Cresce mortalidade materna; mortalidade infantil é de 24,9 no Brasil para 5,3 em Cuba PDF Imprimir E-mail
Saúde
Escrito por Fundação Lauro Campos   
Ter, 22 de janeiro de 2008 07:40

O relatório Situação Mundial da Infância 2008, divulgado hoje (22) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mostra uma redução na mortalidade infantil, que , no entanto, continua muito alta.

Segundo o documento, em 1990 a taxa entre crianças de até 1 ano de idade era de 46,9 mortes para cada mil. Em 2006, este índice caiu para 24,9 – praticamente metade do patamar anterior. No mesmo período, a redução de mortalidade entre crianças até 5 anos de idade foi de cerca de 50%. Em Cuba, em 2007, o índice foi de 5,3 falecimentos para cada mil nascimentos, o que revela o descalabro da saúde materno-infantil brasileira.

O relatório revela ainda os números da exclusão no Brasil: as crianças pobres têm duas vezes mais chances de morrer do que as ricas. A taxa de mortalidade também é maior entre a população indígena (48,5 para cada mil nascidos vivos) e entre filhos de mães negras – 27,9 por mil, 37% acima do registrado entre filhos de mães brancas. Por estados, os maiores índices estão em Alagoas, Maranhão, Pernambuco e Paraíba. A menor taxa de mortalidade é registrada em estados do Sul e Sudeste: Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina.

O Unicef cita dados do Ministério da Saúde que indicam que nos últimos cinco anos caiu mais de 60% o número de crianças desnutridas com até 1 ano de idade. Mesmo assim, ainda são, no país, 60 mil crianças abaixo do peso nessa faixa etária. Na faixa até 2 anos, a redução foi de 72,4% – cerca de 3,5% das crianças estão abaixo do peso, segundo o documento.

No Nordeste o número é quatro vezes maior do que na Região Sul. O pior índice está em Alagoas, onde a desnutrição atinge 7% dos meninos e meninas com menos de 2 anos de idade. O Distrito Federal tem o melhor resultado – 0,7% das crianças são desnutridas nessa idade.

Na área de educação, apenas 15,5% dos 11,26 milhões de meninos e meninas com menos de 3 anos freqüentam creches. O índice é melhor do que os 10,7% registrados em 2001. Na faixa entre 4 e 6 anos de idade, 76% de um total de 9,39 milhões de crianças estão matriculados na pré-escola – acima dos 65,6% de 2001.

Embora a redução da mortalidade materna faça parte do quinto Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, o número cresceu 2,1% no Brasil entre 2000 e 2005, passando de 52,3 mulheres para 53,4 por 100 mil. O maior aumento ocorreu no Centro-Oeste (39,3%), seguido do Nordeste (16,3%) e Sul (2,1%). No Sudeste houve queda de 15,6% na mortalidade materna, e no Norte, redução de 7,7%.