A farra dos pedágios PDF Imprimir E-mail
Transporte
Carlos Giannazi   
Seg, 08 de fevereiro de 2010 13:05

Carlos Giannazi
Carlos Giannazi
O avanço vertiginoso da implantação de praças de pedágio nas estradas paulistas tem chamado a atenção e causado a indignação da população do Estado, não só de quem utiliza tais rodovias, mas também das pessoas que compreendem que o dinheiro deixado nas cabines dos pedágios é posteriormente cobrado dos consumidores de mercadorias das prateleiras dos supermercados, em especial nos produtos da cesta básica, aumentando com isso o custo de vida em São Paulo.

Já são mais de 160 praças de arrecadação sem contar as dezenas que estão sendo implantadas. Em algumas regiões, esses pedágios chegam ao absurdo de dividir cidades ao meio obrigando os seus moradores a pagar para ir à padaria, levar os filhos à escola, ir para a igreja, ao trabalho ou ao posto de saúde, como é o caso do pedágio instalado no km 26 da Rodovia Anhanguera e nas 13 praças erguidas no Rodoanel Mario Covas. A reclamação também é endereçada ao governo federal, que vem pedagiando as rodovias federais como a Régis Bittencourt e a Fernão Dias sendo que, nesta última, ao menos em duas cidades paulistas (Vargem Grande Paulista e Mairiporã), a concessão também impõe a danosa consequência da divisão a elas, mesmo com valores inferiores aos cobrados nas rodovias estaduais.

Tudo isso sem contar com os altíssimos e escandalosos preços cobrados pelas concessionárias, muitas delas controladas por grandes empreiteiras, financiadoras de campanhas de governadores e deputados. Os moradores de Indaiatuba, por exemplo, são obrigados a pagar R$ 17 para irem a Campinas. O paulistano que seguir para as cidades da Baixada Santista será extorquido em mais de R$ 20 para percorrer, na média, 80km. Matérias publicadas recentemente pela imprensa diária mostram claramente os abusivos preços cobrados dos cidadãos e os estratosféricos lucros das empresas concessionárias.

A Artesp, que deveria controlar e coibir esse assalto em praça pública contra a população, não passa de uma avalizadora dos interesses das milionárias empresas concessionárias agraciadas com estradas construídas pelo dinheiro público.

No entanto, temos, pela Assembleia Legislativa de São Paulo, acionado os ministérios públicos estadual e federal para que o direito constitucional de ir e vir e de livre locomoção sejam garantidos, bem como a Lei Estadual 2481/53, ainda vigente e que proíbe a cobrança de pedágio num raio de 35 km a partir do marco zero da cidade de São Paulo, seja respeitada. Temos mais de 12 praças de pedágios na região da Grande São Paulo violando essa legislação.

A sanha privatista do atual governo estadual parece não ter limites e certamente compõe o DNA político e ideológico do tucanato, que levou recentemente o governador José Serra a anunciar o pedagiamento do Rodoanel, trecho sul, que ainda está em construção, obra esta feita com o dinheiro dos suados impostos e que será entregue de mão beijada para o capital privado. Já se paga o IPVA e tantos outros impostos justamente para que o governo mantenha as estradas em condições adequadas de segurança e manutenção. Essa é uma das funções do estado.

Aqui se registra a crítica aos argumentos daqueles que tentam justificar e legitimar a existência de pedágios em São Paulo, fazendo comparações com estradas de outros estados que não têm cobrança de taxas e, no entanto, encontram-se degradadas. Não dá para aceitar não só esse argumento como o "privatismo" irrestrito promovido pelo atual governo. O nosso mandato já apresentou vários projetos de lei para impedir que a farra dos pedágios tenha continuidade em São Paulo, porém a base governista não permite que eles prosperem e sejam, sequer, discutidos e levados para votação.

A população deve também se mobilizar e pressionar parlamentares, prefeitos e o próprio governo a pôr fim na "privataria" dos pedágios no Estado de São Paulo. Só a sociedade civil, organizada através de mobilização e manifestações públicas, é que poderá vencer o poderio econômico das concessionárias e obrigar os três poderes a agirem em defesa da população paulista, que já é vítima de uma das cargas tributárias de maior dimensão do mundo sem ter a contrapartida social.

23 de janeiro de 2010

[Publicado no jornal 'Correio Popular", de Campinas]

Carlos Giannazi é deputado estadual (PSOL) na Assembleia Legislativa de São Paulo

 

 
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6 Comments

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  1. Colegas, o assunto pedágio nas estradas brasileiras é mais um caso de policia, infelizmente! Acabo de passar na rodovia que liga Gramado a Nova Petrópolis e paguei R$6,80 na ida e o mesmo na volta (20Km entre as cidades). Pasmem! A rodovia é de pista simples, não tem acostamento em certos trechos e o mato nas laterais estava mais alto do que as placas de sinalização. Uma vergonha! Estou indignado com esse absurdo. O que fazer??? Só denunciar não basta, pois estas denuncias não atingem os amigos do rei... Abraços.
  2. Os pedágios cobrados pelas concessionárias em todo o Brasil têm que ser reavaliados,taxados e revertidos em benfeitorias para as estradas. O Estado do Rio de Janeiro vai pelo mesmo caminho,vide a Riolagos,e o que vemos por aí são estradas horríveis e mal administradas.
  3. Entre Bauru e Jundiaí existem 300 km. Após a privatização da Marechal Rondon, esse trecho passou a ter 7 pedágios. Sete! Menos de 45 km entre um e outro. Entre São Manuel e Botucatu, cidades largamente integradas, aquela muito dependente desta, há um pedágio. E depois da serra de Botucatu a estrada é de pista única, perigosa e mal sinalizada.
  4. Amigos, aqui em Viamão-RS, nos organizamos e, através de diversas mobilizações e manifestações, conseguimos com muita luta a isenção para os moradores da nossa cidade. Nesta luta pelo nossos direitos, Geraldinho de Viamão suplente da Dep. Luciana Genro, apresentou o Projeto de Lei 6069/09, que está em análise na comissão de Viação e Transporte. O Projeto visa o exercício do direito de ir e vir do cidadão em todo o território nacional e garantir às cidades vias alternativas, em boas condições, às rodovias com pedágio. Como dizem nossos companheiros, "Com luta e com garra, pedágio sai na marra".
  5. Em São Paulo são os pedágios, na Bahia também e em Brasília são os estacionamentos, públicos, que a população pagou para tê-los, e, no entanto, estão sendo privatizado para terceiros. Nós não sabemos como isto está sendo feito. Área pública não deveria e não deve ser taxada, privatizada ou coisa parecida. Nós pagamos e temos o direito de usar. Grande abraço.
  6. Ok! O que você pode fazer contra esses abusos? O PT (acho que você foi petista - salvo engano) também pregava e defendia o povo contra muitos abusos e hoje, ah! hoje tudo mudou... no Poder tudo muda, e passou a ser cordato com tudo isso! Lamentável, não? Temos os maiores impostos, as maiores taxas de pedágio, cujas estradas foram construídas com nosso dinheiro, temos as maiores taxas de juros do planeta, e muito outros "mais".... maiores números de mortos nas estradas, maior número de mortos pela policia, maior número de assassinatos... pelos marginais! Tudo mais!

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