Camponeses são expulsos do Alto da Paz PDF Imprimir E-mail
Questões Agrárias
Fundação Lauro Campos   
Dom, 31 de maio de 2009 20:01

Reforma AgráriaO município de Araguatins fica na porção ocidental do estado do Tocantins, reconhecido como estado da federação em outubro de 1988, há pouco menos de 21 anos. No entanto a região é palco de conflitos agrários há décadas. Em menos de cinco anos, apenas na localidade onde se concentra o latifúndio Santo Hilário, foram feitas três denúncias graves: uma de trabalho escravo e duas ações violentas de bandos de pistoleiros a mando do latifúndio que aterrorizaram as famílias camponesas. A mais recente no dia 2 de abril.

Casa de farinha destruída, mandioca jogada fora e mobília destruída durante o despejo

Em agosto de 2004 o Grupo Móvel de Fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego descobriu um cativeiro no latifúndio Santo Hilário com 13 pessoas de uma mesma família vivendo em condições degradantes e seis trabalhadores em condições de escravidão. Três anos depois, em agosto de 2007, o latifúndio Santo Hilário foi palco de um enfrentamento entre camponeses e bandos de pistoleiros e policiais militares que culminou com o assassinato do camponês José Reis, de 25 anos.

Recentemente, no último 2 de abril, o acampamento Alto da Paz, localizado ao lado da fazenda Santo Hilário, foi alvo de uma nova ação de bandos de pistoleiros. Os camponeses denunciaram que, por volta das 12h, três pistoleiros atiraram cinco vezes do interior de um veículo contra o acampamento. Um camponês foi atingido no braço.

No dia seguinte, uma ação de reintegração de posse despejou as 100 famílias que se retiraram para as margens da Fazenda Santo Hilário. As famílias ocupavam e cultivavam aquelas terras há seis anos. Constituíram suas famílias,  casas, roças e uma casa de farinha.

Mesmo produzindo e vivendo há tanto tempo naquelas terras, o Incra e o Estado tergiversam e não dão a posse da terra aos camponeses. Eis a "reforma agrária" da gerência Luiz Inácio. A repetição da velha história que vemos tantas vezes em várias regiões do país nas áreas coordenadas pelas direções governistas e oportunistas do movimento camponês atrelado ao MST e PT: acampamentos eternos e camponeses sem a posse efetiva da terra, sem o poder de decidir e governar em suas áreas.

Essa foi a terceira ação de despejo sofrida pelos acampados, que segundo as últimas informações, foram deslocadas e improvisadas no pátio da sede do Incra, em Araguatins.

O ano de 2007 no Tocantins foi marcado pelo acirramento dos conflitos no campo, entre os vários fatores, temos a demora em assentar as famílias acampadas que completaram um qüinqüênio debaixo da lona preta e das taperas, enquanto o Incra(TO) comemora os recordes de fazendas desapropriadas e acontece a mais célere desapropriação na história da reforma agrária, recorde do setor de obtenção. Na mesma linha de contradição, a CGU anuncia quase 10 mil assentados suspeitos de serem funcionários públicos no estado, sobretudo na região da Apa do Cantão. O número de trabalhadores libertos do trabalho análogo ao escravo nunca foram tão expressivos. Emerge a pergunta! o que está acontecendo? Trágico, para o ano de 2009, o cenário não mudou, continua se agravando o clima de revanchismo dos fazendeiros e o Poder Publico continua omissão no enfrentamento da questão agrária nas áreas de real conflito.


Contato:

Fone: 63 3412-3200        CPT/Araguaína(TO)
63 3 215-4931        CPT/Palmas(TO)

 
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