Questão de ordem na reforma agrária: Juiz manda Polícia desarmar fazendeiros e sem-terra em Alagoas PDF Imprimir E-mail
Questões Agrárias
Tribuna da Imprensa   
FRI, 29 de FEBRUARY de 2008 10:33

MACEIÓ - O juiz-substituto da Comarca de Piranhas, John Silas da Silva, expediu ontem mandados de busca e apreensão e autorizou a Polícia Civil a fazer uma devassa em fazendas, acampamentos e assentamentos de sem-terra à procura de armas na região. A decisão foi adotada após o confronto ocorrido na manhã da última quarta-feira, durante uma tentativa de ocupação por cerca de 80 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) à fazenda Lagoa Comprida, localizada entre as cidades de Piranhas e Olho d'Água do Casado, no interior do Estado.

O grupo foi recebido à bala por jagunços armados de espingardas e pistolas e oito sem-terra saíram feridos, um em estado grave. O proprietário da fazenda, Jorge Fortes Gonçalves, de 58 anos, foi preso e continua detido em uma das celas da Delegacia Regional de Delmiro Gouveia, a cerca de 300 quilômetros de Maceió.

Em depoimento prestado ao delegado Rodrigo Rocha Cavalcante, o fazendeiro alegou ter sido agredido pelos sem-terra, mas negou ter contratado jagunços para revidar a ocupação da fazenda, que possui cerca de 600 hectares de terra e havia sido ocupada pelos sem-terra no ano passado. Gonçalves conseguiu entrar com uma ação de reintegração de posse e, no acordo, os camponeses teriam de aguardar a negociação com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/AL), para montar acampamento amparado por lei.

Segundo o juiz, o mandado de busca e apreensão está sendo cumprido por agentes civis. "O confronto acirrou os ânimos entre fazendeiros e sem-terra. Não podemos permitir que pessoas armadas estejam à serviço de fazendeiros para intimidar, ameaçar e atirar contra trabalhadores sem-terra. As invasões de fazenda precisam ser tratadas no âmbito da Justiça e da Polícia Militar, que tem um Centro de Gerenciamento de Crise para resolver pacificamente esse tipo de conflito", afirmou o magistrado.

Bloqueios de rodovias

Os trabalhadores rurais sem-terra, ligados ao MST de Alagoas, encerraram o protesto contra a violência no campo e desbloquearam as rodovias no final da manhã de ontem. Eles aguardam um posicionamento da superintendência do Incra sobre o incidente em Piranhas e ameaçam realizar novas manifestações caso não seja agilizado o processo de reforma agrária no Estado.

Durante os bloqueios, nenhum incidente grave foi registrado. Um tiro foi disparado por um PM para o alto, no Município de Paripueira, na grande Maceió, mas ninguém ficou ferido. Segundo a PM, o tiro foi disparado para o alto para dispersar os manifestantes, que tentavam impedir a passagem de um carro pelo bloqueio feito na rodovia AL 101-Norte.

Fonte: Tribuna da Imprensa, 29/02/2008.