Chico Alencar cobrará mais preparo das Forças Armadas PDF Imprimir E-mail
Segurança Pessoal e Direitos Humanos
Agência Brasil   
TUE, 17 de JUNE de 2008 15:20
Brasília - O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) está elaborando um relatório sobre a intervenção das Forças Armadas na segurança pública. O documento será encaminhado à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados até amanhã (18).

Alencar está elaborando o material a partir dos fatos ocorridos no último sábado (14), no Morro da Providência – na zona portuária, no centro do Rio de Janeiro – que trata da atuação de 11 militares que participaram da morte de três jovens detidos pelo Exército.

“O próprio comando foi induzido a mentir. Isso tudo revela a total falta de preparo, além do arcabouço legal para a atuação das Forças Armadas na repressão direta dos conflitos urbanos”, explicou o deputado.

De acordo com o parlamentar, a partir desse levantamento, a comissão irá aprovar uma audiência pública com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e com o comandante do Exército, Enzo Martins Peri.

Em entrevista ao programa Notícias da Manhã, Alencar destacou que inseriu em seu relatório uma nota oficial do Comando Militar do Leste do Rio de Janeiro, que negava a detenção na manhã do último sábado (15) na Providência, mas logo os jovens foram deixados na Avenida Presidente Vargas e os corpos, encontrados em um aterro sanitário, na Baixada Fluminense, no dia seguinte.

Alencar acredita que as apurações serão realizadas até resolver o problema. “Nós temos essa expectativa. O clamor público é imenso. Esse assunto tem repercussão internacional. A democracia fica maculada e o nosso regime republicano fica ferido”, acrescentou.

Ele lembrou ainda que na semana passada, a pesquisa divulgada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) apontou que as Forças Armadas é a instituição que tem o maior índice de credibilidade da população brasileira.


Protesto contra morte de jovens em frente ao Comando Militar termina em confusão

Vladimir Platonow  -  repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Terminou em confusão a manifestação que moradores do Morro da Providência fizeram em frente ao Comando Militar do Leste (CML). Cerca de 200 pessoas se posicionaram em frente à sede do comando para protestar contra o suposto envolvimento de militares do Exército na morte de três jovens presos por soldados na noite de sábado (14) e entregues a traficantes rivais no Morro da Mineira.

Marcos Paulo Rodrigues, de 17 anos de idade, Wellinghton da Costa, de 19 anos, e David da Silva, de 24 anos, foram encontrados mortos no lixão de Gramacho, em Duque da Caxias, na Baixada Fluminense.

Após o enterro dos jovens, no Cemitério São João Batista, os manifestantes se dirigiram para a frente do prédio do Comando Militar do Leste com faixa e cartazes e passaram a xingar os militares da Polícia de Choque do Exército que faziam a segurança do local. Houve confronto e os manifestantes foram reprimidos com bombas de gás lacrimogênio. A fumaça se espalhou por toda área da Central do Brasil provocando corre-corre.

O trânsito ficou prejudicado na Avenida Presidente Vargas nas imediações do comando, principal via de acesso do centro para as zonas sul e norte da cidade.

Um grupo de manifestantes ainda se dirigiu para a 4ª Delegacia de Polícia, onde estão sendo conduzidas as investigações. Houve novo protesto que provocou outro tumulto, desta vez com a Polícia Militar, que usou gás de pimenta e cassetetes para dispersar os manifestantes.


OAB diz que participação de militares na morte de jovens arranha imagem do Exército

Mariana Jungmann - repórter da Agência Brasil

Brasília - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, divulgou hoje (16) repudiando o envolvimento de militares do Exército na morte de três jovens moradores do Morro da Providência, no Rio de Janeiro. Britto disse que o assassinato dos três é “um escândalo torpe, intolerável”, que "arranha a imagem do Exército".

Na nota o presidente da OAB afirma que o aparelho de segurança pública do Rio de Janeiro necessita de reformas e que os militares deveriam agir como pacificadores de uma situação de guerra civil, “a qual espantosamente nos acostumamos”, em que os moradores das regiões mais pobres estão expostos à “presença nefasta de traficantes, milícias pára-militares e polícia, frequentemente tão agressiva e predadora quanto os delinqüentes”.

Cezar Britto considerou também que, ainda que os jovens fossem culpados, não cabe ao Estado brasileiro assumir papel de justiceiro, “igualando-se ao criminosos em atos de tortura e execuções sumárias”.

Os três jovens foram encontrados mortos em um lixão da Baixada Fluminense horas depois de terem sido abordados por militares do Exército.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Ricardo Dominguez, apesar de um oficial superior mandar liberar os rapazes após uma revista, um tenente determinou que eles fossem colocados num caminhão e levados para o Morro da Mineira, onde foram entregues a traficantes de uma facção rival à do Morro da Providência.

Hoje três militares se entregaram e confessaram a participação no episódio. Eles estão presos no Primeiro Batalhão da Polícia do Exército, no Rio.

 

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