| Quem manda no governo Lula? |
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| Política |
| Milton Temer |
| Seg, 15 de setembro de 2008 14:13 |
Há algo de podre no ar, nessa tentativa acelerada de desacreditar as investigações contra as manobras financeiras fraudulentas de Daniel Dantas e seus cúmplices. Tão podre que começa a exalar um odor insuportável; um cheiro de covardia por parte do governo Lula, capaz de sugerir a idéia de que também no Planalto existe o medo de ver algum pé, próximo, preso numa ratoeira comprometedora.Está certo o ministro Tarso Genro quando afirma ser fundamental identificar quem gerou o grampo da conversa anódina entre o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, e o senador Demósthenes não sei o quê, do PFL (perdão; não consigo engolir a sigla 'democratas' com que essa gente se autodenominou). Mas opera em grave equívoco, e inexplicável recuo, o ministro, quando incorpora a iniciativa do 'defensor' dos direitos humanos 'desprotegidos' de Gilmar Mendes, o empinado tucano Nelson Jobim, hoje homem mais forte do governo. Porque não é de Gilmar Mendes que o protetor dos bancos se ocupa verdadeiramente. Ele se ocupa é da proteção do grande chefe Daniel Dantas, a quem seu primeiro hospedeiro de poder Fernando Henrique Cardoso sempre trabalhou para entregar o controle das telecomunicações privadas do país. E aí se mistura tudo, para chegarmos ao essencial; Daniel Dantas, o predador-chefe, era eminência oculta do governo FHC, no qual Gilmar Mendes ocupava a Advocacia Geral da União e, no qual, Nelson Jobim sentava como ministro da Justiça, antes, e ministro do Supremo, depois, sempre protegendo a "constitucionalidade" das decisões governamentais. E mais; exercendo proteção sobre os principais beneficiários da política macroeconômica neoliberal, implementada por um Banco Central de muitas manchas éticas. Foi dele, por exemplo, o pedido de vistas para um processo que tramitava em sua última instância, no ponto em que a decisão indicava a quase certeza da derrota dos banqueiros-patrões no objetivo de serem liberados de submissão legal ao Código de Defesa do Consumidor. O pedido de vistas tirou a discussão da pauta por anos; pelo menos até que Nelson Jobim já não ocupasse mais sua cadeira naquela Suprema entidade, quando, enfim, foi possível enquadrar esses grandes agiotas. Enfim, o algo de podre nessa discussão tentando desqualificar as investigações que comprovaram de forma ampla a participação de Daniel Dantas em crimes financeiros pantagruélicos, é a forma acelerada com que Lula e seus acólitos se submeteram aos ditames do predador-mór das instituições, ditas, republicanas. E que, pela força que continua tendo no atual governo, apenas comprova o fato de, com sua política assistencialista, o governo Lula ter se transformado num agente protetor da ação nociva do capital fiinanceiro mais eficaz do que o foi seu antecessor tucano FHC. Milton Temer é jornalista e presidente da Fundação Lauro Campos. |



Há algo de podre no ar, nessa tentativa acelerada de desacreditar as investigações contra as manobras financeiras fraudulentas de Daniel Dantas e seus cúmplices. Tão podre que começa a exalar um odor insuportável; um cheiro de covardia por parte do governo Lula, capaz de sugerir a idéia de que também no Planalto existe o medo de ver algum pé, próximo, preso numa ratoeira comprometedora.
Marcos Leite makes this comment
14-04-2009