EDITORIAL: Um defunto à beira do Paranoá PDF Imprimir E-mail
Política
Fundação Lauro Campos   
Qui, 05 de março de 2009 12:20
corrupçãoO defunto de um afogado, encontrado à beira do Lago Paranoá, ameaça contaminar o governo sul-rio-grandense com o fedor da decomposição cadavérica em adiantado estado de putrefação.

Tudo começou com a Operação Rodin, da Polícia Federal, que desvendou fraude no Detran gaúcho,  A fraude lesou a autarquia em R$ 40 milhões, pelo menos. 

A deputada federal gaúcha Luciana Genro e o vereador porto-alegrense Pedro Ruas denunciaram a existência de documentos comprometedores e vídeos que flagraram doações irregulares de recursos para a campanha de Yeda Crusius, ademais da repartição de verbas desviadas do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), de negociações irregulares envolvendo a casa de Yeda e do pagamento de contas pessoais da governadora por parte de empresas.

Luciana e Pedro Ruas apresentaram a denúncia em entrevista coletiva, na qual listaram nove episódios que comprovam irregularidades na campanha de Yeda e durante sua gestão no governo. A deputada sustentou que os nove itens integram uma lista de 28 denúncias feitas pelo empresário e lobista Lair Ferst em um processo de delação premiada ao Ministério Público Federal. Lair é réu no caso Detran. Ele gravou os episódios em áudio e vídeo. 

A Polícia Federal investiga agora a ocorrência de crimes eleitorais nesse contexto em que a política gaúcha é passada em revista como um caso de polícia.

A morte de Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora, ocorrida em circunstâncias misteriosas no dia 17, em Brasília, ameaça jogar mais lenha na fogueira.  Marcelo era um dos principais envolvidos nas denúncias de corrupção.  Se as suspeitas de assassinato se confirmarem, um caso de corrupção pode ter chegado ao homicídio, com provável “queima de arquivo”.

Agora, em meio ao incêndio,  depois de a cúpula do PSDB ter ensaiado a blindagem de Yeda Crusius, promovendo o desfile de suas principais lideranças em homenagem à tucana, o líder da bancada pessedebista na Câmara Federal, o deputado José Anibal (SP), pediu a cassação de Luciana Genro por ela ter denunciado o envolvimento da governadora com a prática delituosa de caixa 2.

A ironia é que o líder do PSDB, que nunca fez sequer uma representação ao Conselho de Ética, faça-a pela vez primeira justamente para calar a denúncia de uma parlamentar que tem um histórico de luta contra a corrupção.       

Heloísa Helena, presidente nacional do PSOL, e Roberto Robaina, presidente regional do partido no Rio Grande do Sul, divulgaram um comunicado que acusa o PSDB de haver adotado uma atitude antidemocrática e vergonhosa.

“O PSDB queria o silêncio a qualquer custo. Não, em hipótese alguma Luciana Genro se calará”, enfatiza o comunicado do PSOL.



Pronunciamento no Plenário da Câmara dos Deputados

LucianaA SRA. LUCIANA GENRO (PSOL-RS) - Sr. Presidente, quero dar como lido pronunciamento sobre os conflitos entre o MST e as milícias armadas no Estado de Pernambuco.

Quero também registrar a minha perplexidade e indignação diante da representação feita pelo PSDB no Conselho de Ética contra mim. Esse partido que nunca entrou no Conselho de Ética contra Parlamentares acusados de corrupção agora tenta cercear o livre desempenho legítimo de uma Parlamentar que está no exercício da sua obrigação, enquanto representante popular, de denunciar quando tem conhecimento de corrupção.

Quero dizer a todos, especialmente ao PSDB, que não temo essa representação e vou solicitar ao Conselho de Ética que requeira ao Ministério Público Federal e à Juíza Simone Barbisan Fortes, da Comarca de Santa Maria no Rio Grande do Sul, que estão de posse de todos os documentos, fitas e áudios que comprovam tudo o que o PSOL — eu, o Presidente Roberto Robaina e o nosso advogado e Vereador Pedro Ruas — disse em entrevista coletiva.Dissemos e reafirmamos: o Governo gaúcho está imerso em corrupção, e quem deve responder no Conselho de Ética não sou eu, mas o seu Líder, na Câmara, que está cerceando o livre exercício de um mandato Parlamentar, tentando impedir que eu cumpra o meu dever de denunciar a corrupção.



O PSDB não vai calar Luciana Genro

(Em defesa da Justiça e da Liberdade)

HeloisaO PSOL/RS apresentou há 12 dias uma série de denúncias contra o governo estadual de Yeda Crusius, do PSDB. Como toda a sociedade gaúcha sabe, durante todo este tempo o governo não respondeu as acusações de nosso partido, todas de enorme gravidade, expressões claras da corrupção no governo, corrupção que aliás  já ficou evidente durante a CPI do Detran. E segue sem responder. A omissão do governo é uma confissão de culpa. Depois de 4 horas de reunião, realizada depois da entrevista coletiva em que o PSOl apresentou suas denúncias, o governo estadual decidiu apenas lançar uma nota lacônica dizendo que o MPF desmentia as acusações. Ocorre que o MPF não desmentiu nada. Até hoje os procuradores federais e a juíza não se pronunciaram, deixando claro que o processo corre em segredo de justiça. Nem mesmo os inúmeros líderes do governo nem os empresários citados nas denúncias sequer entraram na justiça contra o PSOL, que neste caso po deria recorrer a exceção da verdade e demandar a apresentação das provas de suas denúncias em poder do MPF.

