Yeda sabia PDF Imprimir E-mail
Política
Luciana Genro   
Dom, 13 de julho de 2008 19:45
Luciana Genro As investigações da Polícia Federal identificaram uma verdadeira quadrilha agindo dentro do Detran. Foram mais de R$ 40 milhões roubados do povo gaúcho, que para sustentar esta quadrilha, vem arcando com um dos custos mais altos do país para fazer a carteira de motorista. Não aceitamos a banalização da corrupção. Não aceitamos, como disse César Busatto (PPS), que “política é assim mesmo”. Os recursos públicos não podem servir para financiar partidos nem enriquecer políticos. Fazem muita falta para a população, na segurança pública, na educação, na saúde. O Rio Grande do Sul vem investindo cerca de R$200 milhões ao ano, e apenas 10% deste montante são recursos próprios, o resto vem de repasses federais. A fraude do Detran, portanto, surrupiou dos gaúchos o equivalente ao dobro do investimento anual próprio que o Estado faz. Esta é a dimensão do roubo.

A conversa divulgada pelo vice governador, entre ele e o então chefe da Casa Civil César Busatto (PPS), mostrou que o caso do Detran não é isolado. A quadrilha não vem agindo somente ali, mas, nas palavras de Busatto, no Daer, no Banrisul... há anos. Aliás, o caso do Banrisul já vinha sendo denunciado pelo vice governador, de onde simplesmente sumiram R$ 18 milhões, segundo os auditores do Tribunal de Contas do Estado. Quando as gravações vieram à tona, a reação da governadora foi muito clara. Deu demonstrações públicas de solidariedade e apreço a César Busatto. Seu pronunciamento de 1 minuto em rede estadual de rádio e TV limitou-se a exaltar os supostos “feitos” do seu governo e a reclamar da atitude do vice, sem negar uma palavra dita por Busatto. Perguntada na TVCom pelo apresentador Lasier Martins se sabia da fraude no Detran a governadora limitou-se a dizer “eu vim para mudar”. Para completar, seu ex-secretário de segurança Enio Bacci também afirmou ter comunicado à governadora sobre os problemas no Detran, e a providência tomada por ela foi remover o Detran da Secretaria de Segurança. Esta claro que Yeda sabia, e que se beneficiou da fraude.

A decisão do Presidente da Assembléia Legislativa de arquivar o pedido de impeachment sem a sua devida tramitação na Casa é politicamente imoral. A Procuradoria da Casa foi muito clara ao afirmar o preenchimento dos requisitos jurídicos para o prosseguimento do processo. O deputado Alceu Moreira, entretanto, aproveitou-se da sua prerrogativa de Presidente do Poder Legislativo para atuar em defesa do governo Yeda Crusius,do qual seu partido(PMDB) faz parte da base de sustentação. Atuou também em defesa do seu próprio partido que é um dos acusados no pedido de impeachment, como beneficiário do esquema de financiamento ilícito através do Banrisul. Vamos recorrer a todas as instâsncias cabíveis.

O orgulho gaúcho está ferido. Quando o escândalo do mensalão tomou conta dos noticiários, demonstrando os métodos do governo Lula para coesionar sua base de sustentação – aliás os mesmos que se desnudaram aqui no governo do PSDB – os gaúchos comentavam com orgulho que não havia nenhum político do Rio Grande do Sul envolvido. Agora ficou evidente que aqui também há políticos corruptos. A forma de resgatar o nosso orgulho é mostrar que aqui no Rio Grande não aceitamos a impunidade, mas sim que punimos com o rigor máximo aqueles que desonram a política em nosso Estado. Por isso vamos seguir lutando, para continuar cantando com orgulho “sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”.

Luciano Genro (RS) é líder do PSOL na Câmara dos Deputados.
 
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