Lula nunca foi de esquerda, garante Odebrecht; ele é conservador, avaliou Setubal PDF Imprimir E-mail
Política
Fundação Lauro Campos   
Qua, 30 de janeiro de 2008 17:54

Em entrevista à Folha de São Paulo de 13/08/2006, o banqueiro Olavo Setubal (Banco Itaú) avaliava que, do ponto de vista do modelo econômico, ele não via diferença entre as candidaturas de Lula e Alckmin, pois considerava que ambos eram conservadores. Agora, o empreiteiro Emílio Odebrech, em entrevista à Folha de 27/01/2008, garante que conhece Lula desde 1992 e que o ex-metalúrgico nunca foi de esquerda. Transcrevemos abaixo trechos das duas entrevistas.


FSP 13/08/2006

Para fundador do Itaú, não existe diferença sob o ponto de vista do modelo econômico entre os dois candidatos à Presidência.

GUILHERME BARROS - COLUNISTA DA FOLHA

Não existe distinção entre os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB). Os dois são conservadores. A opinião é do banqueiro Olavo Egydio Setubal, 83, presidente do conselho de administração da Itaúsa, holding que controla o banco Itaú. "A eleição do Lula ou do Alckmin é igual", diz. Há quatro anos, Setubal temeu a eleição de Lula. "Quando ele foi eleito, eu tive uma preocupação de que levasse o governo para uma linha de esquerda, mas ele foi mais conservador do que eu esperava."

Segundo Setubal, Lula pode, agora, ganhar de novo as eleições presidenciais e, assim mesmo, o mercado financeiro está tranqüilo. "Não há nenhum sinal de tensão no mercado financeiro." Setubal receberá no próximo dia 21 das mãos de Alckmin o prêmio Personalidade Viva de Cidadania, oferecido pela ONG Associação Paulista Viva, que foi fundada pelo banqueiro. O prêmio será entregue num jantar para 600 pessoas com a presença de grandes empresários, políticos e amigos.

Setubal recebeu a reportagem para conceder a entrevista na sede da Itaúsa numa sala projetada especialmente para abrigar uma exuberante mesa de jacarandá para 12 lugares comprada por ele há 20 anos da família do então embaixador Walther Moreira Salles, fundador do Unibanco. Voz grossa e posições firmes, Setubal, que foi prefeito de São Paulo e ministro das Relações Exteriores, discorreu sobre vários temas, de política a vida pessoal. Sobre juros altos, por exemplo, disse que deveriam cair, mas não sabe a fórmula. "Isso é problema do governo, e não meu." Já a corrupção não o assusta. "Corrupção sempre houve. Basta ler Padre Vieira."

FOLHA - O governo Lula foi uma surpresa?

OLAVO SETUBAL - Havia uma grande dúvida se o PT era um partido de esquerda, e o governo Lula acabou sendo um governo extremamente conservador. Hoje em dia, é muito comum as pessoas falarem, inclusive o Lula, que ele encontrou o país quebrado e depois melhorou. Não é que o país estava quebrado. A visão era que o Lula iria levar o país para uma linha socialista. O sistema financeiro estava tensionado, mas, como ele [Lula] ficou conservador, agora está para ganhar novamente a eleição e o mercado está tranqüilo.

FOLHA - Não há nenhum receio do mercado?

SETUBAL - Nenhum sinal de tensão no sistema financeiro.

FOLHA - O sr. temeu Lula em algum momento?

SETUBAL - Quando foi eleito, tive uma preocupação de que ele levasse o governo para uma linha de esquerda, mas ele foi mais conservador do que eu esperava.

FOLHA - Se ele ou o Alckmin for eleito, para o sr. tanto faz?

SETUBAL - Não tem diferença do ponto de vista do modelo econômico. Eu acho que a eleição do Lula ou do Alckmin é igual.

FOLHA - Os dois são a mesma coisa?

SETUBAL - Os dois são conservadores. Cada presidente tem suas prioridades, mas dentro do mesmo leque de premissas econômicas. Acho que o Lula vai conservar a premissa da linha de superávit primário, de metas de inflação e tudo o mais. São evoluções que estão consolidadas no Brasil e serão mantidas por qualquer presidente.


FSP, 27/01/2008

“Lula nunca foi de esquerda e país vive seu melhor momento”

Empresário baiano defende que sucessor do presidente seja um gestor e cita os nomes de José Serra e Dilma Rousseff; para ele, os Estados Unidos não devem entrar em recessão, mas, caso ela venha, "todos vão sofrer, inclusive o Brasil"

GUILHERME BARROS - COLUNISTA DA FOLHA

Apesar do pânico nos mercados na última segunda, o empresário Emílio Odebrecht, 63, chega para a entrevista num restaurante de Salvador vestindo blazer, sem gravata e sem sinal de preocupação. "Não acredito em recessão nos EUA, mas, se vier, será problemático. Todos vão sofrer, inclusive o Brasil." Otimista, ele acha que o país vive hoje o melhor momento da história. Uma das razões citadas é o fato de Lula, seu conhecido desde 1992, ter mantido a mesma linha dos governos anteriores, o que não foi surpresa para ele. "Lula nunca foi de esquerda." Para sucessor do presidente, defende um gestor e citou os nomes de Dilma Rousseff e José Serra. Ao final das mais de duas horas de entrevista, ele se despediu e saiu do restaurante dirigindo o próprio carro.

