| Ágata, 11 anos, a nova vítima da violência no Rio: menina morre baleada em operação policial na Rocinha |
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| Segurança Pessoal e Direitos Humanos |
| Escrito por Tribuna da Imprensa |
| Sáb, 16 de fevereiro de 2008 09:55 |
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Estudante da 5ª série, Ágata Marques dos Santos, de 11 anos, aproveitava os últimos dias de férias na casa do pai, na Favela da Rocinha, em São Conrado (Zona Sul), diante do computador, comendo biscoitos e bebendo café com leite. Ouviu o barulho de fogos e ensaiou ir até a janela. Advertida pelo pai, voltou e sentiu uma dor no braço. Em poucos segundos, ela desmaiou e morreria minutos depois a caminho do Hospital Miguel Couto, na Gávea, a poucos metros da escolinha de natação que freqüentava no Clube do Flamengo. "Quando ouvi os fogos e tiros, fui até a janela pedir para as pessoas saírem da rua. Vi uma viatura da polícia atirando na direção da minha casa e saí. Minha filha tinha me seguido e gritei com ela, que disse 'pai, tá doendo o meu braço'", contou o motorista autônomo Claudino Silva dos Santos, de 36 anos. O pai de Ágata pegou a filha no colo e saiu em busca de socorro. Na entrada de casa, ele não suportou o peso e foi pedir ajuda na rua. Encontrou a viatura que entrou atirando estacionada quase na porta da casa, localizada na região da favela conhecida como Rua 2, no alto da favela. "O policial me perguntou o que tinha acontecido e eu respondi: preciso de ajuda, vocês acabaram de matar a minha filha", revelou Santos. Segundo ele, a viatura era da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), a unidade de elite da Polícia Civil, que deu apoio a uma operação com 150 policiais das Delegacias de Roubo e Furto de Cargas (DRFC) e Delegacia de Roubo e Furto de Automóveis (DRFA), iniciada às 13h30. Pouco antes, os mesmos agentes fizeram uma operação na Favela de Acari, na Zona Norte, onde dois homens foram mortos e uma família chegou a ficar refém de bandidos em fuga. O objetivo da operação, segundo o Delegado-titular da Core, Rodrigo Oliveira, era prender o chefe do tráfico da Rocinha Antônio Francisco Bonfim, o Nem. "Fomos recebidos a tiros na localidade conhecida como Largo do Boiadeiro onde ocorreu o tiroteio. Ocupamos a favela até a região conhecida como Cachopa. Não fomos até o local onde a menina foi baleada, que fica na parte alta da favela. Tive conhecimento do fato pela imprensa", justificou o delegado. Ele chegou a afirmar que a casa do pai de Ágata ficaria voltada para a Gávea, do outro lado da favela. Porém, a vista da casa é para São Conrado. No Hospital Miguel Couto, funcionários confirmaram que Ágata foi levada em uma viatura policial, mas afirmam que o carro seria da DRFC. Agentes da DRFC confirmaram que estiveram no local, trocaram tiros com bandidos e socorreram a menina. O quarto em que Ágata foi baleada ficou com pelo menos seis marcas de tiros nas paredes. De acordo com o pai da menina, o primeiro sinal de que a rajada partiu da viatura policial. "É um procedimento comum. Eles sempre chegam atirando para intimidar os bandidos. É um erro. Não somos contra as operações, mas não queremos uma polícia que mate nossas crianças", disse o presidente da Associação de Moradores da Rocinha, Luiz Claudio Oliveira. Parentes dos dois únicos detidos na operação, identificados como Cleumar Gomes da Silva, de 32 anos e um homem identificado como Andrezinho, apontado como um dos chefes do tráfico, disseram que eles eram inocentes. Eles foram presos em casa com armas e drogas, mas negaram as acusações. "Quebraram minha casa toda. Meu filho é trabalhador", disse a tia de Cleumar, que chegou a discutir com o delegado da Core. No caminho para o hospital, mesmo revoltado, o pai evitou discussões. A Secretaria Municipal de Saúde informou que Ágata chegou morta ao Miguel Couto. O tiro atravessou o braço, entrou pelo tórax, atingiu o coração e vários órgãos vitais e saiu do corpo da menina, segundo os médicos. Parentes e amigos recolheram os projéteis para a delegada-titular da 15ª Delegacia de Polícia da Gávea, Márcia Julião, que investigará a morte. Na quinta-feira, o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, disse que a "política de enfrentamento" nas favelas vai continuar. Fonte: Tribuna da Imprensa, 16/02/2008. |


