| Marx não morreu. Ele está vivo e mora nos EUA |
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| Questões Ideológicas |
| Paulo Henrique Costa Mattos |
| Sex, 10 de abril de 2009 18:40 |
Depois de décadas de ser relegado ao plano do esquecimento e de acusações de incompreensão do mundo real e da dinâmica econômica, as idéias de Karl Marx estão novamente no centro das atenções com a recente e inexorável crise do sistema capitalista. Liberais e neoliberais de plantão estão descobrindo pela força da tragédia econômica que suas idéias não estão tão ultrapassadas como diziam e nem podem ser relegadas como queriam.É assombroso ouvir da boca do homem de negócios e político liberal George Soros, por exemplo, a seguinte frase: “ando lendo Marx e há muitas coisas interessantes no que ele diz; ele estava certo quanto à tendência inevitável às crises do capitalismo”. Esse renascimento do interesse público por Marx no mundo capitalista está sendo acelerado pelo fato de que a crise econômica internacional é particularmente dramática e, nesse período de globalização do livre-mercado, atingirá todos os países do mundo, talvez num cenário como nunca visto até hoje. A genialidade de Karl Marx mais uma vez está presente na compreensão dos acontecimentos recentes quando constatamos que há mais de cem anos ele já previa que a natureza da economia mundial do capitalismo só o colocaria mais frágil e perto do colapso, marcado por instabilidades no setor financeiro e político. Não é surpreendente que os capitalistas mais inteligentes (e eles existem), especialmente no setor financeiro globalizado, fiquem impressionados com Marx, já que eles são necessariamente mais conscientes que os outros sobre a natureza da economia capitalista na qual eles operam. Hoje Marx já não é mais moda nas academias e, na maioria dos círculos intelectuais de esquerda, já não sabe o que fazer com suas idéias, contudo a prova de que a ideologia do livre mercado não representa o “fim da história” nem o capitalista é o “sistema definitivo”, como previu Francis Fukuiama, está mais uma vez confirmada. É verdade que Marx andou desaparecido por uns tempos, fruto da desmoralização do socialismo real e da desmoralização do projeto social-democrata na maioria dos Estados do Atlântico Norte, nos anos 1980, e pela conversão maciça dos governos nacionais à ideologia do livre mercado, assim como pelo colapso dos sistemas políticos e econômicos que afirmavam ser inspirados pelas idéias marxistas. Mas assim como aquele tipo de sociedades tinha pouco haver de fato com o que Marx pregava, é verdade que hoje o “proletariado” está longe de ter condições reais de “tomar o poder” em alguma parte do planeta, apesar da imensa crise sistêmica do capitalismo. Infelizmente a classe operária hoje está dividida, diminuída e sem capacidade de se transformar a curto prazo num agente agente histórico da transformação social preconizada por Marx. E o que é pior, hoje os mais proeminentes movimentos sociais desconhecem as idéias de Marx e preferem a ação direta não necessariamente baseada em muitas leituras e análises teóricas. Um erro que ainda custará muitos equívocos e sofrimentos para milhões. Depois de 30 anos de neoliberalismo, de fundamentalismo de mercado, de arrogância intelectual de alguns poucos ditos “iluminados”, é emocionante ver um Alan Grespan, ex-presidente do Banco Central norte americano, dizer que suas idéias estavam erradas e que o Estado ainda tem um papel fundamental na economia. É sem dúvida uma vingança deliciosa da História, aquela que disseram estar morta, assim como o velho Karl, pregar mais essa peça aos donos do capital. Ao longo de sua vida, Marx foi um agudo e incansável investigador, que percebeu e analisou melhor do que ninguém em seu tempo o desenvolvimento do capitalismo em escala mundial. Ele foi o primeiro a entender que o nascimento de uma economia internacional globalizada era inerente ao modo capitalista de produção e previu que este processo geraria não somente o crescimento e prosperidade alardeados por políticos e teóricos liberais, mas também violentos conflitos, crises econômicas e injustiças sociais generalizados. A crise dos empréstimos hipotecários que começou nos Estados Unidos em 2006 e agora se torna a maior crise financeira do pós-guerra só é mais um reflexo dessa verdade descoberta a muito pelo arguto Marx. Então, é correto dizer que aqueles que ainda não venderam os livros de Marx para o sebo da esquina, devem mais uma vez retomar o interesse por sua obra, que ainda consegue explicar muito bem a crise da sociedade capitalista e as profundas contradições do mundo atual. Pois que viva Marx e suas idéias! Paulo Henrique Costa Mattos é professor de Sociologia da UNIRG e Presidente do PSol-TO |



Depois de décadas de ser relegado ao plano do esquecimento e de acusações de incompreensão do mundo real e da dinâmica econômica, as idéias de Karl Marx estão novamente no centro das atenções com a recente e inexorável crise do sistema capitalista. Liberais e neoliberais de plantão estão descobrindo pela força da tragédia econômica que suas idéias não estão tão ultrapassadas como diziam e nem podem ser relegadas como queriam.
Maria de Jesus makes this comment
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