Delegados e policiais fazem greve em Alagoas PDF Imprimir E-mail
Segurança Pessoal e Direitos Humanos
Escrito por Tribuna da Imprensa   
Ter, 15 de janeiro de 2008 19:40

Os delegados de Polícia Civil de Alagoas deram início ontem a uma greve de advertência que deve durar três dias, em protesto contra a defasagem salarial e as péssimas condições de trabalho nas delegacias. Com isso, agrava ainda mais a situação da segurança pública em Alagoas, uma vez que os policiais civis do Estado estão em greve há quase seis meses.

A paralisação dos delegados teve início às 8h e deve prosseguir até a manhã da próxima sexta-feira. Durante a greve, todos os procedimentos nas delegacias de Alagoas serão suspensos. Segundo o presidente da Associação dos Delegados da Polícia Civil de Alagoas (Adepol), Antônio Carlos Lessa, apenas a Delegacia de Plantão 1 (Deplan 1), no bairro do Farol, em Maceió, funcionará.

"Todas as investigações estão suspensas até sexta-feira; apenas os flagrantes serão registrados na Deplan 1", afirmou Lessa. Segundo ele, a categoria reivindica a equiparação salarial com os procuradores de Estado e defensores públicos, que nos últimos três anos tiveram os salários reajustados e passaram a receber R$ 17 mil, enquanto os delegados no início da carreira recebem cerca de R$ 7 mil.

Lessa disse ainda que a reivindicação não é uma novidade, mas algo previsto em lei. Segundo ele, a equiparação salarial era cumprida há alguns anos, mas nos últimos anos deixou de ser respeitada, o que provocou a defasagem salarial em comparação com outras categorias. "Estamos reivindicando também melhoria nas condições de trabalho, já que atuamos em delegacias superlotadas e sem as mínimas condições de higiene", acrescentou.

Em relação à greve dos policiais civis, que começou no dia 1º de agosto, a reivindicação é pela equiparação salarial com os peritos criminais, que recebem em média R$ 3 mil, enquanto os salários dos agentes policiais não passaram de R$ 1.500. Desde o início da paralisação, apenas os flagrantes são registrados nas delegacias.

Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol), Carlos Jorge Rocha, as negociações com o governo do Estado estão suspensas.

"Intransigência"

O secretário estadual de Gestão Pública, Adriano Soares, disse que uma comissão composta por representares de várias secretarias está estudando uma contraproposta salarial para apresentar aos policiais civis e aos delegados. No entanto, segundo ele, "a intransigência dos grevistas tem dificultado o diálogo com o governo". Além disso, Soares informou que solicitou à Procuradoria Geral do Estado que entre na Justiça pedindo a ilegalidade da greve das duas categorias, alegando que "a segurança pública é um serviço essencial".

Multa

O juiz estadual Kléver Loureiro determinou, na tarde de ontem, o fim imediato da greve de advertência dos delegados da Polícia Civil de Alagoas. Segundo o magistrado, a suspensão da greve foi solicitada pela Procuradoria Geral do Estado, que entrou na Justiça com pedido de liminar. De acordo com Loureiro, a não suspensão do movimento grevista poderá acarretar na aplicação de multa para a categoria. Mesmo com a decisão judicial, a paralisação está mantida.

Segundo o presidente da Adepol, a categoria já entrou com um recurso para derrubar a liminar. "O nosso advogado, Fernando Maciel, está vendo essa questão do recurso. Nossa paralisação é normal; os 30% estão sendo mantidos. Tudo será atendido na Deplan I, as ocorrências daqui e do interior", garantiu.

Fonte: Tribuna da Imprensa, 16/01/2008.

 

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