| Itamaraty adverte Paraguai a garantir segurança no campo |
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| Internacional |
| Fundação Lauro Campos |
| Qui, 23 de outubro de 2008 16:29 |
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Brasília - Diante do risco de os brasileiros residentes no Paraguai serem vítimas, a partir de hoje de uma onda de violência deflagrada por organizações camponesas locais, o Brasil disparou uma advertência velada ao governo de Fernando Lugo. Por meio de nota divulgada ontem pelo Itamaraty, o governo Luiz Inácio Lula da Silva deixou clara sua preocupação com essas ameaças e acentuou que espera que o governo paraguaio garanta a segurança e conduza "da melhor forma" os entendimentos com os camponeses. A tensão nas relações ocorre justamente no momento em que empresários brasileiros desembarcam em Assunção, para uma missão organizada para amanhã pelo governo e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e focada no aumento de investimentos, sobretudo no agronegócio. "As autoridades brasileiras confiam em que o governo paraguaio conduzirá os entendimentos da melhor forma e acolhem com satisfação as manifestações do presidente Lugo de que seu governo garantirá as necessárias condições de segurança para promover uma convivência harmoniosa e a paz social nas comunidades agrárias", afirma a nota. Declarações A preocupação central do Itamaraty e do Palácio do Planalto está nas declarações ambíguas feitas por Lugo e por outras autoridades paraguaias sobre a questão. Além disso, desde a posse de Lugo, em agosto passado, o governo paraguaio resiste em "depositar" o Acordo do Mercosul sobre Residentes, que facilitaria a regularização de brasileiros e de suas propriedades no país. A ação de depositar significa homologar o ato no Mercosul e, portanto, comprometer-se a adotar a nova regra imediatamente. O depósito, no caso, teria de ser feito pelo governo Lugo na própria chancelaria paraguaia. Na nota, o governo brasileiro lembra que Lula havia tocado no assunto com Lugo, em sua visita a Brasília no mês passado. "As ameaças e manifestações de animosidade contra comunidades brasileiras têm sido objeto de apreensão por parte das autoridades brasileiras", afirma o texto. Mas, a preocupação ganhou corpo com a aproximação do prazo final de 72 horas dado por entidades camponesas paraguaias para que o governo Lugo inicie a reforma agrária e expulse brasileiros que, supostamente, teriam adquirido terras irregulares. O prazo termina na quinta-feira. O epicentro da tensão está no Departamento de San Pedro, região onde o atual presidente paraguaio, quando atuava como bispo da Igreja, incentivava as organizações camponesas e discursava contra a ocupação de terras por brasileiros. O Itamaraty reconhece que, parte dos brasileiros instalados nessa região pode ter comprado propriedades que foram, no passado, objeto de reforma agrária. Desde 2004, estrangeiros estão proibidos de ter acesso a essas terras no Paraguai. Fontes do Itamaraty preocupam-se com o fato de que, há meses, as ameaças das organizações camponesas paraguaias de invasão de terra em San Pedro tinham como justificativa o uso de agrotóxicos. Agora, claramente têm o objetivo de expulsar os brasileiros. Nota A nota emitida ontem não toca diretamente em um dos temas que "incendiaram" a opinião pública paraguaia nos últimos dias e que, em princípio, deram novo impulso às ameaças das organizações camponesas - a Operação Fronteira Sul, organizada pelas Forças Armadas brasileiras para o adestramento de 10 mil militares na fronteira com o Paraguai, no Mato Grosso do Sul. No texto, o governo brasileiro teve o cuidado de dissipar qualquer indicação de hostilidade e ressaltar sua "disposição de cooperar" com o Paraguai, até mesmo em programas sociais que possam melhorar a situação no campo. A Operação Sul é a segunda realizada em 2008 naquela região. O Itamaraty deixou claro que o governo paraguaio foi informado de sua realização em maio passado. Mas, no Paraguai, essa operação militar foi percebida como uma ameaça bélica do Brasil. Setores paraguaios vincularam a operação militar a declarações de julho passado do general de Exército Elito Carvalho Siqueira, comandante Militar do Sul, e à publicação do decreto que cria o Sistema de Mobilização Militar, destinado a preparar as Forças Armadas para caso de conflito. Fonte: Tribuna da Imprensa, 23/10/2008 |



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