| Protógenes: outro protagonismo |
|
|
|
| Política |
| Chico Alencar |
| Qua, 15 de abril de 2009 10:12 |
Chico Alencar
O delegado Protógenes não é herói nem vilão. O nome incomum identifica apenas um homem comum, falível, servidor público concursado, especializado em desvendar crimes financeiros – estes do "colarinho branco", que sangram a alma da República. Protógenes, como tantos, indigna-se com a impunidade dos poderosos que delinquem. E reitera que ficou impressionado com os tentáculos do banqueiro Daniel Dantas, já condenado por corrupção ativa, cimentando uma rede de negociatas, tráfico de influência – no qual o financiamento de campanhas eleitorais tem papel central – e remessa ilegal de divisas para o exterior. O delegado sempre teve seu trabalho reconhecido na Polícia Federal, até que figurões como Dantas, seu parceiro no Opportunity Dorio Ferman, o ex-prefeito Celso Pitta e o especulador Naji Nahas, entre outros, começaram a ser investigados e presos. A partir daí o delegado ganhou fama e dores de cabeça: passou a ser alvo da CPI, da corregedoria da PF, de onde acaba de ser afastado, e da Justiça. Coincidentemente, foi então que surgiram os questionamentos sobre a "indevida" publicidade de operações policiais e sobre o "uso excessivo de algemas"... Em punhos de renda! A mentalidade colonialista não acabou e há um continuado movimento para blindar as elites contra investigações. Na outra ponta, cresce a criminalização dos movimentos sociais. A Satiagraha levantou que o grupo do banqueiro comanda um esquema de espionagem que investigou ilegalmente empresas e diversas personalidades do mundo político. Isto sim, interessa à CPI! Já o delegado Protógenes passou da condição de investigador a investigado, como o juiz Fausto De Sanctis, alvo de reptos judiciais. Esta inversão de valores gera novidades: o Presidente da Comissão, Deputado Itagiba, ao inquirir seu colega delegado federal, preparou um "PowerPoint" que revelaria contradições do interrogado. Como houve falha técnica, boa parte do depoimento de Protógenes a Itagiba transcorreu com um inusitado pano de fundo, com dizeres sobre as "várias versões" de Protógenes e a indagação garrafal: "onde está a verdade"? Teremos transparências exibindo incoerências do senhor Dantas, quando do seu depoimento, na próxima quinta-feira? Protógenes não é protagonista desta CPI. Empenha-se em recuperar sua atuação profissional, dentro da lei, o que significa não poupar aquele baronato do capital e seus representantes políticos, que se consideram acima dela. Se a CPI dos "grampos" não produzir resultados efetivos, a culpa, por óbvio, não será de Protógenes. O delegado não é "Dom Quixote" nem "Macunaíma". Nas aproximações literárias, assemelha-se mais a um "Policarpo Quaresma", personagem do romance de Lima Barreto, inclusive em iniciativas ingênuas como a de escrever ao Presidente Obama em defesa da soberania nacional brasileira. A epígrafe da obra prima de Lima Barreto contém uma frase de Renan (o francês!) que tem a ver com o que vivem Protógenes e De Sanctis agora: "o grande inconveniente da vida real, e que machuca o cidadão de bem que a ela leva seus valores e ideais, é que ali, frequentemente, as qualidades tornam-se defeitos". Chico Alencar é historiador, professor da UFRJ e deputado federal (PSol-RJ) [Publicado no JB, 15/04/2009] |



Aguinaldo de Cuiabá - MT makes this comment
22-04-2009
Admar Branco makes this comment
21-04-2009
MARIA VICTORIA makes this comment
21-04-2009