| Lutadoras |
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| Questões de Gênero e Orientação Sexual |
| Claudia Mazzei Nogueira |
| Qua, 18 de março de 2009 11:27 |
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Não podemos deixar de lembrar que uma relação de igualdade substancial (Mészáros) no espaço reprodutivo (como no espaço produtivo) não é do interesse e, nem tampouco, faz parte da lógica do capital, que no máximo “permite” uma relação de igualdade apenas formal. Marx, nos Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844, já nos lembrava que, na “relação com a mulher como a presa e a criada da luxúria comunitária está expressa a degradação infinita em que o ser humano existe para si mesmo, pois o segredo desta relação tem a sua expressão inequívoca, decidida, manifesta, desvelada na relação do homem com a mulher e no modo como é tomada a relação natural, imediata do gênero”. O que nos permite evidenciar, em grande medida, que a lógica do capital se opõe frontalmente ao processo de emancipação da mulher, uma vez que ele necessita, para a preservação do seu sistema de dominação, do trabalho feminino preservado pelos mecanismos estruturais que geram a subordinação da mulher. Desse modo, ao seguir o caminho realizado pelos textos, vemos sensibilizadas a importância da luta feminina ocorrida no transcorrer do processo histórico, representada por mulheres com forte ideologia emancipadora e principalmente, que acreditam na superação da opressão/exploração de gênero e classe, da propriedade privada e consequentemente na superação do capital. Não podemos esquecer que a verdadeira emancipação, a emancipação humana de homens e mulheres, só é possível na sociedade socialista. Na edição argentina de Lutadoras encontramos, como diz o subtítulo, histórias de mulheres que fizeram história como, por exemplo, Flora Tristán, Louise Michel, Rosa Luxemburgo, Clara Zetkin, Pen Pi Lan, Edith Bone, entre outras importantes lutadoras. Na edição brasileira, organizada por Diana Assunção, essa estrutura foi praticamente mantida, sendo incluídas novas personagens revolucionárias brasileiras que se inserem nessa luta. Personagens importantes na luta pela emancipação feminina no Brasil, como por exemplo, Patrícia Galvão, mais conhecida como Pagu, que se destacou como escritora, poetisa e jornalista, uma mulher feminista, marxista, revolucionária e militante que durante a sua vida conviveu com conquistas e muitas perdas como a prisão, o exílio e a dissidência política. Outra inserção que temos na edição em português é o texto que disserta bravamente sobre a luta das mulheres trabalhadoras no crítico período da década de 1970. Fazendo uma bela retrospectiva sobre a precarização da classe trabalhadora e, em especial, a acentuada precarização da força de trabalho feminina. Pois bem, essa coletânea de textos presente no livro Lutadoras é de fundamental importância para que se possa resgatar, considerando o contexto histórico mundial, toda a beleza, sofrimento, sensibilidade, ideologia e, acima de tudo, a coragem dessas mulheres em lutar, sacrificando sua vida privada por uma causa maior. A causa de uma sociedade sem opressão de gênero e exploração de classe, ou seja, a luta pela emancipação feminina e humana, a luta por uma outra sociedade, a luta pela sociedade socialista.
Claudia Mazzei Nogueira é professora do DSS - UFSC TÍTULO: Lutadoras. Histórias de mulheres que fizeram história. TÍTULO ORIGINAL: Luchadoras. Historias de mujeres que hicieron historia. COLEÇÃO: Iskra Mulher AUTORA: Andrea D’Atri e Diana Assunção (org.) PÁGINAS: 328 ANO DE PUBLICAÇÃO: 2009 ISBN: 978-85 61474-01-0 PREÇO: R$ 20,00
Há séculos, o papel das mulheres na história tem sido silenciado. A base desta eliminação de metade da humanidade nos processos históricos está na opressão social das mulheres e na forma como o capitalismo se apropria desse elemento para perpetuar o domínio de uma classe sobre a outra. Mas o que vale ressaltar é que este silêncio se deu de forma mais aguda quando se tratou das mulheres lutadoras, rebeldes e revolucionárias. Em 2008, com o livro Pão e Rosas. Identidade de gênero e antagonismo de classe no capitalismo, de Andrea D´Atri, as Edições ISKRA apresentaram a sua Coleção Mulher, com o intuito de tratar das questões centrais no debate do marxismo e feminismo acerca da relação entre a mulher e a classe, e entre a opressão e a exploração. Agora, com o apoio do grupo de mulheres Pão e Rosas, as Edições ISKRA apresentarão o livro Lutadoras. Histórias de mulheres que fizeram história, com organização original de Andrea D´Atri. Resgatando a história de bravas mulheres como Flora Tristan, Louise Michel, Rosa Luxemburgo, entre outras, a edição brasileira, organizada por Diana Assunção, traz novos artigos sobre mulheres brasileiras, como Patrícia Galvão, e uma primeira reflexão sobre o papel das mulheres na reorganização operária da década de 1970 no Brasil. |



Lutadoras é mais um livro organizado por Andrea D´Atri que, com sua vertente crítica, se mantém fiel ao recorte de classe e gênero, tão pouco em evidência nos últimos tempos. Será priorizando a luta de classe com enfoque na emancipação feminina que a coletânea de textos presentes nesse livro transcorrerá.
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