eleitoral (CNE) José Luis Exeni precisou que quatro milhões 40 mil 686 cidadãos, com renovada e firme vontade democrática, participam desta importante votação para o futuro do país.

Exeni afirmou que por primeira vez em sua história, os bolivianos emitirão sua decisão sobre a continuidade ou não em suas funções das principais autoridades da nação com a confiança de que o voto será respeitado.

De nós depende que este referendo seja uma verdadeira festa democrática, daí a exortação à cidadania de que seja parte ativa e informada desta jornada, agregou.

Segundo o titular do máximo organismo eleitoral, a transparência deste processo está garantida por centenas de observadores internacionais, 132 mil jurados e cerca de cinco mil notários que nas mesas fiscalizam a realização e a qualidade do voto.

Também adiantou que os resultados oficiais da sondagem serão inapeláveis e se sustentarão num critério técnico dado a conhecer antes pelo CNE.

Chegar até aqui não foi fácil, disse Exeni ao referir-se a obstáculos interpostos à consulta, ao tempo que afirmou que o direito ao voto foi mais forte que todos os engarrafamentos.

Ao ato central de começo do plebiscito assistiram o vice-presidente da República Álvaro García, o chanceler David Choquehuanca, ministros de Estado, representantes do corpo diplomático e os chefes das missões de observadores internacionais.

Este domingo, segundo a lei do revogatório, os dirigentes bolivianos para mantener seus postos não podem receber uma quantidade de votos em contra superior aos sufrágios favoráveis obtidos quando foram eleitos para suas funções atuais em dezembro de 2005.

Dessa forma, o mandato do presidente Evo Morales só terminaria se somara mais de 53,7 por cento de cédulas contrárias, enquanto a faixa para os prefeitos oscila entre 37,98 e 48,03.

Entretanto, numa nova proposta da CNE, para ser revogadas as autoridades departamentais deverão acumular sufrágios contrários a sua gestão superior ao 50 por cento dos votos válidos.

No caso do presidente Evo Morales e do vice-mandatário, a porcentagem para revogá-los deverá ser superior a 53,7 por cento, resultado com o qual triunfaram nas urnas em dezembro de 2005.

Acerca desses comícios Morales asseverou que propiciará a instalação de um novo cenário político.

O mandatário de origem aimará disse à prensa que essa sondagem será a maior expressão de democracia do povo boliviano.

Morales exercerá seu direito ao voto na localidade camponesa de El Chapare, Villa 14 de setembro, no departamento central de Cochabamba, onde iniciou sua trajetória como dirigente sindical.

Em todo o país andino, segundo precisou a Prensa Latina o chefe da Polícia Nacional general Miguel Gemio, foram mobilizados cerca de 37 mil efetivos para velar pela tranqüilidade cidadã do referendo.




Evo Morales augura novo cenário político na Bolívia

Mario Hubert Garrido

Cochabamba, Bolivia, 10 ago (PL) O presidente Evo Morales augurou hoje aqui um novo cenário político na Bolívia, uma vez que se conheçam os resultados oficiais do referendo revogatório de mandato popular deste domingo.

Logo de emitir seu voto na mesa 1270, da Villa 14 de Septiembre, na localidade camponesa de El Chapare (Cochabamba), onde iniciou sua trajetória como líder sindical, o mandatário asseverou que a consulta permitirá consolidar as atuais transformações no país.

“Estou convencido que a partir de amanhã, segunda-feira, se deverá produzir um grande encontro do povo boliviano com seus novos dirigentes e os movimentos sociais a frente, para seguir aprofundando o processo de mudança”, remarcou.

Morales catalogou este 10 de agosto como um dia histórico, una verdadeira festa democrática, ao tempo que exortou a cidadania a acudir em paz e tranqüilidade a exercer esse direito nos nove departamentos.

Pela primeira vez na história da Bolívia, reafirmou, algo inédito ademais na região, o soberano (o povo) com seu voto não só elege suas autoridades, como terá o direito de revogá-las se a gestão de pouco mais de dois anos é ineficiente.

O chefe de Estado mostrou sua satisfação por garantir em sua administração este tipo de consulta.

Interrogado sobre o respaldo a sua gestão desde 2006 por parte de vários chefes de Estado da região andina e sul-americana, assim como de outras organizações mundiais e personalidades, Morales asseverou que em América Latina há uma grande rebelião contra políticas econômicas que não resolvem os problemas sociais acumulados pelas maiorias.

Minha experiência, disse, é servir ao povo boliviano e fortalecer a democracia.

Acompanhado por seus filhos e o porta-voz presidencial Iván Canelas, o dignatário também questionou intentos separatistas das autoridades de regiões da chamada “Media Luna” (Pando, Beni, Santa Cruz e Tarija) e advogou pela unidade nacional.

“Saúdo o povo boliviano por sua luta permanente pela unidade, pela identidade e pela igualdade social”, acrescentou.

Acerca de sua agenda para esta jornada, adiantou que jogaria uma partida de racquetbol com os jornalistas acreditados para o referendo.

Logo me deslocarei ao Palácio Queimado, em La Paz, para uma reunião com o gabinete e para valorar os primeiros resultados do sufrágio, explicou.

Morales adiantou que à noite também transmitirá uma mensagem à nação sobre a conotação deste referendo revogatório.

As votações na Bolívia se iniciaram neste domingo num clima de tranqüilidade em mais de 22 mil colégios aos que podem acudir quatro milhões 40 mil 686 cidadãos, segundo o padrão electoral.

A norma do plebiscito estabelece que as autoridades para manter seus postos não podem receber uma quantidade de votos em contra superior as sufrágios favoráveis obtidos quando foram eleitos para suas funções atuais em dezembro de 2005.