No dia de hoje, o PSDB, por intermédio de sua bancada na Câmara Federal, entrou contra Luciana Genro, porta voz de nosso partido, no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Não entra na Justiça, mas vai ao Conselho de Ética do Congresso, instituição esta que tem sido marcada por inúmeros escândalos. O PSDB, partido que nunca entrou com representações contra nenhum dos inúmeros deputados federais acusados de corrupção ao longo dos anos, entra contra a deputada que tem sido exemplo de combate contra a corrupção e contra os planos econômicos e sociais antipopulares e a serviço dos grandes banqueiros.

Entra no Conselho de Ética tentando restringir e abafar a voz de uma deputada íntegra, honesta, combativa e que não se curva diante de pressões. Por isso esta tentativa do PSDB de cercear o livre exercício do mandato parlamentar não passará. A sociedade gaúcha resistirá contra esta medida antidemocrática. Todos os democratas do Brasil se erguerão, com certeza, para derrotar esta política do PSDB de perseguir os deputados populares.

É preciso que se diga que a representação do PSDB contra Luciana é uma vergonha. É absurda e insustentável por várias razões:

1)    tenta impedir o livre exercício do mandato parlamentar;

2)    é um ataque antidemocrático ao tentar impedir o que é dever de todo o parlamentar que cumpre suas obrigações constitucionais, sob pena de prevaricação: fiscalizar o Executivo. O PSDB ao entrar com esta representação mostra não quer que seus governos sejam fiscalizados pelo povo ou por seus representantes;

3)    em sua representação diz que Luciana Genro não poderia ter denunciado mesmo que suas denúncias sejam comprovadas. Ou seja, segundo o PSDB, Luciana Genro teria que guardar silêncio mesmo depois de ter recebido documentação que comprova a corrupção no governo estadual do PSDB.

Pior ainda: teria que guardar silêncio mesmo depois da uma morte misteriosa que vitimou tragicamente o ex-assessor do governo de Yeda Crusius em Brasília, assessor que havia sido demitido do governo estadual há pouco mais de seis meses por conta do escândalo do DETRAN. O PSDB queria o silêncio de Luciana Genro a qualquer custo. Por isso entra no Conselho de Ética contra ela. Este, portanto, não é um ataque apenas a Luciana Genro e ao PSOL. É um ataque contra a democracia e contra a justiça. Não, em hipótese alguma Luciana Genro se calará. O PSOL não nasceu para se omitir na luta contra a corrupção das elites, para tolerar o crime do colarinho branco.

A deputada Lucina Genro é um orgulho para nós do PSOL e para todos os homens e mulheres de bem e de paz que não se acovardam em denunciar todas as formas de corrupção patrocinadas seja pelo PSDB, PT, PMDB ou qualquer outra organização que patrocine crimes contra a administração pública.

Heloísa Helena - Presidente Nacional do PSOL

Roberto Robaina
-Presidente Regional (RS) do PSOL
 

 
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6 Comments

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  1. Muito bem, companheira Luciana. 15/03/09 Vamos mostrar a esses indivíduos que nós nunca nos calamos, viu. Força, companheira
  2. Infelizmente, o povo do Rio Grande tem memória muito curta. Será que se esqueceram o que esta senhora fez quando foi ministra relampago de determinado governo e uma de suas primeiras ações foi nomear seu marido no DNER e este imediatamente envolveu-se em corrupçâo neste orgão. Os corruptos, corruptores, ladrôes e canalhas de toda espécie estão aí, o POVO é quem os coloca na mina de ouro para que roubem e sempre impunimente, pois quem os haverá de julgar também faz parte desta imensa quadrilha. Heloisa Helena p/ Presidente e Luciana Genro p/ vice .
  3. Por estas e outras é que tentam de todas as formas possíveis e inimagináveis deter ao PSOL a ascenção. Mas como o Sol nasceu para todos, nunca conseguirão tapá-lo.
  4. É isto mesmo Dep. Luciana Genro, Heloísa Helena, o PSOL e todos os homens e mulheres que repudiam a corrupção e a politicagem. Chega de aturar estes bandidos de colarinho branco que ficam sorrindo como hienas famintas e lobos(as) em vestes de ovelha. Parabéns pela firme e digna atuação p/ frear e mostrar ao Brasil a cara de madeira podre destas autoridadizinhas... Dr. João Bosco/PSOL - RJ
  5. Com a atitude louvável de nossa Deputada Luciana Genro, posso crer que ainda existem pessoas de bem neste pais. O Brasil tem salvação!
  6. Realmente, o único partido que restou foi o PSOL, porque o restante, até o PT, pisou na bola. O próximo a ser denunciado deve ser o Exmo. Sr. Prefeito Luiz Marinho, de São Bernardo do Campo

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