FOLHA - Como o sr. enxerga este momento do Brasil? O sr. disse que, na época do milagre, diferentemente de hoje, o Brasil não viveu um ciclo de crescimento sustentado.

ODEBRECHT - Eu considero que, hoje, vivemos realmente um ciclo de crescimento sustentado. As bases, os fundamentos da economia nos dão essa conscientização de que isso é uma realidade. Lógico que há algumas preocupações, mas eu diria que estamos muito menos vulneráveis externamente e internamente do que no passado. Nós quebramos um tabu enorme, que era a chegada de um presidente da esquerda e, mais ainda, um líder dos trabalhadores, e esse tabu não existe mais. O investidor estrangeiro sempre perguntava como se comportaria o Brasil com um presidente com esse perfil de esquerda, com essa ideologia, e veja o que aconteceu. Foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para o nosso país, sem dúvida nenhuma. O investidor estrangeiro viu que os contratos foram preservados, que a linha ideológica, ao contrário, é até mais rígida, em determinados aspectos, do que a dos anteriores. O Brasil tem mais consistência e inspira outro nível de confiança ao investidor. Essa quebra de tabu tranqüilizou os investimentos, e o que se viu é que esse governo não tem nada de esquerda. O presidente Lula não tem nada de esquerda, nunca foi de esquerda.

FOLHA - Mas muitos empresários temiam o Lula?

ODEBRECHT - O empresário muitas vezes pressupõe alguma coisa sem nenhum grau de conhecimento. O sujeito não convive e fica pressupondo.Eu conheço Lula desde 1992, quando tive o prazer de ser apresentado a ele pelo governador Mário Covas. Ele via o presidente Lula como um homem com potencial futuro e, como ele tinha muito bom relacionamento conosco, acreditava muito na gente, apreciava a nossa filosofia, ele achava que essa aproximação seria útil para os dois e para o país. Foi Mário Covas quem nos aproximou.

Foi uma relação extremamente gratificante porque eu tenho certeza que aprendi muito, a organização aprendeu muito, e ele e os companheiros dele que tiveram a oportunidade de conviver conosco também aprenderam bastante, tenho certeza. O empresário não tinha convivido com ele e por isso tinha uma imagem errada dele. Agora, ele não é "menino amarelo" [expressão que significa ingênuo, inocente]. Ele sabe perfeitamente o que quer e a estratégia para conseguir o que quer. Muitas vezes ele aparenta ser um pouco bobo, inocente, mas o "menino amarelo" de inocente não tem nada.

FOLHA - Lula é um pragmático?

ODEBRECHT - Sem dúvida nenhuma, e sabe conviver com Deus e todo mundo, com gregos e troianos. Ele tem um senso crítico, uma intuição que poucos têm. Agora, o sucessor do Lula precisa ter um perfil de gestor, mas que mantenha os conceitos e os fundamentos de hoje.

FOLHA - A ministra Dilma Rousseff poderia ser esse nome?

ODEBRECHT - Pode ser, essa é uma gestora. É o perfil dela.

FOLHA - E o governador de São Paulo, José Serra?

ODEBRECHT - Serra é outro. São pessoas que têm o viés de gestão muito forte. Nós estamos precisando de um gestor público, que não é o caso desses todos que passaram pelo governo até agora. Nenhum deles. O novo ocupante do cargo deve criar as condições para o setor produtivo funcionar.

FOLHA - E Ciro Gomes?

ODEBRECHT - Não vejo. Vejo Ciro mais próximo de Serra e de Dilma.

FOLHA - Qual o melhor governo? Este ou o de Fernando Henrique Cardoso?

ODEBRECHT - São coisas diferentes. Eu diria até que são governos complementares. O atual governo deu continuidade a muitos programas do anterior.

 
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  1. Quando Glauber Rocha chamou Golbery de gênio da raça, nós, da esquerda, caímos de pau sobre ele. Golbery realmente foi um gênio, acabou a ditadura, mas nós ficamos com Mimi, o metalurgico, que governa para os grandes empresários e banqueiros, junto com o eterno Sarney, a classe operária não chegou ao paraíso. Tudo como antes... temo como antes... Não creio em bruxos, mas que eles voam, eles voam...

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