Toda atenção é pouca PDF Imprimir E-mail
Política
Chico Alencar   
Dom, 06 de julho de 2008 17:17
Chico AlencarJunho chega com seus deliciosos festejos juninos e suas quadrilhas do bem, onde pedimos a Santo Antônio, a São Pedro e a São João que "acendam a fogueira" em nosso coração.

Mas junho é também o tempo das convenções partidárias para a definição de candidatos e alianças face às eleições municipais de outubro. E o que se vê, no geral, é muito sombrio e agrava o terrível descrédito para com os partidos políticos – últimas instituições na credibilidade popular, com 78% de desconfiança, segundo pesquisa da Associação dos Magistrados Brasileiros:

1) Caciques das legendas mais fortes do país não têm qualquer pudor em fazer e desfazer acordos de cúpula, baseados em interesses exclusivamente eleitoreiros e de poder, jamais programáticos e lastreados em princípios. Isso só confirma que partido grande também faz pequena política, fisiológica;

2) Há uma geração de jovens políticos inteligentes e de oratória articulada, mas inteiramente submetidos aos cordéis dos neocoronéis que os manipulam como "marionetes". Estes rapazes também não se constrangem em trocar de discurso e de partido, estando sempre prontos para "tudo o que seu mestre mandar". Ampliam a hereditariedade – consangüínea ou não – de pseudo-renovação de velhas práticas políticas, determinadas por chefes que não têm qualquer dificuldade para mudar de posição sem maiores explicações;

3) Líderes políticos reafirmam sua "fé democrática", mas acobertam correligionários acusados de variados crimes e coonestam articulações de máfias políticas e negócios religiosos e empresariais que contrariam esse discurso insincero e demagógico;

4) O presidente da República, entusiasmado com os palanques do PAC, diz que restrições a convênios para obras com prefeituras até outubro são "falso moralismo", mencionando um suposto "lado podre" da hipocrisia, como se houvesse lado saudável. "Hipocrisia saudável" deve ser, por exemplo, adulterar data de exoneração, na undécima hora, para garantir desincompatibilização;

5) As máquinas dos currais municipais, estaduais, federais e "universais" se movimentam e o financiamento das campanhas poderá ser mais que privado: não foram desativados os propinodutos, as lavanderias, as inspetorias e as delegacias da arrecadação espúria que alavancam as campanhas milionárias.

Os alquimistas estão chegando: quantos candidatos vão tentar conquistar mandatos para lavar reputações e fazer da imunidade parlamentar impunidade criminal? Toda atenção é pouca, Justiça Eleitoral!


Chico Alencar é professor de História e deputado federal (PSOL-RJ.


Fonte: JB, 30/06/2008
 
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