RJ: Violência aumenta no primeiro ano de Cabral PDF Imprimir E-mail
Segurança Pessoal e Direitos Humanos
Escrito por Tribuna da Imprensa   
Qui, 20 de março de 2008 17:51
A política de confronto desenvolvida em 2007 pela Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, no primeiro ano do governo Sérgio Cabral, resultou em um aumento de 25,1% de mortes em supostos confrontos com policiais. Porém, não teve correspondência nas apreensões de armas e drogas, cujos índices mostram quedas de 16,9% e 5,7%, respectivamente. Em 2006, as chamadas mortes por resistência totalizaram 1.063. No ano passado, foram 1.330, isto é, 267 a mais.

Outro número que chama atenção no balanço das ocorrências de 2007, feito ontem pela Secretaria de Segurança, é o aumento de policiais mortos em dias de folga. Em 2006, foram 93; no ano passado subiu para 119, um crescimento de 26%. Uma das possibilidades admitidas pelo secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, é que as vítimas sejam policiais que se envolveram com as milícias. Mas esclarece:

"Só com uma maior investigação, poderemos confirmar esta possibilidade". Já o crescimento do número de policiais assassinados em serviço limitou-se a 10,3%: de 29, em 2006, passou para 32 no ano passado. Também foi negativo o índice dos chamados roubos de rua, que incluem assaltos a transeuntes e em coletivos e roubos de celulares, que cresceram. Pularam de 62.784 em 2006 para 75.433 em 2007. "É um dado preocupante por ser um crime violento, que usa de força ou de um instrumento que atenta contra a integridade física ou a vida das pessoas", admitiu Beltrame.

Para ele, entretanto, o crescimento deste tipo de criminalidade resulta exatamente do maior combate ao chamado crime organizado. "Ao se mexer no ápice da pirâmide, estas pessoas vêm para o centro da cidade fazer pequenos crimes - pequenos porque são crimes que não afrontam o coletivo, mas afrontam em muito quem sofre a ação", afirmou.

O número positivo foi a redução dos homicídios dolosos, em 3%. Foram 6.323 em 2006; no ano passado ficaram em 6.133. "Isto para nós é importante; foram 190 vidas preservadas. Acho que é um crime maior porque tira a vida e nós preservamos 190 vidas" , destacou o secretário. A queda na apreensão de armas - 13.312 em 2006 ante 11.062 em 2007 - é um dado que se repetirá, na opinião de Beltrame.

"Vai se prender menos armas porque não adianta prendermos arma de caça, garrucha de 1919, um revolver calibre 22 argentino. Aos poucos, estas armas não têm mais este mercado. A polícia do Rio apreende 15 mil armas por ano e não há mercado que reponha isto". No entanto, ele chamou a atenção para o crescimento das apreensões de granadas: de 1.041 em 2006 para 1.297 em 2007. Não comentou, entretanto, a queda na apreensão das drogas - 10.793 quilos em 2006 contra 10.178 no ano passado.

O secretário lembrou que, ao tomar posse com o governo Sérgio Cabral Filho, encontrou a cidade conflagrada, com diversos ataques comandados por lideranças do tráfico que estavam presas em Bangu 1 - 12 delas foram transferidas para Catanduvas, no Paraná. "Entendemos que a ação tinha que ser pontual sobre estes núcleos criminosos que comandavam estas ações - pessoas queimadas vivas em um ônibus na avenida Brasil, um cidadão alvejado pelas costas prestando ocorrência na 6ª DP. Não são ações de vingança, são ações nas quais se localizou o núcleo e se foi buscar o resultado", disse.

Na explicação do aumento de mortos em confrontos, ele frisou que estas 267 vítimas "em tese, são pessoas engajadas no confronto. Não são pessoas que foram mortas na rua, que passaram e levaram um tiro". Garantiu que não mudará a chamada política do confronto, mas reprisou mais uma vez que só o trabalho da área de segurança não dará resultado. Beltrame está confiante nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em comunidades como o Complexo do Alemão, a Favela da Rocinha e em Manguinhos.

Considerou o grande desafio da área de segurança o índice dos roubos de rua, pois trata-se de algo que só se combate com policiamento ostensivo. Beltrame não revelou o número de policiais na ativa, tampouco o número de novos policiais contratados na sua gestão, mas disse que estas novas contratações praticamente já foram anuladas com as mortes, aposentadorias, licenças de saúde ou mesmo o pessoal que pediu transferência para áreas administrativa. O déficit de policiais nas ruas do Rio, segundo ele, é de 10 mil homens. O governador Sérgio Cabral disse que a política de segurança não mudará e que o confronto com os bandidos vai continuar.

Fonte: Tribuna da Imprensa, 20/03/2008.