Romper o cerco e politizar a eleição PDF Imprimir E-mail
Política
Afrânio Boppré   
Dom, 29 de junho de 2008 15:29
Afrânio BoppréQual a estratégia do PSOL para a campanha eleitoral de 2008? Esta importante pergunta deve ser respondida a luz de uma definição mais precisa do ponto de vista conceitual. Estratégia é caminho que, se trilhado, acreditamos reunir condições de nos fazer chegar a um determinado objetivo.

Quando se trata de política, este caminho contém elementos de certeza, mas também é farto em incertezas, armadilhas e imensas dificuldades.

Portanto, nenhuma estratégia é pronta e acabada. No decorrer do percurso haverá múltiplas necessidades de responder taticamente. Logo, toda tática está subordinada a uma estratégia e toda estratégia subordinada ao seu objetivo. Sendo assim, devemos nos perguntar também: quais os objetivos do PSOL para as eleições de 2008?

É certo que os setores dominantes tentarão construir uma falsa polarização entre duas alternativas confiáveis para eles. Uma espécie de estadunização (EUA) da política brasileira (democratas versus republicanos ou oposição de direita versus lulo-petismo), sendo que, para o PSOL, a depender da vontade da classe dominante, está reservado o ostracismo e a marginalização. No entanto, é bom frisar que a burguesia não tem controle absoluto sobre o jogo político e, no cenário latino-americano, por exemplo, vem acumulando sucessivas derrotas.

Neste sentido, fica claro que um dos objetivos do PSOL é romper o “cerco” da classe dominante, não se submeter a ela.

O PSOL encontra-se diante de grandes desafios que poderão converter-se em objetivos com respectivas estratégias: assumir-se nacionalmente enquanto partido; negar sua “folclorização”; constituir-se enquanto pólo aglutinador da esquerda socialista no país; difundir o socialismo, dentre outros. Todos eles trazem consigo um tema que é transversal, ou seja: a escala. Os geógrafos sabem da importância das escalas. Na cartografia, por exemplo, ao escolher a escala 1/20.000 se consegue visualizar determinadas coisas e se perde outras. Já quando se escolhe 1/5.000 o resultado é outro.

Tudo é uma questão de opção, que está vinculada com o interesse e os objetivos. Neste momento estamos diante do debate entre escala nacional ou municipal da eleição. O lulo-petismos, confiante nos índices de popularidade de Lula, já deu sinais claros de que pretende nacionalizar e a oposição de direita escolheu a escala municipal; e o PSOL?

Vejam! O nacionalizar do petismo é um apelo plebiscitário entre as opções de governo FHC e Lula; entre o debate de qual neoliberalismo fez mais; sobre a banalização da corrupção; sobre a política econômica “segura e confiável” e a farsa do PAC. Já o DEM e o PSDB vão discutir os problemas municipais sem vinculá-los ao nexus causal do sistema capitalista (violência, trânsito, desemprego, saúde, educação etc.).

Minha opinião, que está aberta ao debate, é a de que o PSOL deve ser flexível às escalas. Nacionalizar e municipalizar sempre com o firme objetivo de politizar o debate e esclarecer o que vem a ser efetivamente esquerda no Brasil de hoje. Politizar e romper o cerco.


Afrânio Boppré é da Executiva Nacional e Presidente do PSOL- SC.