Dessa forma, o mandato do presidente Evo Morales só terminaría se somassem mais de 53,7 por cento de sufrárgios contrários, enquanto a faixa para os governadores oscila entre 37,98 e 48,03.

 


Assegura-se que após referendo Governo e governadores buscarão a reconciliação

La Paz, 09 ago (ABI).- Após o Referendo Revogatório de Mandato Popular a celebrar-se este domingo na Bolívia, o Governo de Evo Morales e os governadores, se é que sejam ratificados, buscarão a forma de consolidar um pacto de reconciliação, afirmaram este sábado fontes oficiais.

O presidente boliviano Evo Morales afirmou durante um ato no Palácio Queimado que o voto do povo no referendo revocatório, obrigará a um reencontro das autoridades do país e à reconciliação do povo boliviano.

"Esse voto nos permitirá, nos obrigará a um reencontro das autoridades, a una reconciliação do povo boliviano e por isso, a participação de todos e de todas, é importante", expressou Morales.

Fazendo eco dessas palavras, seu vice-presidente Álvaro García Linera afirmou, à tarde, que com a votação do soberano no plebiscito deste domingo se "reconfigura a correlação de forças territorial e política na Bolívia".

Assinalou que isso permitirá medir a força e a debilidade de cada uma das correntes políticas, dando lugar "ao melhor cenário para sentar-nos a dialogar, para acordar os pontos de vista entre o nível nacional e o nível departamental".

"O dia de amanhã (domingo) é decisivo para criar as bases reais de um encontro, de uma aproximação política sincera entre as forças políticas", afirmou García Linera, que na tarde de sábado se reuniu com representantes da missão de observadores da Organização de Estados Americanos (OEA) que fiscalizará o plebiscito.

Por sua vez, o secretário de Autonomias da Governadoria do departamento de Santa Cruz, região que lidera a frente de oposição ao Governo de Morales, Carlos Dabdob, assinalou: "Vamos exigir ao presidente Evo Morales que no dia onze tenhamos que sentar-nos para buscar um pacto de reconciliação"

"Para além de ser revogado ou ratificado como governador, Santa Cruz lhe vai exigir esse pacto", asseverou Dabdoub.

Neste domingo, 10 de agosto, 4.047.686 bolivianos acudirão às urnas para decidir a permanência em suas funções do Presidente e Vice-presidente da República, e de oito dos nove governadores departamentais.

Para manter seus cargos essas autoridades não podem receber um total de votos contrários superior aos favoráveis que obtiveram quando alcançaram seus atuais postos em 18 de dezembro de 2005.

O único governador que resiste ir às urnas é Manfred Reyes Villa (Cochabamba), que insiste em que é o abanderado da democracia e que não se submeterá a uma consulta "ilegal".

Em que pese as restrições, que foram decretado pelo Governo para o plebiscito, que, entre outras, proíbe as reuniões e manifestações, ainda continuam instalados os piquetes de greve de fome em quatro departamentos - Santa Cruz, Pando, Beni e Tarija - que reclamam a reposição dos recursos do Imposto Direto aos Hidrocarburos (IDH).

O Vice-presidente afirmou que estes setores não têm justificativas para assumir essas ações, já que os departamentos não perderam os recursos del IDH, pois o que se fez nas regiões foi uma distribuição dos recursos das governadorias para os municípios.

Ademais, disse, em segundo lugar, as governadorias planificaram para 2008 um montante para executar e este ano essas governadorias terão um bilhão a mais de bolivianos para que os administrem.

"Nos entristece, lamentamos essa medida assumida por alguns dirigentes cívicos, mas não tem justificativa econômico, nem regional, nem técnica", afirmou.


OEA: Na Bolívia existem as condições para que o povo vote este domingo

La Paz, 09 ago (ABI).- O Chefe da Missão de Observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) Eduardo Stein assegurou, sábado, que na Bolívia estão dadas todas as condições para que 4.047.686 cidadãos acudam às urnas este domingo para ratificar ou revogar o mandato do Presidente, Vice-presidente e oito governadores de departamento.

O observador internacional, depois de sustentar una reunião com o presidente da Corte Nacional Eleitoral (CNE) José Luis Exeni, explicou que o país neste sábado está "muito melhor que há quatro dias" porque já não há incidentes como o fechamento de aeroportos e bloqueios de caminhos.

"Há vontade clara da população de ir às urnas, as enquetes são muito eloqüentes neste sentido, a cidadania quer votar e quer que a deixem votar", precisou Stein.

Ademais, reconheceu o esforço realizado pelas nove Cortes Departamentais Eleitorais para coordenar com as equipes de segurança como a Polícia Nacional e as Forças Armadas para garantir a votação dos cidadãos nos recintos eleitorais.

Em especial a vontade dos presidentes, vice-presidentes e vocais das cortes de Santa Cruz e Chuquisaca para a depuração de seu padrão departamental e a realização de todas as ações que permitirão a administração do referendo revocatório.

Em 8 de maio passado, os partidos de oposição no Senado Nacional como Poder Democrático Social (Podemos), Unidade Nacional (UN) e o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) ― principais aliados dos cívicos e governadores contrários ao presidente Evo Morales ― sancionaram a Lei No 3850 de Revogatório de Mandato Popular para o Presidente, o Vice-presidente e oito governadores de departamento, exceto Chuquisaca.

Norma legal que foi promulgada pelo Poder Executivo, em 12 do mesmo mês, no Palácio Queimado, e com a qual a Corte Nacional Eleitoral leva adiante o revogatório de mandato deste domingo.