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Política
Léo Lince   
Sex, 20 de fevereiro de 2009 13:25
Léo LinceA entrevista do senador Jarbas Vasconcelos na revista Veja, sem a menor sombra de dúvida, foi a bomba da semana. Ainda não se sabe, vai depender do desdobrar dos acontecimentos, qual será o potencial de abalo do petardo. Tanto pode ser, como aconteceu naquela célebre entrevista do Pedro Collor, o sinal de alerta para o combate geral à corrupção que mina os pilares da República. Ou, pelo contrário, esgotar-se em si mesma, como o clarão fugaz dos fogos de artifício.

A importância do chamado “desabafo” do senador, que tem o mérito de estimular o debate sobre uma questão crucial da política brasileira contemporânea, está menos do que foi dito e mais no ponto a partir do qual se origina a denúncia. Dizer que o PMDB “é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho nos cargos”, embora verdadeiro, não constitui novidade.  Até as pedras da rua sabem. A grande novidade, mais uma vez a lembrança de Pedro Collor, é ouvir semelhante juízo da boca de Jarbas Vasconcelos.  Ele foi prefeito, governador, deputado e agora é senador pelo denunciado PMDB, do qual é nome nacional e quadro histórico. Se o seu libelo se esgotar na mera entrevista, será o fim da picada.

O grupo da moral homogênea que dirige o ajuntamento peemedebista, como era de se esperar, fez cara de paisagem. Os dois escassos nomes citados na entrevista tiveram reações semelhantes. Renan Calheiros, que voltou a dar cartas no Senado, afirmou nem ter lido, logo, nada tinha a declarar. Sarney leu, mas foi lacônico: “não vou diminuir o debate” e, na certa, tampouco estará interessado em aumentá-lo. Michel Temer, que acumula as presidências da Câmara dos Deputados e do PMDB, não se sentiu obrigado a tomar qualquer providência. Disse, naquele formalismo postiço de mordomo, não estar disposto a “imprimir relevância ao que é destituído de especificidade”. São da turma que querem o esquecimento rápido do episódio e, para tanto, esperam a “compreensão” do próprio denunciante.

Por isso mesmo, está absolutamente certo o PSOL, com sua pequena e aguerrida bancada, quando declara concordância com a denúncia do senador e, ao mesmo tempo, cobra dele o detalhamento de situações, nomes e fatos. Certamente não faltará ao senador, com a vivência dos problemas que lhe animaram a conceder tão contundente entrevista, condições para satisfazer tal requisito. Na certa, o PSOL também deve ter cobrado o apoio do senador para a oportuna iniciativa pela construção, no Congresso Nacional e junto a outras entidades da sociedade, de um Fórum Permanente pela Ética na Política. Operando no mesmo sentido, o presidente em exercício do Conselho Federal da OAB, Vladimir Rossi Lourenço, cobrou do Ministério Público a apuração com urgência das denúncias feitas.

Ao acusar o seu próprio partido de estar dominado pelo intestino grosso da baixa política, Jarbas Vasconcelos recolocou em cena o debate sobre a corrupção sistêmica. Ele sabe que pau que sustenta a lona do circo onde o fisiologismo faz a festa está na chefia dos executivos.  Responsabilizou, com acerto, o governo Lula, mas poderia ter ido além. Para ficar apenas nos três maiores orçamentos do Brasil, faltou nomear o tucano Serra e o demo-pefelista Kassab.  O PMDB está lá, ao que consta com as práticas de sempre, na base de apoio. Ao disputar o partido símbolo da pequena política, tais governos não são prisioneiros, mas beneficiários e artífices de um mesmo e detestável padrão de política.


Rio, fevereiro de 2009


Léo Lince
é sociólogo e mestre em ciência política pelo IUPERJ

 
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  1. Com raríssimas exceções, padecem de corrupção, autoritarismo, etc. TODOS os partidos políticos das nossas nações brasileiras (pois o Brasil são diversas nações índias, além da dominante, nascida da influência europeia). Como pontificou João Pedro Stedile no seminário diocesano de Presidente Prudente em memorável entrevista à TV Fronteira, da rede Globo, nossos partidos só se mexem quando das eleições: são eleitoreiros!
  2. Se o nosso prezado senador, dr. Jarbas, falou, deve portanto saber de muitas maracutaias. Seria bom e mister que o mesmo denunciasse tudo. Que o executivo sempre esteve presente,isto é claro: nota-se pelo apoio dado a certos governadores e afilhados de governadores também eleitos. Parece que o povo não existe, que vivemos em um país imaginário. O duro é que a população vota nesses vampiros da nação. Temos que dar um basta nessa sujeira, ou melhor, nesse esgoto que toma conta da naçao aos olhos de um demagogo que pensa em ficar impune. Em cima desse esgoto, há os filhos que vão pagar por toda corrupçao que praticam: tereis sede, porém tereis os lábios apenas molhados; tereis fome de faisão, porém comereis,ou melhor, tomareis soro. Digo tal e acredito que todo o povo se sente traído. O tempo e o futuro serão maldosos para os dilapidadores da nação.
  3. Parece que falta fazer mais umas perguntas ao Senador. Por que, sabendo tanto e estando sempre dentro do PMDB, só agora ele resolve fazer estas denúncias? Será que quando governou Pernambuco o fisiologismo não existia? E o episódio da compra de votos para a reeleição de FHC, não houve conivência? Ele era aliado de primeira hora daquele governo. Ou será que não?

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